OPINIÃO | Como não sentir vergonha? E como não reagir?

Ricardo Callado30/06/20166min

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Por Ricardo Callado


Fraude em estatais. Fraude em fundos de pensão. Fraude em programas sociais. Fraude na Lei Rouanet. Fraude nas contas públicas. Fraude em empréstimo consignado.

Meu pai sempre me dizia: “O que vem do seu trabalho e suor, filho, jamais se vai, torna-se legado na vida, no caráter, e molda sua família no bem”.

A corrupção está entranhada. A cultura da corrupção nos deixa com vergonha, mas nos dá força para reagir, para se indignar.

Não existe bandido de um lado ou bandido de outro, bandido é bandido. Quem tem partido, fecha os olhos para a corrupção do companheiro e aponta o dedo para o adversário.

Se Lula estaria sendo investigado por chefiar uma organização criminosa, logo gritam: “E o Aécio”. E daí? A cadeia não tem ideologia, não tem lado, tem de ser para todos. O cidadão de bem, ao receber a notícia de que Aécio estaria envolvido em falcatrua não vai gritar: “E o Lula?”. Vai, sim, comemorar, que a justiça estaria sendo feita.

Investigados, quando têm cota de poder, tratarão de utilizá-la alegando perseguição política, mas isto ocorre de ambos os lados. Como ladrão de loja que culpa a câmera de segurança de lhe perseguir.

Corrupção não tem distinção de ideologia. Parece mais discurso para a opinião pública, quando o que vemos é que se está fazendo justiça.

Precisamos de juízes de verdade. Enquanto se grita contra projetos como “escola sem partido”, poderíamos também levantar a bandeira de um “Judiciário sem partido”, um “Supremo sem partido”.

O País não precisa mais passar por constrangimentos de ver bandidos que roubaram o dinheiro de mais de 800 mil servidores públicos endividados e velhinhos aposentados serem soltos da forma como estão, ao sabor da impunidade. Como não sentir vergonha? Como não reagir? É um desaforo com o povo.

Escândalos de corrupção estão por todo lado. Nos governos federal, estaduais, distrital e municipais. O país que queremos está sob nossa responsabilidade. Precisamos cobrar mais de nossos representantes o modelo que queremos.

No Distrito Federal, tivermos vários escândalos e assalto aos cofres públicos. Os mais recentes governos enfrentaram em maior ou menor intensidade denúncias. E isso não pode se tornar uma coisa banal.

O atual governo sofre críticas de todos os lados, mas vem passando ao largo de escândalos de corrupção. Para o bem de Brasília, que continue assim.

Rollemberg precisa mostrar resultados, e aceitar críticas, respondendo com ações positivas. Democracia é o jogo dos contrários. Com respeito às expressões, opiniões, manifestações e com respeito.

O futuro de Rollemberg é incerto. Não há favoritos para as eleições de 2018. Caso continue afastado da lama, pode se recuperar, mas precisa passar um sentimento de confiança no governo.

No primeiro ano, sucedendo governos marcados pela Caixa de Pandora e pelo apagão de gestão, tendo como marca o Mané Garrincha, monumento à incompetência, Rollemberg teve a oportunidade de passar sentimento de esperança. Não conseguiu, perdeu uma grande oportunidade. Sem esperança, é preciso buscar a confiança. Está posto o desafio.

Quanto à corrupção, acredito no país de amanhã. A sociedade precisa continuar mobilizada, criticar, exigir, colocar o discurso nas tubas de ressonância das ruas.

No futuro próximo, vejo o Brasil saindo mais saudável, mais limpo, mais ético depois dessa lavagem a jato que os organismos de controle e da justiça promovem.

O país terá a multiplicação de novos polos de poder: associações, sindicatos, núcleos, movimentos, grupos, frentes de todos os tipos nas ruas.

Novos polos também de informação, com as redes sociais e as novas mídias à frente. Quem conseguir enxergar isso pode se dar bem. O cidadão cansou de ser feito de bobo como promessas não cumpridas e roubo do dinheiro público.

Vamos acabar com a cultura da corrupção. Com a vergonha. E reagir.

 

Ricardo Callado

Jornalista, blogueiro, escritor e consultor político. Exerceu a função de secretário de Comunicação Social do Governo do Distrito Federal. Foi Diretor de Redação do Grupo Comunidade de Comunicação – responsável pelos jornais da Comunidade e O Coletivo. É autor do livro PANDORA – e outros fatos que abalaram a política de Brasília.


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