Presos em ressocialização vão produzir 30 mil máscaras por semana

29 de março de 2020

Inicialmente, 40 detentos serão responsáveis pela confecção desses itens, dentro da oficina de costura para qualificação profissional. Secretaria de Saúde verifica qualidade e valida peça – que deve ser vendida, cada, a R$ 0,45

Por Jéssica Antunes

FIQUE EM CASAPara ajudar no combate à propagação do coronavírus, causador da Covid-19, detentos em ressocialização produzirão máscaras descartáveis dentro da oficina de profissionalização em costura. Inicialmente, 40 internos da Penitenciária do Distrito Federal I (PDF I) farão 30 mil itens por semana a partir de segunda-feira (30). O material já teve a qualidade aprovada.

A oficina de costura será voltada para a produção dos materiais – apenas adequando-se o uso do maquinário já existente e a expertise de detentos. É um projeto da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap) em parceria com empresas do Sistema S para profissionalizar esse público.

Diretora-executiva da Funap, Deuselita Martins esclarece que já há contrato com uma empresa que trabalha com a costura industrial dentro dos presídios, que se mostrou interessada na fabricação das máscaras. Já há dificuldade em adquirir o material no mercado. Dependendo da demanda, a produção pode se estender à Penitenciária Feminina e ao Centro de Internamento e Reeducação (CIR-Papuda).

Qualidade atestada

“Pegamos um modelo dessa máscara, vimos que há relatório da Anvisa autorizando a confecção e, por precaução, o levamos à Secretaria de Saúde para validar e verificar se ela se compara às do mercado. O material foi aprovado”, conta a secretária de Justiça e Cidadania (Sejus), Marcela Passamani.

“Além de contribuir para a ressocialização do preso, a iniciativa atende a uma demanda de mercado e significa união para benefício de toda a sociedade”, diz a titular da pasta. A ideia é que a Sejus compre, de forma direta, parte da produção semanal para abastecer unidades socioeducativas e terapêuticas.

Outros órgãos e entidades públicos e privados poderão adquirir os itens vendidos abaixo do preço encontrado no mercado. A previsão é que cada máscara seja vendida a R$ 0,45. “É uma oportunidade ímpar de fazer o bem, poder valorizar esse tipo de serviço de qualificação de trabalho que muda perspectiva dos presos – e com critérios de segurança e qualidade atestados”, aponta Passamani.

Cuidados para evitar a chegada do novo coronavírus ao Sistema Penitenciário do Distrito Federal são tomados desde antes do primeiro diagnóstico de Covid-19 na capital. Visitas foram suspensas, novos detentos com sintomas são segregados e a produção das máscaras também será cautelosa.

Qualificação para ressocialização

A Funap trabalha pela inclusão e reintegração social das pessoas presas e egressas do sistema prisional, desenvolvendo seus potenciais como indivíduos, cidadãos e profissionais. A cada três dias trabalhados, os detentos têm um dia de perdão de pena. Eles ainda recebem bolsa ressocialização equivalente a 3/4 de um salário mínimo.

“É um processo importante de forma que dâ perspectiva, esperança, oportunidades e autoestima a essas pessoas, até para evitar casos de reincidência. Nesse momento delicado, esse público acaba se sentindo importante para a sociedade”, observa a titular da Sejus.

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