OPINIÃO | A política do Distrito Federal e o que sobrará para 2018

Callado28 de abril de 201713min

Por Ricardo Callado


A eleição de 2018 no Distrito Federal será a teimosia de velhos personagens versus a ousadia de novos protagonistas. O antigo jeito de fazer política virá maquiado, em nova embalagem, mas a fórmula é mesma. O novo procura um discurso e, por enquanto, ensaia a negação da política.

Todos os atuais políticos podem ser colocados no mesmo balaio. Fazem a política tradicional, mesmo que de maneiras diferentes. Os rótulos de direita e esquerda existentes fazem parte do passado. Os dois lados precisam evoluir.

As duas vertentes polarizam tanto, que acabaram se assemelhando. E se misturaram. Difícil apontar hoje quem é de direita ou de esquerda. Os dois lados têm lados positivos e negativos. A corrupção é generalizada, mas felizmente existem aqueles que não se deixam contaminar.

Devemos ter três candidatos protagonistas disputando o Palácio do Buriti. Uns três figurantes, e francos atiradores.

Enquanto o governador Rodrigo Rollemberg buscará à reeleição, esquerda e direita buscam um rumo. Avaliam se a divisão mais ajuda ou atrapalha seus planos. O Judiciário faz a sua parte e limpa parte do terreno.

O palanque de Rollemberg não deve ser maior do que o de 2014. Nenhum candidato conseguirá formar grande coligações, como vistas em eleições anteriores. Será uma eleição rápida, fragmentada e com poucos recursos.

Entre os concorrentes aparecem Izaci Lucas, Joe Valle, Fraga, Alírio Neto, Rogério Rosso e Ibaneis Rocha.

 

CANDIDATOS A PROTAGONISTAS

 

Rodrigo Rollemberg (PSB)

Atual ocupante do Buriti tem a seu favor a máquina administrativa. Faz um governo seletivo, que ainda não empolga. Busca ampliar apoios, mas esbarra em questões ideológicas. Titubeia em decisões. Tenta escapar da armadilha herdada pelo antecessor, o petista Agnelo Queiroz. Mesmo com baixa popularidade, em pesquisas internas aparece embolado no pelotão da frente. Tem margem para reverter a situação, mas não será fácil. Em muitas áreas, mostra mudança de postura. Se não aglutinar, não conseguirá competitividade.

 

 

 

 

Izalci Lucas (PSDB)

Deputados federal e com bom trânsito na cúpula do tucanato nacional. Hoje é o nome da oposição melhor posicionado nas pesquisas. Aparece embolado com o governador em levantamentos internos. É a maior preocupação de Rollemberg devido, principalmente, a baixa rejeição do tucano. Sozinho não vai muito longe. O desafio é montar um grupo que dê viabilidade a sua candidatura.

 

 

 

 

 

 

Joe Valle (PDT )

Presidente da Câmara Legislativa, Joe é um político pragmático. Estuda cada passo, o que faz passar às vezes a imagem de político hesitante, cambaleante. É uma figura leve e que pode ser a grande novidade da disputa. Só sai se tiver certeza de uma candidatura viável. Não é aventureiro. Por enquanto, possui um grupo frágil e sem musculatura eleitoral. Pode atrair apoio da esquerda e do centro.

 

 

 

 

 

 

Alberto Fraga (DEM)

Deputado federal mais votado em 2014, após manter uma postura crítica ao governo Agnelo, Fraga é o tipo de político que dá o murro na mesa. Não foge do embate. Polêmico, pretende surfar na onda de presidenciável Jair Bolsonaro. Terá a mesma dificuldade de Izalci na montagem da coligação.

 

 

 

 

 

 

Ibaneis Rocha (sem partido)

Primeiro brasiliense a presidir a Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal, Ibaneis Rocha surge como a novidade na política da cidade. É o nome não-político que pode entrar na disputa. A sua aposta é no desgaste dos candidatos tradicionais e na apresentação de propostas modernas para a população.

 

 

 

 

 

 

Tadeu Filippelli (PMDB)

Assessor especial da Presidência da República, Tadeu Filippelli já esteve melhor posicionado. A citação do seu nome nas delações da empreiteira Odebrecht o fez caiu na bolsa de apostas. Os comentários de bastidor de que a delação de outra empreiteira, a Andrade Gutierrez, pode complicar ainda mais a sua situação, colocou a candidatura em banho-maria. Político bom de articulação, espera reverte esse quadro negativo para voltar a disputa. Por enquanto, oscila entre a lista de “candidatos a protagonistas” e os “não-candidatos”.

 

 

 

 

 

FRANCO-ATIRADORES

Alírio Neto (PTB)

Nos últimos meses muito tem se falado sobre uma candidatura do suplente de deputado Alírio Neto. Ele mesmo está empolgado com a ideia. E tem se mexido para que tudo não passe de um balão de ensaio. Vem explorando as redes sociais para se tornar mais popular. Vai precisar ainda de muito trabalho para ser candidato.

 

 

 

 

 

 

Rogério Rosso (PSD)

Ex-governador e atual deputado federal, Rogério Rosso espera os desdobramentos da Operação Lava Jato em Brasília, o posicionamento dos postulantes ao Buriti e a avaliação do governo Rollemberg. Se o cenário for favorável, pretende arriscar uma candidatura para retornar ao GDF. Se os fatores forem adversos, sai para o Senado.

 

 

 

 

 

 

Renato Rainha (sem partido)

Conselheiro do Tribunal de Contas do DF e ex-deputado distrital, o nome de Rainha é sempre lembrado nas listas de candidatos ao Buriti. Seu nome divide opiniões, indo desde a balão de ensaio até uma candidatura viável dependendo do cenário. Deve permanecer no TCDF por mais um tempo.

 

 

 

 

 

 

Eliana Pedrosa (sem partido)

A ex-deputada é conhecida por ser uma política habilidosa no bastidor. Teve boa atuação parlamentar na Câmara Legislativa e chegou a ser anunciada como candidata a vice-governadora em 2014. Acabou disputando uma cadeira na Câmara dos Deputados e mesmo com uma boa votação, ficou na suplência. Se não conseguir viabilizar seu nome, deve disputar novamente uma vaga na CLDF.

 

 

 

 

 

 

FIGURANTES

 

PT

Com o estrago feito pela Operação Lava Jato e a administração mal avaliada do ex-governador Agnelo Queiroz, o PT deve figurar nas eleições de 2018. Sem um nome competitivo ao GDF, vai apostar em candidaturas para as câmaras Legislativa e Federal. O partido deve focar mais em sua sobrevivência política do que pretensões maiores.

 

 

 

 

 

 

PSOL

A legenda deve novamente apresentar um candidato ao Palácio do Buriti. Ao contrário das eleições passadas, não deve vir com Toninho do Psol como cabeça de chapa. Com forte atuação dentro da Universidade de Brasília (UnB), deve procurar um nome acadêmico para a disputa ao Buriti.

 

 

 

 

 

 

OS NÃO CANDIDATOS

Arruda (sem partido)

O ex-governador José Roberto Arruda é um dos políticos mais competitivos. O seu cacife eleitoral não pode ser desprezado. A Operação Caixa de Pandora o tirou do governo em 2009 e impediu de ser candidato em 2014. Em 2018, a Lava Jato deve reforçar a sua aposentadoria política. Ainda é um bom cabo eleitoral, mas alguns candidatos preferem manter uma distância mais que protocolar. Arruda pode lançar a sua esposa, Flávia, para uma cadeira na Câmara dos Deputados.

 

 

 

 


Reguffe (sem partido)

Líder em todas as pesquisas para o Palácio do Buriti, José Antônio Reguffe é o nome a ser batido. Se quisesse, poderia se tornar governador nas próximas eleições. Refém de sua palavra, não vai disputar nenhum cargo enquanto não encerrar seu mandato no Senado Federal.

 

 

 

 

 

 

Jofran Frejat (PR)

Frejat está bem posicionado nas pesquisas devido ao recall da eleição de 2014, quando ficou em segundo lugar, perdendo para Rollemberg no 2º turno. Mesmo sendo um político experiente e de bom caráter, não vão deixar ele formar um grupo para disputar novamente o Buriti. Um bom nome para o Senado ou Câmara dos Deputados.

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