Parece miopia ou astigmatismo, mas é ceratocone

Ricardo Callado15/03/20194min

Doença silenciosa nos olhos pode levar à cegueira sem o diagnóstico correto

É comum pessoas com ceratocone, doença que provoca deformidade e afinamento na córnea, desconhecerem ter o distúrbio, pois seus sintomas se confundem com os da miopia e do astigmatismo. A suspeita do ceratocone começa quando o paciente apresenta queixa de baixa visão e aumento progressivo do astigmatismo. A evolução da miopia muito rapidamente também é um forte indício. A doença é classificada em estágios inicial, moderado ou avançado e, sem o diagnóstico correto, pode levar à cegueira. Nos casos mais avançados, a única solução é o transplante de córnea.

De acordo com o oftalmologista Hilton Medeiros, da Clínica de Olhos Dr. João Eugenio, o diagnóstico definitivo desta patologia é feito com base nas características clínicas e com exames objetivos como a topografia corneana e a paquimetria ultrassônica. Segundo ele, as consultas de rotina ao oftalmologista são muito importantes, pois através delas é possível obter um diagnóstico precoce. “Atualmente, existem aparelhos capazes de detectar até estágios subclínicos, quando o paciente ainda não apresenta sintomas importantes”, esclarece.

Com o diagnóstico precoce é possível retardar a velocidade de progressão do ceratocone ou estabilizá-lo com o uso de óculos ou lentes de contato. Às vezes, mesmo com o uso de óculos e lentes é preciso fazer o crosslinking, uma técnica que consiste na ligação de colágeno da córnea com a riboflavina. O resultado deste processo é a criação de mais ligações no estroma, o que aumenta a resistência mecânica da córnea. Com isso, há menor chance de progressão do ceratocone.

Quando o ceratocone se encontra em estágio avançado, somente técnicas cirúrgicas resolvem,  como o implante de segmentos de anel corneano (anel intra-estromal) ou o transplante de córnea. No caso do implante, o procedimento pode ser realizado no ambulatório com anestesia local e oferece o benefício de ser reversível e potencialmente substituível, uma vez que não envolve a remoção de tecido ocular. No caso do transplante, a cirurgia dura em média 40 minutos, e como a córnea é um tecido sem vasos sanguíneos não há sangramento. Em virtude disso, os problemas de rejeição são menores.

A causa exata do ceratocone ainda permanece desconhecida. Porém sabe-se que há propensão genética e que alguns fatores externos atuam acelerando a progressão da doença, como traumas repetitivos durante o hábito de coçar os olhos cronicamente. Acredita-se também que a infecção por alguns vírus possa desencadear reações imunológicas capazes de estimular o distúrbio.

Ricardo Callado

Jornalista, blogueiro, escritor e consultor político. Exerceu a função de secretário de Comunicação Social do Governo do Distrito Federal. Foi Diretor de Redação do Grupo Comunidade de Comunicação – responsável pelos jornais da Comunidade e O Coletivo. É autor do livro PANDORA – e outros fatos que abalaram a política de Brasília.


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