Pais de alunos acusam comandante da PM de tentar acabar com o Colégio Militar

Ricardo Callado10/06/20196min

Um grupo de pais de alunos do Colégio Militar Tiradentes, da Polícia Militar do Distrito Federal, se mobiliza para protestar contra o corte na estrutura logística da escola com a transferência de 28 policiais do quadro de organização. Os militares trabalhavam no auxílio aos professores e eram responsáveis pela manutenção da disciplina entre os quase 900 alunos do Colégio

Por Toni Duarte//RADAR-DF

Pais de alunos do Colégio Militar Tiradentes, pertencente a Polícia Militar do Distrito Federal, reagiram contra a medida adotada pelo Comando Geral da PM que atinge e fere de morte uma das mais destacadas escolas militares do DF.

Os pais de alunos estão se mobilizando, por meio dos grupos de whatsapp e pelas redes sociais para pedirem ajuda ao governador Ibaneis Rocha no sentido de que  sejam mantidos os profissionais responsáveis pela manutenção das regras disciplinares entre os alunos da Escola.

Segundo pais e mestres, a comandante-geral Sheyla Sampaio (foto) está indo na contramão da política educacional do governo Ibaneis, que acertadamente implantou o sistema disciplinar militar nas escolas públicas do DF.

“Ao transferir os policiais monitores que auxiliam os professores nessa tarefa, o Comando-Geral afeta a base disciplinar, um dos pilares da instituição militar, e fere de morte a Escola Militar Tiradentes”, disse um militar da reserva, pai de aluno que pediu anonimato ao Radar-DF.

Ele também destacou que os militares transferidos são especializados em várias áreas do conhecimento tais como: professores PhD, psicólogos, psicopedagogos, ledores, transcritores, enfermeiros e auxiliares administrativos.

“Estamos falando aqui de muitos profissionais qualificados e com enorme conhecimento, experiência e dedicação nas atividades desenvolvidas. Isso não se adquire nem se substitui tão facilmente. Independente de civis ou militares, toda mudança abrupta poderá causar danos irreparáveis neste projeto que ainda está em grande fase de crescimento”, apontou uma mãe de aluno que também pediu para não ser identificada.

A medida tomada pela comandante-geral da PMDF pegou não só a direção da escola de surpresa, como os próprios alunos que ficaram sem o transporte escolar e terão que caminhar alguns quilômetros até o Colégio Militar Tiradentes, dado a sua localização onde não passa ônibus das linhas convencionais  no DF.

Os quatro ônibus que servem aos alunos  foram recolhidos.

Os pais de alunos se reuniram para expor as preocupações com as medidas tomadas pelo Comando-Geral e os impactos que estão afetando na estrutura da escola que tem seis anos de existência e que se tornou a segunda escola Militar do DF melhor pontuada no ranking de  desempenho medido pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

A maioria defende uma mobilização junto ao Palácio do Buriti para pedir ajuda diretamente ao governador Ibaneis Rocha que tem optado desde o início do seu governo pelo “modelo militar”, implantado em diversas  escolas da rede pública de ensino do DF.

Os pais alunos pedirão a Ibaneis que mande a coronel Sheyla Sampaio a manter os militares responsáveis pela área disciplinar no Colégio Militar.

O outro lado

A alegação da transferência dos 25 militares da escola seria em decorrência ao déficit de pessoal e que a PMDF terá que cumprir a sua área fim, que é a segurança e ordem pública.

O Comando-Geral também diz que nestas transferências apenas o quadro administrativo foi afetado e que nenhum professor regente foi tirado de sala de aula.

No entanto, deixou claro que há a possibilidade de ainda sair mais policiais militares do Colégio Militar se o Comando Geral entender ser necessário, mas apenas até o limite de não inviabilizar a qualidade geral da escola.

Quanto aos ônibus, a PMDF alegou  que são veículos antigos o que impacta muitos investimentos em manutenção e que a medida não irá parar as atividades pedagógicas do Colégio.

Ricardo Callado

Jornalista, blogueiro, escritor e consultor político. Exerceu a função de secretário de Comunicação Social do Governo do Distrito Federal. Foi Diretor de Redação do Grupo Comunidade de Comunicação – responsável pelos jornais da Comunidade e O Coletivo. É autor do livro PANDORA – e outros fatos que abalaram a política de Brasília.


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