Arquivos Análise Política - Blog do Callado

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Ricardo Callado23/04/20185min

O mundo padece de síndrome da fadiga democrática. A pertinente observação é do escritor, jornalista e poeta belga David Van Reybrouck, para quem as Nações atravessam um momento de saturação em seus sistemas democráticos. Quais seriam os sintomas da síndrome? Vejamos alguns: apatia do eleitor, abstenção às urnas, instabilidade eleitoral, hemorragia dos partidos, impotência das administrações, penúria no recrutamento, desejo compulsivo de aparecer, febre eleitoral crônica, estresse midiático extenuante, desconfiança, indiferença e outras mazelas.

Arremata o belga: “a democracia tem um problema sério de legitimidade quando os eleitores não dão mais importância à coisa fundamental, o voto”. A análise está expressa no interessante livro Contra as Eleições, que acaba de ser traduzido aqui no Brasil. O nome do livro sinaliza para a hipótese levantada pelo autor de que, nesses tempos de populismos baseados no medo e na desconfiança generalizada das elites, é o caso de se abolir o processo eleitoral e voltar ao que ocorria há 3.000 anos de história da democracia, quando inexistiam eleições e os cargos se repartiam por meio de uma combinação de sorteios e ações voluntárias. Ou seja, quando a política era missão, não profissão como hoje.

O fato é que a democracia, como já escreveu de maneira densa e farta Norberto Bobbio, o grande cientista social e filósofo italiano, não tem cumprido as tarefas inerentes ao seu escopo, entre as quais, o acesso de justiça para todos, a educação para a cidadania, o combate ao poder invisível, a transparência nas ações de seus protagonistas.

Em seu Futuro da Democracia, Bobbio mostra os caminhos a percorrer pela democracia na direção do amanhã, sem deixar de caracterizar o insucesso do Estado no combate às pragas da modernidade, a partir do poder invisível que se incrusta nas malhas intestinas da administração pública. O poder visível, formal, está perdendo a batalha. Não é a toa que, a par dos aparatos tecnológicos que ancoram os mecanismos do Estado – Tribunais de Contas, Ministério Público, Polícia Federal, Tribunais Eleitorais e outras instâncias do Judiciário – a corrupção continua grassando a torto e a direito.

Para termos uma ideia mais abrangente da crise que permeia o sistema democrático, nos quadrantes do planeta, podemos inserir no debate outros eixos, como os alinhavados por Roger-Gérard Scwartzenberg: o arrefecimento das ideologias, o declínio dos partidos, a desmotivação das bases, a perda de poder dos Parlamentos, o refluxo das oposições. Há, como se pode observar, aqui e alhures, certo esgotamento – sensação de ineficiência – das democracias. Que não dão respostas satisfatórias às demandas da sociedade. Esse fato tem explicação ainda no aparelhamento burocrático do Estado. Uma tecnocracia se instala nas estruturas administrativas, tornando complexa a execução de tarefas e programas, atrasando as operações, estrangulando os fluxogramas. Deriva daí a inoperância do Estado.

A crítica coloca em evidência o fato de que as eleições estão perpetuando a continuidade das elites no comando dos poderes do Estado. A eleição de um governante pelo voto popular não seria suficiente para dar a ele legitimidade, eis que será engolido, mais cedo ou mais tarde, pela ineficiência do Estado em atender às demandas das massas. Mas que outra solução haveria? Sortear os cargos entre o povo? Quem garante que essa modalidade de democracia não implicaria a implantação do caos?

Este ano teremos um pleito muito competitivo e de discurso contundente. Como fazer para darmos um passo mais avançado em nossa democracia de forma a garantir o compromisso da política junto ao povo? Deixo que o eleitor reflita sobre essa inquietante pergunta.

 

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato


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Ricardo Callado16/04/20184min

Por Delmo Menezes

As recentes movimentações no tabuleiro político da capital, mostram o quanto o quadro está indefinido em relação as chapas majoritárias para o pleito de outubro no Distrito Federal.

O que parecia uma disputa tranquila ao Buriti, entre no máximo três grupos políticos, tende a se pulverizar, mudando totalmente o cenário que se apresentava até então.

A esquerda se esforça para lançar um nome em condições de competir, mas até o momento parece que estão “batendo cabeça”, sendo que os tradicionais candidatos como Geraldo Magela, Arlete Sampaio e Wasny de Roure, tendem a disputar uma vaga à Câmara Legislativa e ao Senado.

O pré-candidato Jofran Frejat (PR), que caminhava para uma eleição tranquila, começa a enfrentar desconforto com a disputa interna dentro do próprio grupo político para indicação do seu vice e os dois senadores.

De acordo com analistas políticos ouvidos pelo Agenda Capital, se não houver um destronamento de alguns caciques que ainda tentam impor “goela abaixo” a indicação de nomes para compor a chapa de Frejat, o atual governador Rodrigo Rollemberg (PSB), que apesar da alta rejeição, não está morto politicamente, poderá chegar ao segundo turno, disputando com a chapa encabeçada por Alírio ou Izalci, considerado por muitos, uma composição de peso.

Segundo estes analistas, o pré-candidato Jofran Frejat, apesar de liderar em todas as pesquisas, terá que enfrentar os caciques do PR e aliados, para definir os nomes considerados “fichas limpas”, para o fechamento da chapa majoritária.

Informações de bastidores dão conta, que alguns nomes do segmento evangélico (que responde por parcela significativa de eleitores), não enfrentam nenhum tipo de rejeição e que poderia definir uma eleição, têm chegado aos ouvidos do ex-secretário de saúde.

Enquanto isso, Rollemberg está com o discurso pronto para a campanha. Ele dirá que: assumiu o DF como uma terra arrasada e conseguiu equilibrar as contas públicas; que os salários dos servidores públicos estão em dia, enquanto na maioria dos estados estão atrasados; que o seu governo não responde por nenhum ato de corrupção; Rollemberg dirá também que conseguiu controlar a crise hídrica, tomando medidas emergenciais, a médio e a longo prazo; que no próximo mandato terá condições de investir na saúde, educação e segurança e que o seu governo é “ficha limpa”.

Resta saber se Frejat terá autonomia para indicar o seu vice ou entregará a eleição para seus opositores. Só o tempo dirá! Enquanto isso, Rollemberg assiste a tudo de camarote.

O que se vê na prática, é que há “muito cacique para pouco índio”.

Da Redação do Agenda Capital


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Ricardo Callado22/03/20182min

Por Sandro Gianelli

Você que vai se candidatar a um cargo eletivo em 2018 é importante entender que uma eleição é na verdade uma campanha para influenciar a opinião pública.

As eleições são realizadas num espaço de tempo cada vez menor e os candidatos devem convencer seus eleitores de que são as melhores opções para os cargos em disputa.

Uma constatação é que a maioria dos candidatos perde. E infelizmente a maioria dos candidatos são assessorados por pessoas sem experiência, que seguem a intuição ou colhem informações em pesquisas realizadas sem o mínimo rigor técnico.

Na arte de influenciar a opinião pública, os profissionais de marketing e comunicação, da área política, se utilizam das ferramentas mais eficientes que dispõem.

Fica a dica: não existe mágica em campanha. Desconfie dos que apresentam fórmulas prontas e tem resposta para tudo. Sabe aqueles que confiam mais no feeling do que nas pesquisas? Tenha muito cuidado!

Um consultor político deve procurar primeiro saber o que o eleitor pensa, no que acredita, quais são seus valores, suas atitudes. Pesquisando quais são os temas mais adequados e os meios de comunicação corretos para melhor se comunicar com o eleitor. Por fim, elabora-se a estratégia mais apropriada com enfoque jornalístico ou publicitário, buscando informar ou emocionar o público.

* Sandro Gianelli – Jornalista, radialista e consultor político com experiência em marketing político, eleitoral, digital e pesquisa de opinião pública.


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Ricardo Callado19/03/20185min

 

O povo não é uma abstração. Está ali correndo para pegar o ônibus das 5, aboletando-se nos trens de periferia, aplaudindo e xingando nos estádios, grudado defronte às vitrines para ver lances do futebol, devorando churrascos gregos nas calçadas ou voltando, com o sol poente, dos campos e das roças para a cansada solidão de suas casas. As massas retratam a realidade de milhões de brasileiros que ainda se encontram à margem do processo de consumo, dando um duro danado, levantando prédios, construindo máquinas, moldando a anatomia do País.

Em nome do povo, desvios se fazem na cena institucional. Basta anotar exemplos. A reforma da Previdência deixou de ser aprovada por congressistas que enxergaram nela a retirada de direitos do trabalhador. Ora, é o contrário. É a favor do povo. Mais adiante, sem recursos, o aposentado poderá ver os proventos sumindo. O MP e o Judiciário, ao calor da crise, tomam decisões com o olhar nas ruas. Temem o clamor do povo. Mesmo que o casuísmo e a quebra da letra constitucional sejam constantes. Procuradores e juízes até parecem imperadores romanos decidindo sob o polegar da massa aprovando seus atos. A Tríade de Montesquieu (Executivo, Legislativo e Judiciário) desmorona.

Mas a verdadeira crise do nosso povo é a falta de casas, de comida, de emprego, de hospitais, de segurança, de lazer. Por isso, a crise política que bate bumbo nos meios de comunicação não comove as massas. Elas agem por impulso e o primeiro que lhes afeta é o instinto de sobrevivência, encostado nas paredes do estômago. O imbróglio detonado, a partir das denúncias de escândalos é um caldo político que as massas contemplam de longe, por ser mais palatável às elites. Essa é a questão.

A engenharia política nacional é uma responsabilidade das vanguardas econômicas e políticas. As formas de cooptação social, a partir da conquista do voto, exprimem um pensamento que vem de cima. O povo, em suas extremas carências, tem dificuldades de exercer cidadania. Sua autonomia de decisão é escassa e tênues são suas vontades. Em consequência, submete-se, como entidade passiva, à demagogia dos discursos e a uma engenhosidade operacional que acaba sugando suas emoções. Mesmo com desconfiança em salvadores da pátria.

Quando se abre a portinha do lamaçal, começa-se a desvendar a identidade cultural da política brasileira. Há uma pequena rua, em Londres, cheia de lojinhas, que vendem os mesmos tecidos, dos mesmos padrões e, incrível, pelo mesmo preço. Nem um centavo a mais ou a menos. Um brasileiro foi ali pechinchar. Surpreendeu-se, quando o dono de uma das lojinhas recusou-se a vender o tecido. Ele vira o brasileiro sair de outra loja. Apontou: a sua loja é aquela. Naquela lojinha, cultiva-se a retidão, a lealdade, a honestidade. Um exemplo de cultura sem barganhas e emboscadas. Estamos anos luz distantes desse sonho.

Figuras que comandam o processo político dominam a cena política nacional há tempos. Não se vêem horizontes limpos. São velhos cenários e poucos atores desconhecidos. A peça até pode ser diferente, mas o fio condutor da trama é o mesmo e indica uma esganiçada luta pelo poder. O populismo aparece como arma de mistificação das massas e denúncias sobre uns e outros até podem gerar alto índice de abstenção, votos nulos e brancos. Mas a tão proclamada renovação política ainda vai ter de esperar. Não vai ocorrer este ano.

P. S. A morte da vereadora Marielle Franco adensa o fluxo do povo nas ruas, com forte impacto sobre a campanha eleitoral.

 

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato


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Ricardo Callado11/03/20185min

A sete meses das eleições, não há sinais que garantam quem estará subindo ao pódio do 2º turno. Lula, exibindo folgada liderança no processo eleitoral (33,4% em recente pesquisa da CNT/MDA), ao que tudo indica deve ser impedido pela Justiça de ser candidato. O deputado Jair Bolsonaro (16,8% na mesma pesquisa) tende a ver sua margem diminuída em razão de certos fatores: curto espaço de mídia eleitoral; perfil de viés autoritário, cujo desdobramento deve descambar para forte bombardeio sobre  o ideário por parte de adversários; despreparo para discorrer sobre temas prioritários, a partir da economia.

A eventual saída de Lula da arena praticamente inviabiliza as chances do PT, a ser alvo central de intenso tiroteio que se espera no pleito mais competitivo da contemporaneidade. Nem Haddad nem Jaques Wagner teriam envergadura para levar adiante a carruagem petista. Mas Luiz Inácio, é oportuno lembrar, será grande eleitor, esteja dentro ou fora da prisão, devendo com seu verbo denunciativo arrastar candidatos proporcionais e majoritários do PT em todas as regiões. O PT quer sair vivo e forte da batalha eleitoral sob pena de ver naufragado o esforço de três décadas.

Para concretizar a meta, o partido conta com duas hipóteses: escolher um de seus quadros – podendo ser mesmo Haddad ou Wagner – mais para dar cobertura a seus candidatos nos Estados do que para alcançar vitória; vir a apoiar uma candidatura do seu campo ideológico ou ainda um protagonista próximo ao seu escopo. O tal de Guilherme Boulos, do PSOL, sem chances, não seria o caso; Marina Silva distanciou-se do petismo. Sobraria Ciro Gomes, do PDT. Ciro, paulista com vida social e política no Ceará, é uma metralhadora ambulante. Sua língua afiada é considerada uma arma que se volta contra ele mesmo. Mas não se discute seu preparo e competência. O figurante é preparado.

Acaba de desferir mais um sopapo no PT e Lula, ao dizer que nem tudo que se diz contra eles é “conspirata” e, ainda: o partido é como “escorpião, afunda-se sozinho”. O pedetista defende posições assemelhadas ao que defende o petismo, a partir de sua contrariedade sobre a privatização da Petrobras, garantindo que se a Eletrobras for privatizada, ele a puxará de volta para as mãos do Estado. Portanto, sua visão estatizante o insere no campo de centro-esquerda, não necessariamente na extremidade do arco ideológico. A proximidade conceitual com partidos de esquerda – PC do B, PSB – seria, dessa forma, credencial para habilitá-lo a ganhar apoio desses entes em um segundo turno, se alcançar tal patamar.

O ex-ministro e ex-governador do Ceará conta com bom lastro no Nordeste, onde é bastante conhecido. A região tem 27% dos votos válidos do país. E sua linguagem desabrida calha bem ao momento. O eleitor quer ouvir um discurso claro, palavras expressas com energia, ante a descrença (e até certo desprezo) para com a classe política. Ciro tem boa performance em debates. E pode sobressair no deserto de ideias habitado por alguns candidatos. Teria condições de crescer.

Seu opositor, considerando os atuais pretendentes, deve ser o governador Geraldo Alckmin. Experiente, com muitos anos à frente do Estado mais poderoso da Federação, Alckmin conta com boa avaliação dos paulistas. São Paulo tem mais de 33 milhões de eleitores, cerca de 22%  do eleitorado nacional. Se conseguir sair de São Paulo com grande bacia de votos, compensaria eventual pequena votação a obter no Nordeste. Por esse raciocínio, é razoável projetar um segundo turno com Ciro Gomes e Geraldo Alckmin, um representando o centro-esquerda e outro o centro-direita.

Claro, o Senhor Imponderável dos Anjos poderá aparecer de repente e desfazer todos os fios da nossa argumentação.

 

Gaudêncio Torquato é jornalista, professor titular da USP e consultor político e de comunicação

Twitter @gaudtorquato


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Ricardo Callado09/03/20183min

Por Sandro Gianelli

Muitos clientes, pré-candidatos ou candidatos a reeleição me perguntam sobre as redes sociais na campanha eleitoral de 2018. Alguns afirmam que o principal meio de comunicação desta eleição serão as redes sociais. Outros duvidam que elas possam resultar em votos. Tem político que jura que foi eleito em outras eleições usando apenas as redes sociais. E acreditem! Alguns pré-candidatos querem um planejamento de campanha único e exclusivo para as redes sociais, pois afirmam que investirão apenas nessa forma de comunicação no pleito de 2018.

Alguns especialistas afirmam que não se ganha uma campanha nas redes sociais, mas com certeza as redes sociais podem ser um dos principais fatores para a derrota nas urnas.

Vejo as redes sociais como um reflexo de nossas vidas e vou além, nas redes sociais as pessoas não se apegam a vergonha de se expressar em público. Falam o que pensam, sem se importar com o receptor da mensagem. Defendem seus pontos de vista, suas crenças e posicionamento. Debatem assuntos diversos, se unem em defesa de um pensamento e com certeza as redes sociais serão palco de muitas discussões sobre os candidatos, principalmente os majoritários.

Uma das principais redes sociais do momento, o Facebook, é o principal responsável pela mudança da opinião crítica dos cidadãos e desta união em torno de temas específicos, onde os usuários vivem o fenômeno da crítica midiática.

As redes sociais deram as pessoas outra via de acesso à informação, onde a principal característica é a interação. Essa nova forma de informação e interação, traz a tona uma liberdade de expressão que acaba promovendo as mobilizações que questionam o sistema político e os políticos, e sem duvida será muito utilizada para avaliar os novos candidatos.

Uma avaliação é certa. A internet terá papel ativo nas eleições de 2018 e o candidato que souber explorá-la, terá um grande aliado na campanha eleitoral.

Agora vale ressaltar que não adianta estar, apenas presente nas redes sociais. O principal nas redes sociais é o conteúdo, o monitoramento e o relacionamento.

 

Acesse : http://sandrogianelli.com.br/


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Ricardo Callado21/07/20174min

Rodrigo Rollemberg não pode deixar de considerar a população evangélica se quer ser eleito ou eleger alguém em 2018.

Há um ano da próxima corrida eleitoral, já passou da hora, dele abrir os olhos para esse segmento da sociedade e trazer o povo de Deus para seu lado.

Hoje, o Distrito Federal tem um pouco mais de 900 mil fiéis espalhados em diversas denominações evangélicas. O que significa quase 30% da população. Números que podem impactar bastante, inclusive se a vontade do governo é melhorar os índices de popularidade.

Nas igrejas, ouve-se muitos comentários negativos ao Governo Rollemberg. Pastores e lideranças reclamam da ausência de diálogo, da tomada de medidas impopulares entre os cristãos e, principalmente, das promessas feitas por ele e ainda não cumpridas.

Rodrigo assumiu publicamente o compromisso de regularizar pelo menos 1,5 mil templos e até agora, nem 10% disto foi feito. Sob a gestão de Bruna Pinheiro, a Agefis também derrubou sete igrejas, só no Sol Nascente. E apesar de Rodrigo ter investido em obras de infraestrutura naquela região, a mágoa das derrubadas ainda está viva.

Soma-se a isto, o decreto que regularizou a homofobia e “penalizou”, na visão dos evangélicos, o posicionamento deles em relação ao direito das famílias.

Explico melhor: com a regulamentação da lei distrital de autoria dele e, a criação de penas contra a homofobia, evangélicos acreditam que serão atacados na sua convicção, sem ter o direito a livre manifestação do pensamento cristão sobre o homossexualismo.

O Estatuto da Família também está entre as conversas dos líderes evangélicos. Para eles, Rodrigo não se empenhou tanto para a sanção do texto como se empenha em aprovar a regulamentação da Homofobia, tendo ido à justiça para derrubar de vez o decreto do legislativo que aprovou a suspensão do decreto de regulamentação.

Na semana passada, com o pedido de desculpas de Rollemberg ao artista que posava nu na Esplanada e foi detido pela polícia, o domingo nas igrejas foi ainda mais movimentado. Rodrigo acabou plantando mais um tema polêmico, sem pensar nas consequências da opinião pública, não apenas entre os policiais, mas também entre os eleitores mais conservadores.

O governador não pode encarar o “silêncio público” do segmento evangélico como um sinal de aceitação da sua gestão. Rodrigo precisa, rapidamente, reestabelecer o diálogo com essas lideranças. Até porque não é nem um pouco silencioso o movimento que se ouve nos quatro cantos das igrejas.

A coisa não está muito boa mesmo para ele. As pesquisas mostrar taxas altas de rejeição e se Rodrigo quer melhorar sua popularidade, tem de investir nas orações e no diálogo com o segmento cristão.


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Ricardo Callado17/07/201711min

Por Saulo Batista – Ao se medir pelo clima mais frequente nos bastidores, a corrida pelo Buriti estaria resumida a uma disputa entre os pré-candidatos de oposição na busca por definir quem será o algoz de Rodrigo Rollemberg, já considerado por muitos como um “ex-governador em exercício”. Entretanto, os números divulgados na pesquisa OpinaDF, do  Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados – IBPAD, mostram que, ao subestimarem o potencial competitivo do atual governador, aqueles que aspiram sua cadeira podem estar plantando a semente de sua própria derrota no ano que vem.

Num cenário no qual o governador sofre um nível de rejeição que em condições normais inviabilizaria sua reeleição, mas também onde o principal grupo de oposição hoje se encontra incapaz de representar uma alternativa para 2018 em função das graves acusações que pesam contra seus líderes no âmbito da Operação Drácon, temos um eleitorado órfão, dos quais 91% ainda não sabe dizer em quem depositar seu voto de confiança nas próximas eleições.

Daqueles que se utilizam destes números para elaborar as estratégias que vem sendo seguidas por alguns dos principais postulantes ao GDF temos ouvido que, de uma pesquisa realizada com tanta antecedência, os dados mais relevantes são os que dizem respeito à rejeição dos postulantes. Pois são justamente estes que trazem um importante sinal de alerta para aqueles que aspiram governar o DF a partir de 2019.

Segundo o levantamento, os péssimos índices do governo Rodrigo Rollemberg – com aprovação de apenas 9% e rejeitado por 61% dos entrevistados – são comparáveis com os do governo do ainda presidente Michel Temer. Apesar disso, quando ajustados os números para levar em consideração apenas os eleitores que conhecem os pré-candidatos e se dispuseram a avaliá-los, temos que a rejeição do governador, apesar de altíssima, não destoa daqueles que hoje se imagina que serão os protagonistas das eleições de 2018 no Distrito Federal.

Esse é um dado crucial pois indica que, a não ser por uma mudança brusca e improvável no que diz respeito à percepção em relação a algum dos que já estão na disputa pelo Buriti ou o surgimento de um nome novo com maior aceitação por parte do eleitorado, o desafio diante do qual se vêem os que hoje buscam reduzir a rejeição de Rollemberg a ponto de torná-lo competitivo pode não estar tão distante quanto gostariam aqueles a quem interessa fazer crer que é intransponível.

Quem acompanha de perto as articulações para 2018 sabe que o espaço para o surgimento de um “nome novo” com apoio suficiente para se tornar competitivo é pequeno e cada vez menor. O mais frequente posicionamento adotado pelos políticos tradicionais, que controlam as burocracias partidárias, tem sido o de que não abrem mão de ser eles próprios os candidatos ao GDF.

Mesmo aqueles que gostariam de ser vistos como “gestores”, e que se esforçam para serem associados às qualidades que proporcionam uma alta popularidade ao prefeito de São Paulo, são, na verdade, velhos conhecidos do eleitor, representantes das mesmas oligarquias que dominam há décadas a cena política do DF, que participaram como protagonistas de governos marcados por desmandos e corrupção, e na sua imensa maioria envolvidos, eles próprios, em denúncias de desvios cometidos na condução da coisa pública.

A mecânica egocêntrica que tem pautado os movimentos de alguns dos principais pré-candidatos concorre para a construção de um cenário eleitoral que guarda estreita semelhança com a disputa municipal de São Paulo em 2008, quando a elevada impopularidade de Gilberto Kassab serviu de estímulo para o lançamento de um grande número de candidaturas de políticos tradicionais, como ex-prefeitos, igualmente mal avaliados e em sua maioria sem chances reais.

Para os que se dispõem a aprender as lições que a história tem a nos ensinar, fica a lembrança de que nas pesquisas realizadas com antecedência de cerca de um ano e meio da disputa na capital paulista, assim como hoje, a desvantagem do então prefeito no confronto com um na época franco favorito, que também contava com recall bastante elevado, era estatisticamente a mesma que assola Rollemberg, quando considerada a margem de erro das pesquisas, de 3% em ambas.

Os números do governador Rodrigo Rollemberg são ruins, muito ruins, a ponto de apenas 16,4% da população tê-lo mais em mais alta conta que Agnelo Queiroz (PT), aquele que não conseguiu sequer chegar ao segundo turno em sua sucessão e cujo nome se tornou junto ao eleitorado um sinônimo de corrupção e incompetência. Entretanto, como são igualmente ruins os índices de aceitação daqueles que até agora se apresentaram para a disputa de 2018, temos que – no que diz respeito à sua rejeição na comparação dos que hoje se colocam como seus adversários – a situação de Rollemberg chega a ser menos desfavorável hoje do que era e de Kassab em 2007.

O final desta história é conhecido e serve de lição para alguns que hoje, na oposição, diante dos números por ora desfavoráveis para o governo, se permite menosprezar um adversário que de forma alguma irá vender barato esta eventual vitória na disputa eleitoral que se aproxima.


A política não é uma ciência exata e nem de longe é possível afirmar que as semelhanças nos números e nas circunstâncias apontam para a reeleição do governador. Pelo contrário, repetir em Brasília o que se viu em São Paulo – tendo em vista, inclusive, a tradição do DF de não reeleger seus governadores – exigirá de Rollemberg um nível de habilidade que até agora seu governo não demonstrou em consolidar uma relação mais harmoniosa com o legislativo e conduzir uma gestão mais eficiente e melhor avaliada mesmo diante de uma de crise fiscal com a qual o governo ainda não conseguiu lidar de forma adequada.

Entretanto, este resultado precisa ser lido com muito cuidado também pelos candidatos de oposição. Caso contrário, podemos nos ver diante da possibilidade concreta de reeleição de Rollemberg menos pela capacidade de seu governo em reverter seus altíssimos índices de rejeição e mais pela incapacidade dos nomes até agora apresentados em se consolidar como uma alternativa real para os insatisfeitos com os atuais rumos do GDF.


Saulo Batista Especialista em orçamento e políticas públicas, diretor de relações governamentais da Associação Nacional do Transportador e dos Usuários de Estradas, Rodovias e Ferrovias (ANTUERF) e secretário-executivo da União Geral dos Trabalhadores (UGT).


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Ricardo Callado04/07/20176min

Por Luiz Carlos Borges da Silveira

O carreirismo político no Brasil é um fato negativo para o aperfeiçoamento da atividade, tornando-se empecilho ao surgimento de novas lideranças, ou seja, de ideias renovadoras e modernizantes. Um dos segmentos onde se instalou, nas Câmaras Municipais, é o que mais afeta a população por ser o degrau inicial da política, pois o vereador é o primeiro representante popular, o mais próximo da comunidade. Sem dúvida o profissionalismo político nesse âmbito se deve aos altos subsídios e mordomias legais ou institucionalizadas, aspectos que precisam ser reconsiderados, ainda que difíceis de enfrentamento porque mudanças dependem dos legisladores, que são exatamente esses mesmos políticos, sempre indispostos a decisões que ameacem o corporativismo.

A instituição de salários a vereadores começou efetivamente em 1977, no regime militar. Antes, apenas vereadores das capitais recebiam subsídios. Naquele ano o então presidente Ernesto Geisel sancionou decreto estendendo o benefício, visando buscar apoio político das bases e também reforçar politicamente o partido do governo. Gradualmente foram sendo estabelecidos extensivos valores salariais e vantagens pecuniárias até o extremo a que encontramos hoje. Em muitas cidades o salário dos vereadores é o maior do município para uma ou no máximo duas reuniões, à noite, por semana, verdadeira afronta ao operariado que trabalha oito horas por dia em sete dias da semana recebendo insignificância em comparação ao integrante da Câmara instalado em gabinetes climatizados e cercados de mordomias diversas.

Passou a ter grande importância eleger-se (ou reeleger-se) para a Câmara Municipal. Para manter o mandato o vereador usa apelo popularesco e se dedica em tempo quase integral à assistência social, o que não é, em absoluto, sua função, todavia ele se transforma em espécie de “despachante do povo” junto aos órgãos públicos de atendimento social que aceitam e facilitam a intermediação porque o prefeito também depende do apoio do vereador.

O assistencialismo que os vereadores praticam é, portanto, atividade eleitoreira, não faz parte de suas atribuições precípuas que são: legislar, fiscalizar as ações do executivo e discutir temas de interesse dos bairros que representam para atendimento das necessidades coletivas, deixando a assistência social individual a cargo dos organismos próprios.

Considerando-se que o Brasil é um dos poucos países que mantém tais critérios de remuneração dos vereadores, seria conveniente que a sociedade discutisse o assunto. E também, que sejam debatidos exemplos de países que adotam outros sistemas sem prejuízo à administração da cidade. Segundo informação da ONU, entre 181 dos países filiados o Brasil é o único que remunera vereadores nos moldes que conhecemos. Na maioria dos demais existem conselhos municipais cuja eleição ou nomeação dos integrantes diferem, e a remuneração também.

Em alguns países são apenas ressarcidas as despesas pessoais ocorridas em função do desempenho do cargo, noutros há pagamento de jeton por sessão, gratificação, ajuda de custo ou até mesmo nada recebem, como na Suécia, onde a atividade é uma espécie de voluntariado em colaboração aos cidadãos e à administração da cidade. Ninguém vive do cargo, todos têm suas atividades profissionais. E não há notícia de que algum haja morrido de fome.

No Brasil já foi assim, quando as Câmaras eram constituídas por Conselhos Comunitários formados por representantes da sociedade não remunerados, que se dedicavam não a fazer assistência social, mas sim discutir temas, assuntos e projetos de interesse do município e de seus cidadãos.

Como desde 2009 tramitam no Congresso propostas de redução e até mesmo extinção dos salários dos vereadores, é bom repensar e debater a questão para reforçar os argumentos. O carreirismo e o alto preço das campanhas inibem cidadãos com disposição para trabalhar, mas com poucas posses para enfrentar os “profissionais” acabam desestimulados. Em consequência, cai o nível das representações municipais, existe pouca renovação tanto de nomes quanto de ideias, o que inevitavelmente redunda em prejuízos aos municípios.


  • Luiz Carlos Borges da Silveira é empresário, médico e professor. Foi ministro da Saúde e deputado federal. 

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Ricardo Callado30/06/20175min

Por Ricardo Callado

Rodrigo Rollemberg tem vários desafios, administrativos e políticos. Um deles é que a sociedade brasiliense sente dificuldade em entender o governo. E por isso, índices de desaprovação tão altos.

No início, a situação econômica do GDF era a principal causa. Muitas medidas antipopulares e necessárias foram tomadas.

O que se vê hoje são problemas que foram enraizando nos últimos dois anos e meio. Rollemberg montou uma equipe competente e séria, mas que erra na forma e no conteúdo. Não se faz um Governo para atender os anseios da população, mas sim para agradar o governador. Proteção de maneira excessiva; cuidado exagerado.

O governo é refém dele mesmo. Adversário de si mesmo. Há uma redoma que impede o Buriti de se aproximar da sociedade.

Muitas ações têm sido feitas para quebrar essa barreira. No primeiro semestre deste ano nota-se uma mudança no diálogo entre Executivo e sociedade. Na forma de comunicar. É algo que deve refletir a médio prazo na opinião pública. Como o estrago foi grande nos primeiros dois anos, a demora para melhora da imagem é explicável.

Em 2018 é preciso apresentar a sociedade uma coisa que faça sentido, que jogue para cima. Brasília está ansiosa por algo novo e não necessariamente um candidato novo. Que mexa com a imaginação do eleitorado e que seja oferecida uma coisa melhor. O cenário de caos usado por Rollemberg-candidato contra Agnelo Queiroz (PT) agora será narrativa da oposição.

Dá para fazer um bom trabalho, com gestão, planejamento, compromisso com a coisa pública, elegendo prioridades. Planejamento para médio e longo prazo. O governo deve explicar a sociedade o seu planejamento. Um plano de metas não visando simplesmente os quatro anos de administração, mas os próximos anos, as próximas gerações.

Os problemas são muitos. Se formos falar hoje das dificuldades que o Distrito Federal passa, temos problemas na Segurança, Saúde, problemas pontuais na Educação em vários lugares. Problemas com servidor público. Uma crise hídrica.

Brasília não pode voltar ao atraso. O que tem de ser feito? É uma via de quatro mãos. Governo e sociedade. É olhar onde o Buriti errou, porque todo governo erra muito mesmo. E construir um planejamento elegendo prioridade e ouvindo a sociedade.

No jogo político, a fórmula é diferente. Os adversários plantam para desacreditar a reeleição de Rollemberg. Mas não só adversários. Alguns aliados também. A reciproca é verdadeira.

A união da oposição é algo cada vez distante. É conversa, balela. Quem valoriza a força da união da oposição são os próprios governistas, que a coloca maior do que ela é. Não existe hoje um candidato favorito ao Buriti em 2018. Nem o próprio governador. E também não existirá eleição por W.O. Outra fantasia. Lenda política.

O maior adversário do governador hoje é ele mesmo. A oposição fala: “se não houver a união da oposição…”. O cenário não é o ideal. Quanto mais candidatura melhor. Até mesmo para o eleitor poder escolher o melhor projeto, que mais lhe agrada e aquele que seja confiável.

O que se vê muito hoje é pré-candidato jogando conversa fora. O cenário só começa a ser definido no fim do ano, ou começou de 2018. Até lá, Rollemberg terá que vencer seus próprios obstáculos.



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