opinião.jpg

Ricardo Callado03/10/20163min

Por Andréa Dutra


O ex-presidente Lula foi o grande derrotado nas eleições de 2016. Ele participou de várias campanhas e por onde passou viu seus candidatos naufragarem. O PT e seus partidos satélites não conseguiram empolgar o discurso do golpe. E de quem são perseguidos por tudo e por todos.

O povo não é besta e sabe quem de verdade andou metendo a mão do dinheiro público. Quando se detecta corrupção no governo, uma coisa é certa, não é a oposição que está roubando, e sim o próprio governo. E o eleitor entendeu isso.

Se formos apontar o partido vencedor das eleições de 2016, seria o PSDB, com quase 800 prefeitos eleitos. Foi um crescimento de 14% em relação às 695 prefeituras conquistadas em 2012.

Mas o PSDB tem que ficar escaldado, porque nomes conhecidos do partido também estão sendo investigados pela Operação Lava Jato e suas ramificações. O PMDB, partido que teve mais prefeitos eleitos, também é outro que está na mira do Judiciário.

Se o PT foi golpeado e virou um partido médio nas eleições de 2016, PMDB e PSDB devem ficar de olho em 2018. Podem virar as próximas “vítimas” das investigações.

Lula disse domingo na zona eleitoral, após votar em Haddad, que o PT iria surpreender nessa eleição. A derrota massacrante foi mesmo surpreendente. Lula tinha razão. O PT caiu da 3ª posição no ranking de partidos com mais prefeitos para a 10ª posição, com 256 eleitos (382 a menos do que em 2012, com 638), um pouco abaixo do o PTB (o 9º da lista).

Em 2016, os coxinhas levaram a melhor, aplicando uma surra nos “petralhas”, resultado previsível, nem por isso menos comemorado entre os tucanos.

O PT sofreu, em todo o país, a pior derrota eleitoral de sua história. O PT que trabalhava pela hegemonia política do País, só venceu em uma capital, Rio Branco (AC). No ABC, berço político do petismo, a derrota tem seu simbolismo. Lula não conseguiu reeleger nem seu filho a vereador de São Bernardo do Campo.

Com um desempenho pífio, o partido da ex-candidata à presidência, Marina Silva, a Rede, ainda não disse a que veio. E com certeza deve ter sido prejudicado por ter se transformado em linha-auxiliar no PT durante o processo de impeachment.

Os deputados Alessandro Molon, Aliel, e o senador Randolfe Rodrigues foram, em alguns momentos, mais enfáticos na defesa do PT que o próprio. Foram vassalos do PT. Resultado das urnas mostra o resultado desse comprometimento


Opiniao-nova-logo.jpg

Ricardo Callado26/09/20167min

Por Ricardo Callado


Não é de hoje que a finalidade principal da administração pública está desvirtuada. Governos perdem muito tempo em áreas estranhas, quando deveriam concentrar energia em atividade fins como saúde, educação e segurança.

O governo acaba se metendo em tudo e vira um grande elefante branco. Obras como o Estádio Nacional Mané Garrincha e o novo Centro Administrativo não trazem serventia alguma à população. É uso incorreto de nossos impostos.

As parcerias público-privadas foi a forma criada algum tempo para forçar o governo a se manter no seu lugar: cuidando do bem estar da população.

O Governo do Distrito Federal também sofre desse mal. E, sem dinheiro em seus cofres, perdeu a capacidade de administrar estádios, autódromo, parques, torres. Nesta segunda-feira (26), o GDF autorizou chamamento de interessados em parcerias público-privadas.

A permissão para o lançamento do edital das PPPs do Complexo Esportivo e de Lazer do Guará, do Parque da Cidade e do Autódromo foi publicada no Diário Oficial do Diário Federal.

É um primeiro passo. E uma boa saída para sanear as finanças do governo. Além de se livrar de custos, ainda pode lucrar e usar o dinheiro em áreas essenciais.

A parceria entre o governo de Brasília e a iniciativa privada pode contribuir para a modernização e o melhoramento de espaços e de serviços públicos. São nove itens os selecionados por ser considerados potencialmente exploráveis do ponto de vista econômico.

Todo um rito deve ser seguido e feito de forma séria. Interessados em apresentar projetos deverão fazer a manifestação de interesse privado até 60 dias após a publicação da resolução no Diário Oficial do DF.

As sugestões serão analisadas por um grupo técnico-executivo, composto por vários órgãos e coordenado pela Secretaria de Economia, Desenvolvimento Sustentável e Turismo.

Posteriormente, serão levadas para deliberação do Conselho de Parcerias Público-Privadas, cujo presidente é o próprio governador Rollemberg.

A crise é real. Muitos Estados estão quebrados. Os governos têm pouca capacidade de investimento. E a hora é de chamar a iniciativa privada para que ela faça a gestão compartilhada de espaços públicos e garantia melhores serviços à sociedade.

Entre os critérios estabelecidos da parceria está o veto de cobrança de entrada no Parque da Cidade e na Torre de TV, por exemplo.

Segundo o edital de chamamento, as empresas ou pessoas físicas que tiverem projetos selecionados não necessariamente serão as escolhidas para o fechamento das parcerias público-privadas (PPPs), uma vez que haverá licitações. Assim, se o vencedor da concorrência pública não tiver feito o projeto, terá de indenizar o autor em até 2,5% do valor total do investimento.

Concluído o processo licitatório, o ganhador — empresa ou pessoa física — terá de abrir uma sociedade de propósitos específicos (SPE) apenas para administrar as operações relativas à parceria.

Nesta segunda-feira, três propostas de PPPs tiveram avanço. Foram publicadas autorizações para lançamento de edital de chamamento público de procedimento de manifestação de interesse (PMI) para o Complexo Esportivo e de Lazer do Guará e para o Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek.

O Conselho Gestor de Parcerias Público-Privadas autorizou, ainda, a Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) a comunicar a intenção de receber manifestações de interesse privado (MIP) para a administração do Autódromo Internacional Nelson Piquet.

A mais avançada das três é a PPP do Complexo do Guará. A previsão é que o edital de PMI saia nesta semana. A partir da publicação, serão 45 dias para interessados em administrar o Kartódromo Ayrton Senna, o Estádio Antônio Otoni Filho, o ginásio de esportes e o Clube Vizinhança requererem autorização para fazer estudos técnicos.

As pistas de bicicross e de motocross, as quadras esportivas e a administração do Centro Administrativo Vivencial e Esporte (Cave) não serão incluídas na parceria.

Para o Parque da Cidade, caberá ao concessionário melhorar a segurança, a iluminação, mas a exploração comercial não está definida. A expectativa é que os estudos definam um modelo de negócios. No local devem ser instalados restaurantes, talvez um shopping especializado em esportes, os pedalinhos do lago e reativar algumas quadras esportivas e cobrar pelo uso delas.

Espera-se que com o governo mais enxuto, possa se cobrar mais melhorias para Saúde, Educação e Segurança.


banner_opinião-e1462483471768.jpg

Ricardo Callado09/09/20169min

Por Ricardo Callado


Nos últimos dois meses a política brasiliense voltou às páginas policiais. E deve se manter por lá por mais um bom tempo. Velhos e novos personagens se embaralham no mesmo enredo: corrupção na saúde.

São histórias distintas e um mesmo mote. A gravação da sindicalista Marli Rodrigues com o vice-governador Renato Santana  falando em suspeita propina colocou o governo em alerta.

Presidente do SindSaúde, a maior entidade sindical do setor no DF, Marli fala abertamente sobre percentagens de pagamento em contratos na Secretaria de Saúde e na Secretaria de Fazenda. E cita ainda superfaturamentos na compra de kits contra a dengue.

Marli gravou, ainda, o ex-secretário de Saúde Fabio Gondim, onde também apontam diversas suspeitas.

A Câmara Legislativa, insatisfeita politicamente, caiu para cima do governador Rodrigo Rollemberg. A Comissão Parlamentar de Inquérito da Saúde aberta pelos deputados distritais vinha cambaleante até então.

O Palácio do Buriti trabalhava para que a CPI não andasse. Indicados de deputados favoráveis à investigação eram exonerados.

A gravação de Marli Rodrigues deu o gás que a CPI precisava. Deputados foram para cima do governo. As convocações em sequência tinham a intenção de colocar o Governo de Brasília nas cordas.

O ato seguinte foi a revelação de que a então vice-presidente da Câmara, Liliane Roriz (PTB) gravou a presidente da Casa, Celina Leão (PPS) e o ex-secretário-geral Valério Neves.

O vento mudou de rumo. A crise foi transferida para o Legislativo. As gravações sugerem um acerto entre deputados da Mesa Diretora, com ajuda de assessores, de cobrança de propina em pagamento de empresas que prestam serviços de UTI ao Executivo.

Criou-se a Operação Drácon pelo Ministério Público do DF, com apoio Polícia Civil. Emendas de parlamentares no valor de R$ 30 milhões seriam usadas para pagamentos das empresas. Uma parte desse valor, entre 5% e 10%, talvez 7%, seria devolvida para os deputados em forma de propina.

Liliane renunciou ao cargo de vice-presidente. A Câmara elegeu um novo vice, o deputado Juarezão, do partido do governador. O Tribunal de Justiça do DF afastou os demais integrantes da Mesa Diretora. Juarezão virou presidente.

Três dos deputados citados nos grampos de Liliane são membros da CPI da Saúde. Todos se afastaram da comissão. Governistas assumiram os postos. A primeira entrevista do governador após as gravações virem à tona foi para desqualificar a comissão.

Com a CPI sob controle, o presidente do Legislativo da base governista e uma crise tirando o sono dos deputados, o Executivo saiu triunfante e o Legislativo foi às cordas.

A cada dia mais peças aparecem. Se no começo achou-se estranho que Liliane tivesse complicado a vida de Valério, na quinta-feira (08) novas gravações feitas pela deputada colocam sob suspeita a administração do seu pai, o ex-governador Joaquim Roriz. O que pode se chamar de algo extraordinário.

Liliane também grampeou o ex-senador Luiz Estevão, preso na Papuda. Na gravação se fala sobre tudo. É nesse grampo que cita pagamento de propina no governo Roriz. Também explica contribuições da empreiteira OAS durante a campanha eleitoral de 2014, através do ex-senador Gim Argello. Debatem indicações na Câmara. E mais deputados são citados. Estevão ainda se gaba de ter acesso ao governador Rollemberg e um ex-assessor seu. O fato foi negado pelos citados.

Com a OAS e Argello, a Operação Drácon se mistura com a Operação Lava Jato. E ainda traz personagens do passado à tona. Para complicar, uma testemunha ainda não conhecida coloca a crise novamente no Palácio do Buriti.

Não foi na Câmara Legislativa e nem nos grampos de Liliane, mas também envolve a Saúde. O cenário desta vez foi o Ministério Público do DF. Os nomes do governador e do chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio, aparecem em um depoimento prestado ao MPDFT durante a operação Drácon.

Por causa da citação, o inquérito foi enviado à Procuradoria-Geral da República, que passa a acompanhar o caso. Então temos agora a Drácon, a Lava Jato e a PGR.

O depoimento foi dado por um ex-gestor da Secretaria de Saúde. Ele citou nominalmente Rollemberg e Sampaio. Em nota, o Palácio do Buriti negou as irregularidades.

Entre as denúncias, está o superfaturamento na compra de kits de combate aos sintomas da dengue. Os mesmos que no começo do texto foi citado pela sindicalista Marli Rodrigues.

Segundo o depoimento, o GDF comprou cada kit por R$ 55, mas o edital de licitação previa um custo máximo de R$ 22. Mesmo esse valor previsto estaria acima da média de mercado, estimada em R$ 8 de acordo com o ex-gestor.

Se os valores do depoimento estiverem corretos, isso significa que cada kit custou 587,5% a mais que o preço razoável.

Os R$ 22 milhões teriam sido autorizados pelo atual coordenador de Logística e Infraestrutura da Secretaria e Saúde, Tiago Amaral Flores. O documento não aponta quando a compra foi feita.

O Palácio do Buriti disse que a compra dos kits da dengue não foi feita pelos preços informados na denúncia.

Nessa história aparece até a citação de três reis magos. O depoimento cita Armando Raggio, diretor-executivo da Fundação de Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), Sady Carnot Falcão Filho, ex-diretor-executivo do Fundo Nacional de Saúde, e Renilson Rehem, diretor da organização social que gerencia o Hospital da Criança de Brasília.

O depoente aponta Sady Filho como o responsável por indicar o ex-diretor do Fundo de Saúde do DF, Ricardo Cardoso. Ao longo de 2015, ele foi responsável por pagar os fornecedores do GDF na área de saúde.

Foi Cardoso quem assinou a emenda que liberou R$ 30 milhões para o pagamento de fornecedores de UTI em dezembro de 2015. Essa liberação é que possibilitaria o pagamento de propina a Celina e outros deputados.

O caso esta na PGR. O ofício que foi enviado pelo MPDFT diz apenas que o material mostra que “pode” haver participação do governador, mas não contem conclusões.

Esse tipo de investigação costuma levar meses. Quem deve ficar por conta do caso na PGR é o novo vice-procurador-geral, José Bonifácio Borges de Andrada, nomeado nesta quinta-feira (8).

Esse texto é apenas uma contextualização para quem perdeu algum capítulo. Mais cenas devem aparecer. Vão de novas gravações, ameaças de dossiês, até blocos de anotações esquecidos. É uma novela sem fim.


opinião.jpg

Ricardo Callado02/09/20166min

Ricardo Callado


Há anos que a política do Distrito Federal vem sendo conduzida por forças ocultas. O clima de conspiração é constante, em alguns momentos com maior intensidade, em outros, passa despercebido, mas nunca dá certo.

Gravações fazem parte do dia a dia. Tem quem grave para denunciar algo que acha errado, e os que querem obter vantagens. Existem ainda os que grampeiam para tirar proveito político, e os que fazem por precaução, para que no futuro não seja enrolado em algum esquema fraudulento.

Quando surge uma gravação como a feita pela deputada Liliane Roriz (PTB), o mundo político fica em polvorosa. É uma ação que pode desencadear várias reações e, como a maioria não sabe de onde vem o tiro, fica no meio do fogo cerrado podendo ser atingido a qualquer momento por um grampo perdido.

Hoje, qualquer palavra fora do contexto ou bem editada pode acabar com uma carreira política e criar uma crise institucional grave. Isso vale para o atual momento e para as futuras gravações.

Quem não se lembra da gravação feita no gabinete do próprio governador Rodrigo Rollemberg (PSB)? Causou uma confusão tamanha. Muitas acusações entre o Legislativo e o Executivo, até que se descobriu o autor da gravação e a investigação foi abafada.

O problema muitas vezes não é nem o teor do que se conversa, mas a própria gravação. Se alguém for grampeado passando uma lista de compras de supermercado para a feira de sua casa e foi divulgado, a maioria das pessoas nem irá prestar atenção ao que está sendo dito.

O gravado é condenado sumariamente. Bastam sair os dois quadradinhos numa tela de TV com as conversas, ou em notas de coluna de jornais e blogs, dependendo do tratamento que se dará. Existem especialistas nisso.

No caso da gravação no gabinete no Buriti, muito foi dito e nada foi provado. O momento serviu para, entre outras coisas, quem gravou conseguir emplacar seus interesses e ainda tentar colocar a culpa em quem nada tinha a ver, e afastar o governador da realidade.

O grampo mais recente precisa ser investigado, e que as conversas sejam colocadas em ordem. As forças ocultas, muitas vezes travestidas de paladinos da moralidade, com ficha corrida em muitos governos, se mantêm permanentemente com o dedo apontado.

Que a mesma lição sirva para os próximos grampos. Em breve, Legislativo, Executivo e Ministério Público poderão, de mãos dadas, protagonizar uma nova crise política no Distrito Federal.

A Caixa de Pandora deixou muitos ensinamentos. A condução da política de forma correta e leal deve ser obedecida com rigor. O trato com a coisa pública tem de ser rigorosa, mas sempre existem os desavisados, dentro e fora do governo e do Legislativo.

O ex-governador Agnelo Queiroz (PT) é um caso a ser estudado. As lições que ficaram do governo passado deveriam ser aprendidas para não ser repetidas, mas nem sempre quem está no poder consegue se conectar com a realidade. A razão é deixada de lado.

A cada crise as forças políticas do Distrito Federal vão diminuindo. Já não temos lideranças natas. O que sobrou foram grupos políticos formados por ocasião ou por divisão de poder, e o poder se esvai muito rápido. Dura bem pouco. Não adianta apenas ter o poder, é preciso a perspectiva dele. 2016 acabará de forma melancólica.

O próximo ano será de nova formatação de forças políticas visando a eleições de 2018. Com o fim do impeachment e das eleições municipais, o foco estará novamente voltado para a política do dia a dia. Partidos e políticos irão se reorganizar. Quem sobreviver às denúncias e não estiver aliado a um projeto grampeado e furado, chegará às eleições com chances.

A política de Brasília deveria ter um gabinete permanente de crise. Esse é um segmento que deve crescer muito no DF. Assim como uma constante assessoria de análise política e de mídia. Há os que preferem arapongas e palpiteiros. Cada um tem seu estilo e o seu destino. #ficaadica


opinião.jpg

Ricardo Callado27/08/20166min

Por Ricardo Callado


O clima político em Brasília anda pesado. É uma guerra entre comadres e compadres. Todos os personagens têm alguma relação bem próxima, ontem ou hoje, e juntos chegaram ao poder.

Já vivemos outros momentos em que as relações de bastidores entre Executivo, Legislativo Judiciário e Ministério Público causaram crises políticas. Grampos, denúncias, corrupção estão novamente na pauta e essas relações estão agindo novamente

A política de Brasília é provinciana. Todos se conhecem e se relacionam. Os grupos se misturam. Antes, quando eram apenas Rorizistas e petistas, até que existia uma separação. Hoje, estão todos juntos.

Celina veio do berço rorizista. Foi secretária da Juventude de Joaquim Roriz e chefe de gabinete da então deputada distrital Jaqueline Roriz. Celina foi eleita presidente com o apoio do governador Rodrigo Rollemberg e uma das primeiras lideranças a apoiar sua campanha de 2014.

Rollemberg, já em 2010, antes de deflagrar a operação Caixa de Pandora, ensaiou uma aproximação com Joaquim Roriz. Queria sair candidato ao Senado na chapa do ex-governador, mas se afastou e desistiu da união política quando sugiram as primeiras gravações de Durval Barbosa.

Rollemberg então caiu no colo do PT e apoiou Agnelo Queiroz. Na chapa, ainda tinha o rorizista Tadeu Filippelli como vice-governador, e o ex-petista Cristovam Buarque como companheiro no Senado.

Os quatro chegaram juntos ao poder. Hoje, estão todos em campos opostos. Com a chegada de Agnelo ao Buriti, houve uma fragmentação política. Sumiram-se grupos e lideranças. Brasília não tem alguém que dê um freio de arrumação e coloque a casa em ordem.

No governo petista, Celina e Liliane ficaram como vozes de oposição. Militaram até no mesmo partido, o PSD, comandado pelo rorizista Rogério Rosso, que apoiou Rollemberg. Depois seguiram caminhos diferentes. Celina se aliou a Reguffe e Cristovam no PDT, e hoje está no PPS. Já Liliane foi para o PRTB do ex-senador Luiz Estevão. Hoje está no PTB de Gim Argello.

Rollemberg rompeu na campanha de 2014 com Agnelo, mas sustentou boa relação com o PT, mantendo inclusive quadros do partido em cargos importantes na estrutura do governo de Brasília.

A partir daí, o governador eleito se aproximou de Celina. Outro personagem é Raimundo Ribeiro, que foi líder do governador Rollemberg até o ano passado. Após deixar a liderança do Buriti, Raimundo foi sendo empurrado aos poucos para a oposição.

Sobrou até para o atual líder do governo, deputado Júlio César Ribeiro. O parlamentar sempre teve resistência entre os conselheiros do governador Rollemberg. Quanto mais Celina e Raimundo se distanciavam do governo, mais o PT e Liliane Roriz ampliavam o diálogo com o Buriti.

Um dos fatos mais estranhos nessa confusão toda, onde adversários históricos se unem e aliados brigam entre si, foi Liliane gravar o braço direito de seu pai, Valério Neves, e colocá-lo no olho do furacão. Valério sempre foi uma das pessoas mais fiéis da Família Roriz e é fiel depositário de segredos políticos.

A crise dos grampos, num primeiro momento, resolve vários problemas para Rollemberg. Tira de cena as principais vozes de oposição na Câmara Legislativa, Celina, Raimundo e o deputado Bispo Renato Andrade. Tem a oportunidade de trocar seu líder de governo e ainda tira o foco da crise do Buriti.

Além disso, desmoraliza a CPI da Saúde, que tanto foi combatida pelo governo para que não saísse do papel. Deputados foram castigados com exonerações de indicados no Executivo. Um dos casos mais emblemático foi a retaliação contra o deputado Lira, que reclamou em discurso no plenário. O que se escuta nos gabinetes do Buriti é a frase: “ou é governo ou não é”.

Essa crise ainda deve ir muito longe. Vai fazer um estrago na Câmara Legislativa. Como a política de Brasília é provinciana e todos se relacionam entre si, o Buriti não deve sair desse episódio sem arranhões e o governador Rollemberg sabe disso e se pintou para guerra.

Essa confusão ainda vai demorar meses e vai influir diretamente na eleição de 2018. Quem tiver bem longe dela vai se dar bem. A briga entre Legislativo e Executivo é rancorosa e vai ser turbulenta e nessa disputa não haverá vencedores.


opinião.jpg

Ricardo Callado19/08/20165min

Por Ricardo Callado


Desde que assumiu o governo, em janeiro de 2015, Rodrigo Rollemberg (PSB) teve poucos momentos de calmaria. A crise econômica e a troca de equipe em sequência minaram parte de sua popularidade.

As gravações da deputada Liliane Roriz (PTB), aparentemente, ajudam o Executivo. A turbulência mudou de endereço. Pousou nos corredores da Câmara Legislativa. Não que o Palácio do Buriti deva achar que terá dias de calmaria. A recomendação é de cautela. Ainda não se sabe à proporção que essa crise vá tomar. E seus desdobramentos.

Nos bastidores políticos, fala-se em mais gravações. E que atingem muito mais personagens. Dos dois lados da Praça do Buriti. Poucos tiveram acesso ao conteúdo. Alguns jornalistas locais, e também de um grande jornal e de uma revista, ambos de circulação nacional. As gravações seriam distintas. E de casos diferentes.

Além de denúncias de supostos acertos de propina envolvendo dinheiro público, existe uma crise política e uma guerra de comunicação.

A política brasiliense está novamente sob fogo cruzado. Os casos são graves e precisam ser apurados. Esse processo obedece um rito para desgastar a imagens dos envolvidos. Entre uma gravação e outra, um intervalo de alguns dias para vir a público. É uma ação organizada, com mentores e intermediários. E muita contrainformação. E vai romper setembro.

A Câmara Legislativa foi atingida em cheio. Notas de partidos de esquerda aconselharam a presidente da Casa, Celina Leão (PPS), se afastar do cargo. É jogo para a plateia. Celina não é boa de receber conselhos, principalmente de adversários. Só fizeram que essa decisão fosse descartada. Celina e os outros deputados citados vão para a guerra política. Só não irão brigar com os fatos.

O Palácio do Buriti é o alvo. O governador Rodrigo Rollemberg vai enfrentar uma oposição ainda mais acirrada. Se o jogo é da guerra, o Governo de Brasília terá que aposentar o cubo mágico. E colocar seus soldados para sair em defesa do Executivo.

É possível discutir política sem descer o nível. Hoje, muito se fala, e pouco se ouve. Muito se prega, pouco se debate. E quando há troca, esta acontece menos como debate e mais como disputa, sempre com cada lado buscando ter a última palavra e vencer. Mas nessa guerra não há vencedor.

A entrevista de Celina na quinta-feira (18) foi uma tentativa de virar a batalha da comunicação, apresentando a sua defesa, e partindo para o ataque. O objetivo é colocar a crise no colo do Buriti.

O Executivo precisa também de uma estratégia que vá além do cubo magico. Não basta desqualificar a CPI da Saúde, já que o governo é o ordenador de despesa. E, ainda, jogar a responsabilidade para o Ministério Público. É preciso de algo mais.

Quem sobreviver a essa crise vai sair desgastado e, contraditoriamente, também fortalecido.

Uma crise na Câmara não garante paz ao governador. É preciso estar atento 24 horas. Pisando em ovos. A situação não é nada boa. Rollemberg foi eleito num período conturbado da política e da economia brasilienses. Herdou problemas e modelo de administração contaminado. Soma-se a isso a falta de habilidade política de sua equipe.

O governador tem inimigos por todos os lados. Na base aliada, na ex-base aliada, na oposição, nos gabinetes no Buriti, no funcionalismo público. Rollemberg não tem o direito a descanso. Até para manter a sobrevivência política. Não basta apenas ter um vigilante, é preciso estar vigilante.

A imprensa, o Ministério Público e o Judiciário farão a sua parte. Até setembro chegar.


banner_opinião-e1462483471768.jpg

Ricardo Callado30/07/20163min

 

Por Ricardo Callado


A presidente da Câmara Legislativa, deputada distrital Celina Leão (PPS), ainda na campanha de 2014, foi uma das primeiras apoiadoras ao então candidato Rodrigo Rollemberg (PSB). Juntos chegaram à vitória, Rollemberg virou governador e Celina assumiu o comando do Legislativo.

Logo nos primeiros três meses apareceram às divergências. Celina acusa que foi perseguida pela Casa Civil montada por Rollemberg e pelo grupo de petistas que lá se alojou, dando continuidade às políticas do ex-governador Agnelo Queiroz (PT).

Para a deputada, o governo que ela ajudou a eleger perdeu o rumo de suas propostas de campanha. Tornou-se a continuação do Governo Agnelo, que a deputada Celina tanto combateu. Hoje, o ex-governador responde há dezenas de processos cíveis e criminais, na maioria, por conta de suas representações.

Celina foi a principal opositora de Agnelo. Por meio da fiscalização realizada pela deputada, a justiça anulou os contratos da licitação do transporte público. Mesmo sabendo disto, ela acusa o atual Governo de não ter tomado providências no sentido de cumprir com a decisão judicial.

Para a deputada, Rollemberg teve a oportunidade de estancar a corrupção instalada desde o governo passado e não o fez. Os modus operandi petista que Celina tanto combateu continuam neste governo, segundo a deputada.

Nesse sentido, a parlamentar manifestou por meio de nota oficial, na quinta-feira (28), apoio incondicional as investigações da CPI da Saúde. Ela também repudiou, veementemente, os atos do GDF contrários às investigações.

Para mostrar que está pronta para o embate, Celina suspendeu o recesso legislativo e convocou extraordinariamente a Câmara para que os membros da CPI pudessem discutir as novas denúncias veiculadas na imprensa. Eles fizeram oitivas em função dos áudios de conversas comprometedoras de servidores com autoridades, que demonstravam indícios de corrupção no GDF.

Esse é apenas um ingrediente para o bolo que vem por ai. O Buriti ainda enfrentará mais problemas. Corre o risco de ver os apoios na Câmara diminuírem para menos de dez deputados, ainda enfrenta baixa popularidade e isolamento. Rollemberg terá que buscar apoio e estar preparado para o desenrolar da crise. Não há, ainda, alguma saída.



Ricardo Callado29/07/20165min

banner_opinião

.

Por Ricardo Callado


As crenças orientam nosso comportamento. Isso não se refere apenas ao religioso, está nas esferas privadas e públicas, materiais e espirituais, formais e informais. Crer é aceitar uma ideologia, técnica, atitude ou explicação de infortúnio sem discussão.

 

São respostas às dificuldades, aos obstáculos ou às aspirações humanas. Procuramos ajustá-las às expectativas pessoais e sociais para preservar nossa segurança diante de uma ordem de difícil interpretação.

 

As crenças não são ignorâncias exclusivas de povos carentes, existem também entre os mais estudados. Elas abrangem desde fé religiosa, até o conhecimento empírico sobre fenômenos físicos, emocionais, sociais e espirituais.

 

Isso inspira argumentos para justificar os eventos avessos à solução provida pelo conhecimento técnico-científico, pois ele não responde a todas as aflições humanas.

 

Enquanto alguns temem gato preto, espelho quebrado ou sal derramado, ou acreditam em almas gêmeas e predestinação, ou ainda tratam suas angústias no divã de psicanalistas, o meio político se aperreia esperando agosto chegar.

 

Agosto mês do desgosto. A rima é fácil e os acontecimentos políticos dos mais variados. Em 16, agosto será lembrado pelo impeachment da petista Dilma Rousseff e pela cassação do seu algoz, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB). Para o país, será um expurgo, o fim de um ciclo, e a possibilidade de um novo começo.

 

Só para lembrar, foi em agosto o registro de acontecimentos como: suicídio de Getúlio Vargas em 1954; renúncia de Jânio Quadros em 1961; e morte de Juscelino Kubitschek em 1976.

 

No mês ainda pode acontecer a tão falada e esperada prisão do ex-presidente Lula. Para muitos analistas, a hora está chegando, e o petista sabe disso. Até petição ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) ele enviou nesta quinta-feira (28). Bateu o desespero.

 

Na política local, agosto promete uma guerra entre o Palácio do Buriti e a Câmara Legislativa. Com o fim do recesso, o governador Rodrigo Rollemberg vai ser alvo de fogo cerrado de adversários políticos. A CPI da Saúde será um desses instrumentos.

 

O vazamento à conta-gotas de conversas privadas entre o vice-governador Renato Santana e a sindicalista Marli Rodrigues é o combustível conveniente para manter o governo sob ataque.

 

A adoção das Organizações Sociais (OSs) na Saúde será outro fato para desgaste do governador. São todos contra, por ideologia ou conveniência. Até os que são a favor.

 

A disputa será política e econômica. Rollemberg resolveu mexer numa caixa preta. A Saúde do DF é explorada por grupos empresariais há décadas. Uma máfia que fará de tudo para não perder seus negócios.

 

Outros interesses políticos se unem para desgastar o governo. Rollemberg terá pela frente uma batalha para se manter vivo politicamente até 18. Suas ações fizeram afastar muita gente que poderia somar. A divisão causa o isolamento e o isolamento faz muito mal ao governo, a qualquer governo.

 

Rollemberg errou em não apostar no diálogo. O afastamento deu margem à união de forças adversárias com aliados descontentes. Além de conspiradores e chantagistas, que procuram sabotar o governo, seja criando situações embaraçosas, ou dando maus conselhos.

 

Agosto será um mês decisivo para o governo Rollemberg. Pode ser o começo do fim, ou o recomeço. O caminho vai depender das ações e reações.

 

Para quem tem suas crenças, agosto é um mês de instabilidade política e todos ficam muito inquietos enquanto setembro não vem…



Ricardo Callado16/07/20164min

 

banner_opinião

.

Por Ricardo Callado


A notícia de uma suposta cobrança de propina na Secretaria de Fazenda chama atenção para detalhes. A primeira é a forma como foi feita a gravação. A primeira impressão é que o vice-governador Renato Santana caiu numa armadilha.

Os interlocutores de Santana são a presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues, e o ex-funcionário do sindicato, Valdeci Rodrigues. A gravação foi feita num apartamento em Águas Claras, num momento de aparente descontração.

Santana diz na gravação que recebeu a denúncia de que estaria sendo cobrado 10% de propina na Secretaria de Fazenda e si dirigindo a Marli diz: “Eu me sinto… Seria um escroto não te falar”.

Mas Santana poderia fazer e não apenas falar para a presidente do sindicato. Na semana passada, durante uma viagem de três dias do governador Rodrigo Rollemberg, ele assumiu o governo e teve a oportunidade de buscar explicações sobre a denúncia que teria recebido.

Santana poderia ter aberto um procedimento para investigar o caso. Não o fez. Se sabia e não tomou providências, então prevaricou.

Outro detalhe é que em determinado ponto da gravação Valdecir de dirige a Santana e pergunta se ele estaria preparado para assumir o governo. O ex-funcionário do sindicato sugere que o vice poderia substituir definitivamente Rollemberg, em caso de impedimento.

Só para se situar, a conversa aconteceu duas semanas após a abertura da CPI da Saúde na Câmara Legislativa.

Marli Rodrigues ganhou notoriedade após uma matéria que foi ao ar pela TV Globo, no telejornal, DFTV 2ª Edição, em 17 de abril de 2013, sobre calotes de servidores, apropriação indébita de Fundo de Garantia Sobre Tempo de Serviço (FGTS), Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de servidores, além de transferência de contribuição de sindicalizados para contas de funcionários de confiança, diretores e até familiares da atual presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues.

A denúncia narra a demissão de 46 funcionários do Sindicato que foram vítimas de calote, uma vez que o SindSaúde não havia efetuado as homologações das rescisões de dos trabalhadores demitidos em janeiro daquele ano. A matéria aborda também uma denúncia de transferências ilegais realizadas entre 2009 e 2012, que somam mais de R$ 2 milhões, das contribuições dos sindicalizados, para contas de funcionários de ‘confiança’, da filha e do genro, da então tesoureira do Sindicato, Marli Rodrigues, além de diretores do Sindicato.

As transferências ocorreriam em ocasiões que a Secretaria de Saúde, ao transferir as contribuições dos sindicalizados para a conta corrente de titularidade do SindSaúde-DF, este repassava recursos para as contas particulares sem justificativas plausíveis.

Voltando a gravação do vice-governador, o assunto deve ecoar na próxima semana dentro da CPI da Saúde, que foi convocada para uma reunião extraordinária na segunda-feira (18). Ali, a batata do governador vai assar.

Resumindo: o enredo é formado por um vice que recebeu uma denúncia e prevaricou, uma sindicalista enrolada, um discurso da moda de impeachment e uma briga entre Executivo e Legislativo. Para quem gosta de teoria de conspiração, é um prato cheio.



Sobre o Blog

Com 15 de existência, o Blog do Callado é um veículo consolidado, admirado por seus leitores e em sintonia com o público alvo: a população brasiliense. O blog é um site de opiniões e notícias com atualização diária, sem cunho ideológico. Dedica-se a oferecer aprimoramento da informação, com uma audiência qualificada.


NOS BASTIDORES DA CAIXA DE PANDORA

Pandora




Mídias Sociais

Twitter do Blog


FANPAGE Facebook

Social LikeBox & Feed plugin Powered By Weblizar



Parcerias