Quando as regras não existem

Ricardo Callado30/11/20199min

Por Lucia Moyses

Rogério é um homem extremamente charmoso e sedutor. Ele não é necessariamente bonito, mas sabe o que dizer para seduzir uma mulher. Ele é agradável, inteligente, carismático e persuasivo. Cavalheiro, atencioso, engraçado. O homem perfeito. Será? Por trás de sua delicadeza, por trás de sua sedução, esconde-se um homem frio, calculista, que por onde passa causa destruição. Mulheres que cometem o erro de se apaixonar por ele perdem todo o seu dinheiro e sua autoestima. Colegas são traídos e amantes são lesadas. Mas mulheres podem ser psicopatas também e causarem tanto prejuízo material e emocional quanto os homens.

O psicopata, ao contrário do que se acredita, não é necessariamente um assassino. Há registros de psicopatas assassinos famosos na história, mas há inúmeros casos que passam despercebidos, pois não envolvem grandes crimes. No entanto, não se enganem. Todo psicopata causa sofrimento e ruína, ainda que seus atos não sejam ilegais. Eles são os indivíduos mais destrutivos e emocionalmente prejudiciais em nossa sociedade e pouquíssimas pessoas, se é que há alguma, saem ilesas depois de um contato com um psicopata.

O que é a psicopatia

Psicopatia, também conhecida como Transtorno de Personalidade Antissocial (TPA), é um distúrbio mental grave caracterizado por um desvio de caráter, ausência de sentimentos genuínos, frieza, insensibilidade aos sentimentos alheios, manipulação, egocentrismo, falta de remorso e culpa para atos cruéis e inflexibilidade com castigos e punições.

O psicopata sabe a diferença entre o certo e o errado, porém não se importa. Sua única preocupação é a de não ser pego e punido. Estima-se que 4% da população mundial sejam de psicopatas, porém, apenas 1% cometem assassinatos ou delitos graves. O indivíduo com TPA é excessivamente egoísta, imprevisível, megalomaníaco, solitário, podendo se mostrar extremamente desagradável quando não consegue o que deseja. Não respeita as regras sociais e é incapaz de amar. Sua comunicação verbal contém truques sintáticos e semânticos, de forma que eles sempre encontram uma saída quando se veem em situação de aperto. Seu argumento mais comum é que foi mal interpretado. Os indivíduos com TPA encontram-se entre os indivíduos mais interpessoalmente destrutivos e emocionalmente prejudiciais em nossa sociedade. Normalmente, a maioria dos problemas de um determinado transtorno é sofrida pelo indivíduo doente. No caso da psicopatia, quem sofre são as pessoas que convivem em torno do indivíduo perturbado.

Os sintomas

O sintoma mais importante no TPA é uma total ausência de ansiedade ou culpa. Não apresentam remorso ou qualquer consciência após fazer algo errado, inapropriado ou ilegal.

Outro sintoma é o hedonismo, ou seja, são pessoas que buscam o prazer a qualquer custo, tomando o que desejam, a hora que desejam, sem ligar para as consequências. Não conseguem adiar a gratificação e, portanto, agem de modo impulsivo.

A superficialidade de sentimentos é também um sintoma a ser considerado. São indivíduos sem apego emocional aos outros. São incapazes de sentir empatia. Podem até fazer juras de amor, verbalizar fortes sentimentos e comprometimentos, mas seu comportamento indica exatamente o contrário.

Normalmente são muito inteligentes e possuem habilidades verbais e sociais bem desenvolvidas, racionalizando frequentemente seu comportamento inapropriado, de modo que ele pareça razoável e justificável. Assim, são capazes de se livrar dos problemas por meio de uma conversa.

Um rapaz, três dias antes de se casar, teve seu caso com outra mulher descoberto pela noiva. Quando confrontado, com evidências irrefutáveis, o jovem professou seu amor inabalável pela noiva e prosseguiu explicando que só estava tentando testar seu amor por ela e por meio deste caso, descobriu que a amava muito. Tudo o que ele fez foi pelo bem da noiva e prometeu que nada semelhante jamais voltaria a acontecer. Casaram-se e a mulher continuou sendo traída pelo marido que sempre tinha uma desculpa convincente para dar e um remorso fingido para convencer.

Indivíduos com TPA são incapazes de se beneficiar com a punição. Fazem de tudo para evitá-la, porém, quando são castigados, não parecem aprender a lição e continuam exercendo comportamentos inadequados sem culpa ou arrependimentos.

Outro sintoma importante é o engajamento em atividades perigosas e incivilizadas, puramente por diversão. Mentem e fazem intrigas com o único propósito de se divertirem e pela adrenalina de serem descobertos.

Não se deixe enganar

Pensar que o psicopata é um homem truculento, com cara de mau e um assassino sanguinolento é um engano terrível. Reconhecer um indivíduo com TPA é uma tarefa bem mais difícil do que se imagina. Estes predadores sociais estão em nosso meio, misturados, incógnitos. Podem trabalhar, estudar, se casar, ter filhos e agir como pessoas normais e quando finalmente percebemos quem são, eles já nos arruinaram.

Como a maior parte dos psicopatas não comete assassinatos, pode passar uma vida inteira sem ser descoberta ou diagnosticada. São charmosos, envolventes, inteligentes, de bom papo e com um poder de sedução impressionante.

A parte racional e cognitiva do psicopata não apresenta o menor distúrbio. Eles sabem o que estão fazendo. Conhecem a diferença entre o certo e o errado, mas não se importam. São perfeitos lobos em pele de cordeiro e conseguem convencer os mais desavisados e até os mais tarimbados de que são excelentes pessoas. Você provavelmente conhece um deles e ainda não percebeu.

O perigo

Estas pessoas frequentemente causam prejuízo emocional e financeiro aos que estão ao seu redor, mas como regra geral não participam de agressão física manifesta. No entanto, quando contrariados, podem se tornar agressivos e em alguns casos podem ferir ou matar.

Uma vez que indivíduos com TPA não apresentam nenhum dos sintomas tradicionais do comportamento anormal, como ansiedade, depressão, alucinações, eles frequentemente não são diagnosticados como apresentando um problema psicológico e, portanto, não são levados a um tratamento. Ainda que fossem levados, são pessoas difíceis ou impossíveis de tratar.

Ninguém sai ileso após o contato com um psicopata. Dessa forma, a melhor saída que se tem é ser capaz de reconhecê-los e se manter o mais longe possível deles.

Artigo assinado pela Lucia Moyses, psicóloga, neuropsicóloga e escritora. Lúcia lançou seu primeiro livro “Você me conhece?” em 2013 e o “E viveram felizes para sempre”, em 2015, ambos voltados para a psicologia. Em 2016, após se especializar em neuropsicologia, lançou os três primeiros livros da coleção DeZequilíbrios, uma série de 10 volumes onde cada um aborda um transtorno mental em forma de ficção, suspense e romance. Em 2018 lançou mais três livros da coleção “A Mulher do Vestido Azul”, “Não Me Toque” e “Um Copo de Veneno”.

Ricardo Callado

Jornalista, blogueiro, escritor e consultor político. Exerceu a função de secretário de Comunicação Social do Governo do Distrito Federal. Foi Diretor de Redação do Grupo Comunidade de Comunicação – responsável pelos jornais da Comunidade e O Coletivo. É autor do livro PANDORA – e outros fatos que abalaram a política de Brasília.


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