21/10/2019 Brasília - DF 24°C
dilma2.jpg

Ricardo Callado16/05/20162min

dilma2

Da coluna Claudio Humberto com Metro Jornal- A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) pretende repetir o gesto do ex-presidente Fernando Collor e renunciar antes de o Senado iniciar seu julgamento, afirma o colunista Cláudio Humberto, do jornal Metro.
Uma fonte petista do alto escalão diz que a renúncia passou a ser considerada após a aprovação da admissibilidade do impeachment no Senado por 55 a 22 – para condená-la, 54 votos bastam.A ideia seria fazer o caminho de um dos ídolos da petista, Leonel Brizola, disputando o governo gaúcho ou o do Rio de Janeiro. A prioridade de Dilma seria disputar o governo do Rio Grande do Sul, onde se radicou, e foi secretária estadual.

Se confirmada a forte possibilidade de impeachment, Dilma ficará inelegível por oito anos. A renúncia poderia preservar sua elegibilidade.

No caso de Collor não deu certo: na ocasião, o Senado ignorou a renúncia e decidiu manter o julgamento, aprovando o impeachment.

Estratégia de defesa

Dilma, nos próximos dias, manterá a estratégia de dizer que foi vítima de um golpe, mantendo mobilizada a sua militância.

Maratona
A presidente afastada prepara agora uma série de viagens pelo Brasil e pelo exterior para defender o seu mandato, enquanto o processo de impeachment é analisado pelos senadores, informa a BandNews FM.


Antonio-Anastasia-e-Raimundo-Lira.jpg

Ricardo Callado16/05/20166min
Antonio Anastasia e Raimundo Lira se encontram essa semana com o presidente do STF
Antonio Anastasia e Raimundo Lira se encontram essa semana com o presidente do STF

O afastamento da presidenta Dilma Rousseff do cargo, na última semana, não significa o fim do processo de impeachment, nem o encerramento dos trabalhos no Senado em relação ao assunto. A Comissão Especial do Impeachment voltará a se reunir nesta semana, já na condição de Comissão Processante, para começar a definir os próximos passos da ação contra a presidenta afastada.

Nesta terça-feira (17), o presidente da comissão, senador Raimundo Lira (PMDB-PB), e o relator do processo, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), se reunirão com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, e assessores jurídicos, para tomar conhecimento dos detalhes legais do procedimento a partir de agora.

Lewandowski assumiu, na última semana, a condição de presidente do processo contra Dilma, mas quem presidirá os trabalhos da comissão é Lira. Isso significa que o presidente do STF passará a ser a última instância recursal, para resolver dúvidas e questionamentos. Assim, em questões de ordem apresentadas pela base de apoio a Dilma, por exemplo, caso a resposta de Lira seja negativa, os senadores poderão recorrer a Lewandowski.

O presidente do Supremo já tem, inclusive, uma sala reservada no Senado, em caso de haver necessidade de despachar por lá. No entanto, ele já comunicou que pretende acompanhar os trabalhos da comissão a distância, de seu gabinete no STF. Lewandowski também já assinou seu primeiro ato como presidente do processo, o mandado de citação para que Dilma apresente defesa no prazo de 20 dias – que começou a contar na última quinta-feira (12).

O ato deu início à nova fase do processo, que também vai incluir a produção de provas, a tomada de depoimentos de testemunhas e debates entre defesa e acusação, tudo no âmbito da Comissão Processante – ela continua com a mesma formação de 21 membros que analisou, na primeira fase, a admissibilidade do processo.

Nesta nova fase, a presidenta afastada poderá prestar depoimento. Isso dependerá de os membros da comissão requererem e de ela aceitar. Dilma Rousseff não será obrigada a ir ao Senado, ela pode apenas ser convidada para prestar esclarecimentos, de acordo com o ministro Lewandowski. Ela pode ainda responder por escrito aos questionamentos dos senadores.

Por enquanto, no entanto, ainda não se sabe se haverá interesse da defesa ou da acusação na presença dela. Os primeiros requerimentos para a tomada de depoimentos só devem começar a ser apresentados a partir de quarta-feira (18), quando a comissão deve se reunir por completo pela primeira vez após a admissibilidade do processo e definir um plano de trabalho.

De acordo com o presidente Raimundo Lira, o colegiado terá prazo de 180 dias, enquanto a presidente está afastada, para concluir os trabalhos. Mas a intenção é que o relatório esteja pronto para ir ao plenário do Senado antes disso.

“Nós não pretendemos usar os 180 dias porque isso gera uma expectativa na população brasileira. Por outro lado, não vamos acelerar, nem encurtar o prazo, a ponto de prejudicar a ampla defesa da acusada”, explicou.

Ainda de acordo com Lira, não há previsão de que a comissão funcione de segunda a sexta-feira, como vinha ocorrendo na fase de admissibilidade. Em princípio, o colegiado deverá se encontrar nos dias de atividades no Senado, de terça a quinta-feira, mas isso também deve ser decidido coletivamente a partir desta semana.

Após todas as oitivas e análises de documentos, o relator deverá fazer um parecer com seu voto, admitindo ou não o crime de responsabilidade por parte da presidenta da República. Lewandowski já se manifestou contrário à hipótese de que a comissão e Anastasia analisem outros fatos estranhos ao que foi acatado pelo presidente da Câmara quando a denúncia começou a tramitar.

Assim, novos fatos que liguem a presidenta à Operação Lava Jato, por exemplo, devem ficar de fora do relatório que será apresentado por Anastasia. Ele deverá se ater às pedaladas fiscais e à edição de decretos de suplementação orçamentária irregulares.


analise-politica.png

Ricardo Callado12/05/20163min

analise politica

 

Por Ricardo Faria

O processo de impeachment que está em curso no país, nada mais é do que o triste resultado de um conjunto de erros cometidos pela presidente Dilma Rousseff e sua equipe. Não entremos na discussão se é ou não golpe, a analise a ser feita e a que cabe a nós, é a de buscar respostas que preencham as lacunas deixadas durante todos os momentos.

Ao ser acusada de “crime de responsabilidade fiscal” por “pedaladas fiscais”, ficou escancarado que erros graves na administração foram cometidos. Aumento do desemprego, alta da inflação e a perca de credibilidade junto ao mercado financeiro, abalaram as estruturas de um governo bombardeado pela Lava Jato. Diante disso, o agravamento do quadro econômico refletiu na frágil estrutura política brasileira.

A presidente viu-se abandonada por grande parte do PT. Mesmo que aqueles mais apaixonados neguem, a relação entre Dilma e os grandes caciques, seus companheiros de partido, já não era a mesma há muito tempo. Dilma segurava-se na força que o ex-presidente Lula ainda detém, e fazia questão de demonstrar, principalmente em aparições públicas.

Outro erro fatal cometido pela presidente afastada foi ao não manter um diálogo mais próximo com quem de fato sustenta o seu mandato, o Congresso Nacional. Não existe governo sem base de apoio, apoio esse que Dilma foi perdendo ao longo dos últimos tempos. E nenhum governo consegue estabilidade sem estar alinhado ao parlamento. Faltou a sensibilidade necessária na articulação entre o Planalto e o Congresso Nacional.

Com a expressiva votação pelo seu afastamento por até 180 dias no Senado, ficam quase nulas as chances de ocorra uma reviravolta. Ainda há luta, inglória, dura, porém valorosa, mas é fato que a recondução ao cargo é algo impensável no atual cenário político. Dilma caiu por incompetência política e administrativa. Dilma fracassou na administração e na política.

  • Ricardo Faria é jornalista, analista político e assessor parlamentar

senado.jpg

Ricardo Callado12/05/201624min
Plenário do Senado
Plenário do Senado

O plenário do Senado Federal aprovou, na madrugada desta quinta-feira (12), a instauração do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Com 78 senadores presentes, 55 votaram favoravelmente à continuidado do processo de impedimento, enquanto 22 votaram não. Apenas o presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), optou por não votar.

Antes da votação, realizada por meio de painel eletrônico, os senadores que se inscreveram tiveram a oportunidade de defender seus votos por até 15 minutos cada. Por isso, a sessão que teve início às 10h de quarta-feira, só se encerrou às 6h40 desta quinta (12), após o pronunciamento do Advogado Geral da União, José Eduardo Cardozo e da votação.

Diferentemente da Câmara, no plenário do Senado não houve orientação das lideranças anteriormente à votação.

Confira, abaixo, como votou cada senador:

SIM 55
NÃO 22
ABSTENÇÃO 1
FALTAM VOTAR 0
Senador(a) Partido UF Como votou
Acir Gurgacz PDT RO Sim
Aécio Neves PSDB MG Sim
Aloysio Nunes Ferreira
PSDB SP Sim
Alvaro Dias PV PR Sim
Ana Amélia PP RS Sim
Angela Portela PT RR Não
Antonio Anastasia PSDB MG Sim
Antônio Carlos Valadares
PSB SE Sim
Armando Monteiro PTB PE Não
Ataídes Oliveira PSDB TO Sim
Benedito de Lira PP AL Sim
Blairo Maggi PR MT Sim
Cássio Cunha Lima PSDB PB Sim
Ciro Nogueira PP PI Sim
Cristovam Buarque PPS DF Sim
Dalírio Beber PSDB SC Sim
Dário Berger PMDB SC Sim
Davi Alcolumbre DEM AP Sim
Donizeti Nogueira PT TO Não
Edison Lobão PMDB MA Sim
Eduardo Amorim PSC SE Sim
Eduardo Braga PMDB AM ausente
Elmano Férrer PTB PI Não
Eunício Oliveira PMDB CE Sim
Fátima Bezerra PT RN Não
Fernando Bezerra Coelho
PSB PE Sim
Fernando Collor PTC AL Sim
Flexa Ribeiro PSDB PA Sim
Garibaldi Alves Filho PMDB RN Sim
Gladson Cameli PP AC Sim
Gleisi Hoffmann PT PR Não
Helio Jose PMDB DF Sim
Humberto Costa PT PE Não
Ivo Cassol PP RO Sim
Jader Barbalho PMDB PA ausente
João Alberto Souza PMDB MA Não
João Capiberibe PSB AP Não
Jorge Viana PT AC Não
José Agripino DEM RN Sim
José Maranhão PMDB PB Sim
Jose Medeiros PSD MT Sim
José Pimentel PT CE Não
José Serra PSDB SP Sim
Lasier Martins PDT RS Sim
Lídice da Mata PSB BA Não
Lindbergh Farias PT RJ Não
Lúcia Vânia PSB GO Sim
Magno Malta PR ES Sim
Marcelo Crivella PRB RJ Sim
Maria do Carmo Alves
DEM SE Sim
Marta Suplicy PMDB SP Sim
Omar Aziz PSD AM Sim
Otto Alencar PSD BA Não
Paulo Bauer PSDB SC Sim
Paulo Paim PT RS Não
Paulo Rocha PT PA Não
Pedro Chaves
(suplente de Delcídio Amaral
cassado pelo Senado)
PSC MS não assumiu
Raimundo Lira PMDB PB Sim
Randolfe Rodrigues REDE AP Não
Regina Sousa PT PI Não
Reguffe
sem partido
DF Sim
Renan Calheiros PMDB AL abstenção
Ricardo Ferraço PSDB ES Sim
Roberto Requião PMDB PR Não
Roberto Rocha PSB MA Sim
Romario PSB RJ Sim
Romero Jucá PMDB RR Sim
Ronaldo Caiado DEM GO Sim
Rose de Freitas PMDB ES Sim
Sérgio Petecão PSD AC Sim
Simone Tebet PMDB MS Sim
Tasso Jereissati PSDB CE Sim
Telmário Mota PDT RR Não
Valdir Raupp PMDB RO Sim
Vanessa Grazziotin PC do B AM Não
Vicentinho Alves PR TO Sim
Waldemir Moka PMDB MS Sim
Walter Pinheiro
sem partido
BA Não
Wellington Fagundes
PR MT Sim
Wilder Morais PP GO Sim
Zezé Perrella PTB MG Sim

Levando-se em consideração o tamanho das bancadas e também os posicionamentos já previstos, o PMDB registrou o maior número de votos favoráveis ao impeachment, enquanto o PT foi o campeão de votos contrários ao processo na Casa.

Confira como votaram cada um dos partidos com representação no Senado:

como votaram os partidos

O maior número de votos a favor do impeachment foi registrado nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. Já contra sua admissibilidade, a região Nordeste também foi a que registrou a maioria dos votos. Já a menor quantidade de votos pelo impedimento foi somada no estado de Amazonas, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e Santa Catarina com um voto cada um.

Confira, aqui, como votaram os senadores de cada estado:

votação do impeachment por estado


dilma-jaques.jpg

Ricardo Callado12/05/20168min
Presidenta Dilma e o ministro Jaques Wagner observam movimento na Esplanada dos Ministérios pela janela do Palácio do Planalto Valter Campanato/Agência Brasil
Presidenta Dilma e o ministro Jaques Wagner observam movimento na Esplanada dos Ministérios pela janela do Palácio do Planalto Valter Campanato/Agência Brasil

O Senado aprovou, por 55 votos a favor e 22 contra, a admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Com isso, o processo será aberto no Senado e Dilma será afastada do cargo por até 180 dias, a partir da notificação. Os senadores votaram no painel eletrônico. Não houve abstenções. Estavam presentes 78 parlamentares, mas 77 votaram, já que o presidente da Casa, Renan Calheiros, se absteve.

Estiveram ausentes os senadores Jáder Barbalho (PMDB-PA), Eduardo Braga (PMDB-AM). Pedro Chaves dos Santos (PSC-MS), suplente do senador cassado Delcídio do Amaral, decidiu não assumir ainda o cargo.

A sessão para a votação durou mais de 20 horas. Durante o dia, dos 81 senadores, 69 discursaram apresentando seus motivos para acatar ou não a abertura de processo contra Dilma.

Comissão Especial

Com a aprovação de hoje, o processo volta para a Comissão Especial do Impeachment. A comissão começará a fase de instrução, coletando provas e ouvindo testemunhas de defesa e acusação sobre o caso. O objetivo será apurar se a presidenta cometeu crime de responsabilidade ao editar decretos com créditos suplementares mesmo após enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei para revisão da meta fiscal, alterando a previsão de superávit para déficit. A comissão também irá apurar se o fato de o governo não ter repassado aos bancos públicos, dentro do prazo previsto, os recursos referentes ao pagamento de programas sociais, com a cobrança de juros por parte das instituições financeiras, caracteriza uma operação de crédito. Em caso positivo, isso também é considerado crime de responsabilidade com punição de perda de mandato.

Um novo parecer, com base nos dados colhidos e na defesa, é elaborado em prazo de 10 dias pela comissão especial. O novo parecer é votado na comissão e, mais uma vez, independentemente do resultado, segue para plenário.

A comissão continuará sob comando do senador Raimundo Lira (PMDB-PB) e a relatoria com Antonio Anastasia (PSDB-MG)

Embora o Senado não tenha prazo para concluir a instrução processual e julgar em definitivo a presidenta, os membros da comissão pretendem retomar os trabalhos logo. A expectativa de Lira é que até sexta-feira (13) um rito da nova fase esteja definido, com um cronograma para os próximos passos.

Ele não sabe ainda se os senadores vão se reunir de segunda a sexta-feira, ou em dias específicos e nem se vão incluir na análise do processo outros fatos além dos que foram colocados na denúncia aceita pelo presidente da Câmara dos Deputados. A votação dos requerimentos para oitiva de testemunhas e juntada de documentos aos autos deve começar na próxima semana.

Presidente do STF

Na nova etapa, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, passa a ser o presidente do processo, sendo também a última instância de recursos na Comissão Processante. “O processo volta para a comissão, sendo que a instância máxima será o presidente do STF. Se houver alguma questão de ordem que eu indeferir, o recurso será apresentado a ele. Ele passa a ser o presidente do julgamento do impeachment”, explicou o presidente da comissão, senador Raimundo Lira (PMDB-PB).

Afastamento

Com a abertura do processo no Senado, Dilma Rousseff é afastada do exercício do cargo por até 180 dias. A presidenta poderá apresentar defesa em até 20 dias. O vice-presidente Michel Temer assume o comando do Executivo até o encerramento do processo. A comissão pode interrogar a presidenta, que pode não comparecer ou não responder às perguntas formuladas.

Intervenção

Há a possibilidade de intervenção processual dos denunciantes e do denunciado. Ao fim, defesa e acusação têm prazo de 15 dias para alegações finais escritas.

Segunda votação em plenário

Depois que a comissão votar o novo parecer, o documento é lido em plenário, publicado no Diário do Senado e, em 48 horas, incluído na ordem do dia e votado pelos senadores. Para iniciar a sessão são necessários mais da metade dos senadores (41 de 81). Para aprovação, o quórum mínimo é de mais da metade dos presentes.

Recursos

A presidente da República e os denunciantes são notificados da decisão (rejeição ou aprovação). Cabe recurso para o presidente do Supremo Tribunal Federal contra deliberações da Comissão Especial em qualquer fase do procedimento.

Decisão final

A votação no Senado, desta vez, é comandada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski.

Na votação final no Senado, os parlamentares votam sim ou não ao questionamento do presidente do STF, que perguntará se Dilma Rousseff cometeu crime de responsabilidade no exercício do mandato.

As partes poderão comparecer pessoalmente ou por intermédio de seus procuradores à votação. Para iniciar a sessão é necessário quórum de 41 dos 81 senadores. Para aprovar oimpeachment é preciso maioria qualificada, ou seja, são exigidos votos de dois terços dos senadores presentes. Se estiverem os 81, esse mínimo é 54.

Se o parecer for rejeitado, Dilma é absolvida, o processo é arquivado e ela reassume o cargo. Se for condenada, Dilma é destituída e fica inabilitada para exercer função pública por oito anos. Michel Temer, então, assume a presidência do país até o final do mandato.


rojao-petistas.jpg

Ricardo Callado12/05/20169min
Manifestante dispara rojão contra barreira de policiais próximo ao Congresso Nacional durante votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado (Foto: TV Globo/Reprodução)
Manifestante dispara rojão contra barreira de policiais próximo ao Congresso Nacional durante votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado (Foto: TV Globo/Reprodução)

Manifestantes acompanhavam sessão do Senado que vota afastamento. Um homem foi detido; confronto ocorreu nas proximidades do Congresso

Por Raquel Morais e Gabriel Luiz, do G1 DF – Manifestantes pró-governo entraram em confronto com policiais militares na noite desta quarta-feira (11) em Brasília enquanto acompanhavam a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado. Eles atiraram rojões, pedras, bolinhas de gude, copos cheios e garrafas contra o cordão montado nas proximidades do Congresso Nacional. A PM reagiu com spray de pimenta três vezes, e um homem foi encaminhado para a delegacia.

Duas manifestantes passaram mal por causa do gás, de acordo com a organização do movimento, e foram transportadas de maca para atendimento médico. Os militantes xingaram os policiais e disseram que eles defendem a ditadura. Eles estavam com um carro de som.

Um grupo chamou os militares de “fascistas” e gritou pedindo o fim da corporação. “A PM está sempre agressiva. A PM só sabe bater em mulher. As mulheres estavam manifestando, e jogaram spray nelas”, afirmou o agricultor Ronito Joaquim.

Mesmo com previsão para a votação só começar às 2h desta quinta-feira (12), os grupos já se concentravam nas proximidades do Congresso Nacional às 18h. De acordo com a Polícia Militar, havia 5 mil pessoas – 4 mil pró-governo – na Esplanada dos Ministérios. O trânsito na região foi bloqueado.

Assim como no pleito na Câmara Federal, os grupos ficaram divididos por um muro de um quilômetro de extensão a partir da Rodoviária do Plano Piloto. A partir do terminal, policiais militares revistavam manifestantes à procura de pedaços de pau, fogos de artifício e bonecos infláveis. Havia fila no local, e os grupos reclamavam da espera para ter acesso à Esplanada. Os PMs chegaram a jogar spray de pimenta contra pessoas “ansiosas” em passar pelo cordão.

Além disso, policiais direcionavam as pessoas: os contra a saída de Dilma se concentraram do lado do Teatro Nacional, com acesso liberado até as proximidades do Ministério da Justiça; os a favor do impedimento transitavam pelos arredores da Catedral Metropolitana e do Ministério da Saúde.

A marcha dos grupos pró-governo começou às 17h. Indígenas e integrantes de movimentos sociais partiram do estacionamento do Estádio Mané Garrincha ocupando duas faixas do Eixo Monumental. A caminhada de cerca de quatro quilômetros se deu aos sons de “Não vai ter golpe” e com palavras de ordem contrárias ao vice-presidente Michel Temer, que assume o Executivo caso o afastamento de Dilma seja aprovado.

O diretor da Central Única dos Trabalhadores de Brasília (CUT) Julimar Roberto afirmou que 50 ônibus – com cerca de 2,5 mil pessoas – estão vindo de todo DF e Entorno para participar da manifestação nesta quarta.

“Ao que tudo indica, o Senado irá votar a favor do relatório. Apesar disso, estamos com um sentimento positivo quanto à mobilização que atingimos. Nós conseguimos transmitir a realidade dos fatos e as injustiças. Mesmo com o resultado do afastamento, teremos 180 dias para continuar todo trabalho de mobilização.”

A caminhada dos manifestantes a favor do impeachment, que até então estavam concentrados no Parque da Cidade, começou mais tarde. Antes da descida, eles receberam a viúva do coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, que foi chefe do DOI-Codi do II Exército, em São Paulo, órgão de repressão política durante a ditadura militar – citado pelo deputado Jair Bolsonaro (PSC-SP) na votação na Câmara.

Joselita se negou a falar com a imprensa, mas tirou fotos e distribuiu autógrafos no local. Ela esteve acompanhada de um grupo de paraquedistas do Rio de Janeiro, que se vestiam de preto e empunhavam uma bandeira do Brasil.

Morador de Belém (PA), o administrador de empresas Mário Montana conta que chegou à capital na última sexta-feira. Ele demonstrou receio quanto à possibilidade de confrontos após a votação. “Viemos protestar da forma mais pacífica possível. Acreditamos que hoje será o início de uma mudança”, disse. “Estamos com medo. Já passamos até por uma situação que atiraram um coquetel Molotov em um grupo, nós não queremos enfrentamento.”

A corretora de imóveis carioca Marta Santos, de 60 anos, está em Brasília desde 17 de abril. Ela disse que o impeachment “é legítimo e democrático, d está sendo feito por pessoas que estão comprometidas.” Segundo ela, uma intervenção federal é necessária.

Os grupos não chegaram a entrar em confronto, mas houve troca de ofensas. Um homem a favor do impeachment fez sinais com os dedos para mulheres pró-Dilma na altura do Setor Hoteleiro. Elas responderam com gritos de “machistas” e “golpistas não passarão” e chegaram a correr atrás dele.

Já na rodoviária, um motorista deu sinal com os dedos para os manifestantes pró-governo. O grupo reagiu jogando uma garrafinha na direção do carro. Um dos militantes chegou a partir para cima do homem, mas foi contido por uma policial militar.

Cerca de 1,5 mil policiais militares fazem a segurança na Esplanada nesta quarta-feira. Segundo o governo do DF, 150 policiais civis vão atuar durante o processo. Haverá reforço na 5ª DP, na Asa Norte, delegacia que atende as ocorrências da Esplanada dos Ministérios. O GDF vai destacar 160 bombeiros, 44 agentes de trânsito e dez servidores operacionais.

O muro que divide os manifestantes pró e contra o impeachment no gramado da Esplanada foi erguido entre a Catedral e o Congresso. O mesmo esquema foi adotado durante a votação do processo na Câmara Federal.

Favoráveis ao afastamento da presidente ficam ao lado esquerdo do Congresso e se concentram perto do Teatro Nacional. Manifestantes pró-impeachment ficam ao lado direito, com concentração no Museu da República.

Máscaras, lenços, bandanas e outros adereços que escondam o rosto estão proibidos. O mesmo vale para objetos cortantes e fogos de artifício. Não será permitida a venda de bebidas alcoólicas no local.

Os participantes só poderão ficar até a Alameda dos Estados. O espaço entre a Praça dos Três Poderes, o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal, o Palácio do Planalto, o Itamaraty e o Ministério da Justiça será restrito para as forças de segurança.



Ricardo Callado11/05/20164min

palacio do planalto

Enquanto a equipe de apoio da Presidência da República se preparava para participar da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, um dos coordenadores agradeceu aos funcionários que trabalharam durante anos com ele e disse que poderiam estar se deslocando naquele momento para seu último evento juntos, já que ele é um servidor com cargo comissionado e possivelmente não continuará à frente do grupo a partir dos próximos dias.

Entre conformados e indignados, servidores do Palácio do Planalto estão há dias se preparando para a troca temporária de governo que pode ocorrer nestes dias, quando os senadores votarão o parecer favorável à continuidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Desde o último dia 17 de abril, quando a Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade do processo, as primeiras gavetas de salas e gabinetes começaram a ser esvaziadas.

Novo emprego

Há algumas semanas, as conversas sobre a necessidade de buscar um novo emprego começaram a circular pelos corredores. Mesmo os funcionários concursados de outros órgãos, que são cedidos para a Presidência, especulam se seria uma boa solução retornar ao setor de origem, pedir demissão por convicções políticas ou permanecer em seus postos à espera da chegada dos assessores de Michel Temer, vice-presidente que deverá assumir o poder com o afastamento de Dilma.

“Estou há 34 anos aqui. Se me tirarem, vou para casa”, disse um funcionário, comunicando que já tem tempo necessário para se aposentar e não deixou até hoje o posto porque não quer deixar de trabalhar. Desanimada, outra servidora informou que, para tentar manter o foco no trabalho, procura não pensar muito no que virá nos próximos dias e que, por enquanto, está “vivendo até o último momento”.

Discursos

Entre uma cobertura jornalística e outra, assessores aproveitaram o contato com repórteres para indagar se tinham informação sobre como seriam as primeiras movimentações de Temer na montagem da equipe e possível enxugamento de cargos.

No quarto andar do Palácio do Planalto, por onde circulam ministros de Estado, uma funcionária gritou nesta terça-feira (10) com uma jornalista dizendo que esta já tinha feito o “serviço” e que voltasse ao local na próxima quinta-feira (12), sinalizando que a imprensa teve papel fundamental no processo de impeachment e que na quinta já haveria um novo governo.

Na sexta-feira (6), em um discurso simbólico para o momento que vive, a presidenta Dilma Rousseff disse que ficará “muito triste” e com o “coração partido” por não ver a transposição do Rio São Francisco ser inaugurada, uma das obras mais polêmicas e grandiosas dos governos petistas. Hoje, durante evento com as mulheres, Dilma afirmou que não está cansada de lutar.


Teori.jpeg

Ricardo Callado11/05/20162min

Teori

POR ANDRÉA DUTRA

O governo joga sua última carta. Tenta impedir o impeachment da presidente Dilma no Judiciário. O Supremo Tribunal Federal novamente dará a decisão final. O governo e o PT sempre apostaram muito no STF. Afinal, dos 11 ministros, 8 devem seus cargos a Dilma e ao ex-presidente Lula. E esperam que eles retribuam,

O Brasil está nas mãos do ministro Teori Zavascki. Ele será o relator do mandado de segurança, impetrado nesta terça-feira (10) pela Advocacia-Geral da União.

E pede que seja suspensa a validade da autorização concedida pela Câmara dos Deputados para abertura de processo de impeachment por crime de responsabilidade contra a presidenta Dilma Rousseff.

A escolha foi feita por sorteio. Mas talvez por um acaso do destino, caiu nas mãos de Teori. É ele que conduz a operação Lava Jato no STF, o maior caso de corrupção já registrado mundialmente.

Hoje à tarde, o advogado-geral da União ingressou com o mandado de segurança sob o argumento de que o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aceitou a denúncia contra Dilma em “desvio de finalidade”.

Na terça-feira passada, o STF afastou Cunha do mandato de deputado federal e da Presidência da Câmara.

O País está preparado para mudanças. Se Teori resolver retribuir o “favor” ao PT por está no Supremo, será uma grita geral. Uma desmoralização do Supremo. Uma desmoralização para o Brasil.

Se bem que a imagem do País não está, lá essas coisas todas lá fora. E do atual Supremo pode se esperar tudo. Estamos numa encruzilhada: ou seguimos a Argentina, ou viramos uma Venezuela.


dilma-temer-posse.jpg

Ricardo Callado10/05/20162min

dilma temer posse

DO PORTAL NBN BRASIL

Ao ser notificada da decisão do Senado, a presidente Dilma Rousseff pretende descer a rampa do Palácio do Planalto acompanhada de movimentos sociais.

A expectativa da equipe presidencial é que cerca de 10 mil apoiadores, convocados pela Frente Brasil Popular, participem do ato. Dilma pretende fazer um discurso, na ocasião, reafirmando que é vítima de um golpe.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou em Brasília no final da manhã desta terça-feira e vai almoçar com Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada.

Os dois devem discutir estratégias políticas e a conjuntura após o afastamento de Dilma pelo Senado nesta quarta-feira, que é dado como certo.

Pessoas próximas a Lula dizem que ele anda abatido com a derrocada do governo; com o fato de não ter conseguido virar votos na Câmara a favor de Dilma; e com a denúncia oferecida contra ele, pela Procuradoria Geral da República, no inquérito que investiga se houve tentativa de comprar o silêncio e evitar a delação de ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.


waldir-revoga.jpg

Ricardo Callado10/05/20163min
Waldir Maranhão revoga sua própria decisão de anular sessões do impeachment (Foto: Reprodução)
Waldir Maranhão revoga sua própria decisão de anular sessões do impeachment (Foto: Reprodução)

Ele também comunicou o presidente do Senado, Renan Calheiros, sobre a revogação de sua decisão

Por Murilo Ramos, do Expresso Epoca – O presidente em exercício da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão, revogou decisão proferida por ele na manhã da segunda-feira (9) em que anulava as sessões do “plenário da Câmara dos Deputados ocorridas nos dias 15,16 e 17 de abril nas quais se deliberou sobre a denúncia por crime de responsabilidade” da presidente Dilma Rousseff. EXPRESSO teve acesso com exclusividade ao documento. Maranhão também assinou um ofício direcionado ao presidente do Senado, Renan Calheiros, em que comunica a revogação de sua decisão, que anulava o trâmite do processo na Câmara dos Deputados.
Waldir Maranhão comunica Renan Calheiros sobre revogação (Foto: Reprodução)
Waldir Maranhão comunica Renan Calheiros sobre revogação (Foto: Reprodução)

Mais cedo, Renan classificou o ato de Maranhão como uma “brincadeira com a democracia”. Diante da revogação, Renan não deverá ter problemas para autorizar a sessão que vai deliberar sobre o afastamento da presidente Dilma Rousseff, marcada para quarta-feira (11).



Sobre o Blog

Com 15 de existência, o Blog do Callado é um veículo consolidado, admirado por seus leitores e em sintonia com o público alvo: a população brasiliense. O blog é um site de opiniões e notícias com atualização diária, sem cunho ideológico. Dedica-se a oferecer aprimoramento da informação, com uma audiência qualificada.


NOS BASTIDORES DA CAIXA DE PANDORA

Pandora




Mídias Sociais

Twitter do Blog


FANPAGE Facebook

Social LikeBox & Feed plugin Powered By Weblizar



Parcerias