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Saúde digital: como a tecnologia vai beneficiar pacientes do DF

Ricardo Callado16/09/201910min

Plano Estratégico do GDF prevê adoção de soluções avançadas em gestão de pessoas, cobertura vacinal e agendamento de consultas. Gestão de hospitais também será melhorada

Por Ian Ferraz

O Governo do Distrito Federal planeja informatizar 100% os processos de gestão da rede pública de saúde. Para atingir esse objetivo – uma real transformação digital-, o GDF estabeleceu uma série de metas a serem cumpridas nos próximos anos. Elas fazem parte do Plano Estratégico, conjunto de ações pensadas para as próximas décadas.

Para esse resultado-chave se tornar real, e assim tornar a saúde no DF o mais digital possível, o governo irá adotar soluções tecnológicas que alcancem áreas como os Recursos Humanos, cobertura vacinal, agendamento de consultas e, claro, o sistema de gestão em saúde (atenção primária, ambulatorial e hospitalar). Esse trabalho está sendo feito em conjunto pela Secretaria de Saúde e o Instituto de Saúde (Iges-DF).

Dentro do Hospital de Base, a maior unidade pública de saúde de Brasília (gerida pelo Iges-DF), a tecnologia começa no atendimento ao usuário. Em funcionamento desde o final de agosto, o sistema de prontuário eletrônico Soul MV trouxe avanços rapidamente.

Utilizado em substituição ao Trakcare, o Soul MV permite a integração de todos os processos hospitalares. E gerencia informações clínicas, assistenciais, administrativas, financeiras e estratégicas – e, em breve, será espalhado para as outras unidades controladas pelo Instituto. A previsão é de que em outubro o software chegue à Unidade de Pronto Atendimento de Ceilândia para, em seguida, ser levada aos outros centros hospitalares.

Você não consegue gerenciar o que não consegue medir. Agora isso mudouMarcos Flávio de Souza, superintendente de Tecnologia da Informação do Iges-DF

Ao informar aos médicos e gestores quanto tempo um paciente levou para ser assistido, o quanto foi gasto em procedimentos, qual lote de medicação ele usou – entre outras informações -, o software permite ao hospital economia e maior controle de dados.

“Tudo que acontece dentro do Base está a nossos olhos”, diz o superintendente de Tecnologia da Informação do Iges-DF, Marcos Flávio de Souza. “Sua utilização não tem preço que pague, e é ótimo para a população. Você consegue gerir melhor a verba pública e o que ocorre aqui dentro”, explica.

E esse entendimento é compartilhado por quem utiliza as instalações do HBB. Em tratamento de um câncer no abdômen desde 2015, a auxiliar-administrativo Etelvina Mônica elogia o atendimento. “Está mais tranquilo e humano. O tempo de espera melhorou muito”, assegura.

Quem está no dia-a-dia do Base também vê e acredita na evolução. “Tudo que vem para mudar exige paciência. Quando cheguei nesse hospital, há quase 30 anos, o meu sonho era ver exatamente o que está acontecendo agora com a implantação desse sistema. Hoje vejo o Base informatizado, caminhando para a evolução e o futuro”, aponta Vera Lúcia Bezerra da Silva, a Verinha, voluntária da Rede Feminina de Combate ao Câncer e que trabalha no Base.

Verinha, voluntária no combate ao câncer: “Quando cheguei, há 30 anos, meu sonho era ver exatamente isso” – Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Ainda na esteira de realizações do Hospital de Base pela transformação digital, 416 novos computadores foram adquiridos. Eles serão utilizados para análise de exames de imagens, monitoramento de pacientes pela equipe de enfermagem, processamento de dados referente ao hospital, entre outras atividades.

Outra novidade é a Unidade de Telemedicina, equipada com sistema completo para videoconferência. A metodologia moderna permite aos profissionais de saúde discutirem casos clínicos remotamente com outras instituições no país, bem como ingressarem em uma rede nacional de ensino e pesquisa.

Parceria com a Fiocruz

Dentro da Secretaria de Saúde, uma parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tem feito sucesso. A Sala de Situação foi criada com ferramentas de Tecnologia da Informação e Comunicação para troca de conhecimento entre instituições públicas. São gráficos, tabelas, mapas, documentos e relatórios disponibilizados que abrem as janelas da saúde pública e permitem tomadas de decisões e aumentam a transparência dentro da Saúde.

“Temos o uso de tecnologia da informação, um big data para transformar tudo em informação útil para o gestor e o usuário o que colhemos aqui”, diz Sérgio Gaudêncio, assessor de Gestão de Projetos da secretaria. “Tudo isso caminha para o usuário saber que a fila de espera está organizada e transparente. As construções tecnológicas vêm para simplificar o acesso à saúde”, aposta ele.

Arte: Édipo Torres/Agência Brasília

Em junho, a pasta assinou um convênio de cooperação técnica com a Fiocruz para que os serviços da Atenção Primária à Saúde, a porta de entrada dos cidadãos na rede de atendimento, sejam aprimorados com métodos inovadores e de avaliação. Isso significa que a Fiocruz, a Secretaria de Saúde e a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec) vão trabalhar o monitoramento e avaliação da Atenção Primária, a formação e a divulgação científica.


Ação estratégica

Outras metas para a saúde digital no DF

 Consolidação do Sistema de Monitoramento e Avaliação em Saúde do SUS/DF, como solução de gestão inteligente, colegiada e compartilhada, para coordenar ações relevantes na saúde e para subsidiar a tomada de decisão – Sala de Situação de Saúde, Sistema Estratégico de Planejamento (Sesplan), Reuniões de Análise de Resultados e do Colegiado de Gestão da SES

 Disponibilização de soluções tecnológicas para atuação das equipes de campo, para aumento da produtividade, plena utilização dos processos informatizados e confiabilidade das informações

 Implementação de sistema de controle e monitoramento dos processos de regulação de oferta de consultas, internações e atendimentos de urgência e emergências

 Implantação de solução tecnológica para dimensionamento e otimização dos recursos humanos com ampliação da produtividade

 Implantação de solução tecnológica de controle da cobertura vacinal (aptos a suportar campanhas de vacinação tradicionais e em situações de crises epidêmicas)

 Implantação do serviço de agendamento de consultas via telefone, internet ou aplicativos disponibilizados para celular, facilitando acesso do usuário à atenção primária de saúde

 Criação de aplicativo com área de abrangência das UBS e carteira de serviços, voltado à população e profissionais de saúde

 Implantação de sistema de gestão em saúde (atenção primária, ambulatorial e hospitalar)

Ricardo Callado

Jornalista, blogueiro, escritor e consultor político. Exerceu a função de secretário de Comunicação Social do Governo do Distrito Federal. Foi Diretor de Redação do Grupo Comunidade de Comunicação – responsável pelos jornais da Comunidade e O Coletivo. É autor do livro PANDORA – e outros fatos que abalaram a política de Brasília.


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