Análise Política

analise-politica.png

Ricardo Callado21/07/20174min

Rodrigo Rollemberg não pode deixar de considerar a população evangélica se quer ser eleito ou eleger alguém em 2018.

Há um ano da próxima corrida eleitoral, já passou da hora, dele abrir os olhos para esse segmento da sociedade e trazer o povo de Deus para seu lado.

Hoje, o Distrito Federal tem um pouco mais de 900 mil fiéis espalhados em diversas denominações evangélicas. O que significa quase 30% da população. Números que podem impactar bastante, inclusive se a vontade do governo é melhorar os índices de popularidade.

Nas igrejas, ouve-se muitos comentários negativos ao Governo Rollemberg. Pastores e lideranças reclamam da ausência de diálogo, da tomada de medidas impopulares entre os cristãos e, principalmente, das promessas feitas por ele e ainda não cumpridas.

Rodrigo assumiu publicamente o compromisso de regularizar pelo menos 1,5 mil templos e até agora, nem 10% disto foi feito. Sob a gestão de Bruna Pinheiro, a Agefis também derrubou sete igrejas, só no Sol Nascente. E apesar de Rodrigo ter investido em obras de infraestrutura naquela região, a mágoa das derrubadas ainda está viva.

Soma-se a isto, o decreto que regularizou a homofobia e “penalizou”, na visão dos evangélicos, o posicionamento deles em relação ao direito das famílias.

Explico melhor: com a regulamentação da lei distrital de autoria dele e, a criação de penas contra a homofobia, evangélicos acreditam que serão atacados na sua convicção, sem ter o direito a livre manifestação do pensamento cristão sobre o homossexualismo.

O Estatuto da Família também está entre as conversas dos líderes evangélicos. Para eles, Rodrigo não se empenhou tanto para a sanção do texto como se empenha em aprovar a regulamentação da Homofobia, tendo ido à justiça para derrubar de vez o decreto do legislativo que aprovou a suspensão do decreto de regulamentação.

Na semana passada, com o pedido de desculpas de Rollemberg ao artista que posava nu na Esplanada e foi detido pela polícia, o domingo nas igrejas foi ainda mais movimentado. Rodrigo acabou plantando mais um tema polêmico, sem pensar nas consequências da opinião pública, não apenas entre os policiais, mas também entre os eleitores mais conservadores.

O governador não pode encarar o “silêncio público” do segmento evangélico como um sinal de aceitação da sua gestão. Rodrigo precisa, rapidamente, reestabelecer o diálogo com essas lideranças. Até porque não é nem um pouco silencioso o movimento que se ouve nos quatro cantos das igrejas.

A coisa não está muito boa mesmo para ele. As pesquisas mostrar taxas altas de rejeição e se Rodrigo quer melhorar sua popularidade, tem de investir nas orações e no diálogo com o segmento cristão.


Buriti-1024x683.jpg

Ricardo Callado17/07/201711min

Por Saulo Batista – Ao se medir pelo clima mais frequente nos bastidores, a corrida pelo Buriti estaria resumida a uma disputa entre os pré-candidatos de oposição na busca por definir quem será o algoz de Rodrigo Rollemberg, já considerado por muitos como um “ex-governador em exercício”. Entretanto, os números divulgados na pesquisa OpinaDF, do  Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados – IBPAD, mostram que, ao subestimarem o potencial competitivo do atual governador, aqueles que aspiram sua cadeira podem estar plantando a semente de sua própria derrota no ano que vem.

Num cenário no qual o governador sofre um nível de rejeição que em condições normais inviabilizaria sua reeleição, mas também onde o principal grupo de oposição hoje se encontra incapaz de representar uma alternativa para 2018 em função das graves acusações que pesam contra seus líderes no âmbito da Operação Drácon, temos um eleitorado órfão, dos quais 91% ainda não sabe dizer em quem depositar seu voto de confiança nas próximas eleições.

Daqueles que se utilizam destes números para elaborar as estratégias que vem sendo seguidas por alguns dos principais postulantes ao GDF temos ouvido que, de uma pesquisa realizada com tanta antecedência, os dados mais relevantes são os que dizem respeito à rejeição dos postulantes. Pois são justamente estes que trazem um importante sinal de alerta para aqueles que aspiram governar o DF a partir de 2019.

Segundo o levantamento, os péssimos índices do governo Rodrigo Rollemberg – com aprovação de apenas 9% e rejeitado por 61% dos entrevistados – são comparáveis com os do governo do ainda presidente Michel Temer. Apesar disso, quando ajustados os números para levar em consideração apenas os eleitores que conhecem os pré-candidatos e se dispuseram a avaliá-los, temos que a rejeição do governador, apesar de altíssima, não destoa daqueles que hoje se imagina que serão os protagonistas das eleições de 2018 no Distrito Federal.

Esse é um dado crucial pois indica que, a não ser por uma mudança brusca e improvável no que diz respeito à percepção em relação a algum dos que já estão na disputa pelo Buriti ou o surgimento de um nome novo com maior aceitação por parte do eleitorado, o desafio diante do qual se vêem os que hoje buscam reduzir a rejeição de Rollemberg a ponto de torná-lo competitivo pode não estar tão distante quanto gostariam aqueles a quem interessa fazer crer que é intransponível.

Quem acompanha de perto as articulações para 2018 sabe que o espaço para o surgimento de um “nome novo” com apoio suficiente para se tornar competitivo é pequeno e cada vez menor. O mais frequente posicionamento adotado pelos políticos tradicionais, que controlam as burocracias partidárias, tem sido o de que não abrem mão de ser eles próprios os candidatos ao GDF.

Mesmo aqueles que gostariam de ser vistos como “gestores”, e que se esforçam para serem associados às qualidades que proporcionam uma alta popularidade ao prefeito de São Paulo, são, na verdade, velhos conhecidos do eleitor, representantes das mesmas oligarquias que dominam há décadas a cena política do DF, que participaram como protagonistas de governos marcados por desmandos e corrupção, e na sua imensa maioria envolvidos, eles próprios, em denúncias de desvios cometidos na condução da coisa pública.

A mecânica egocêntrica que tem pautado os movimentos de alguns dos principais pré-candidatos concorre para a construção de um cenário eleitoral que guarda estreita semelhança com a disputa municipal de São Paulo em 2008, quando a elevada impopularidade de Gilberto Kassab serviu de estímulo para o lançamento de um grande número de candidaturas de políticos tradicionais, como ex-prefeitos, igualmente mal avaliados e em sua maioria sem chances reais.

Para os que se dispõem a aprender as lições que a história tem a nos ensinar, fica a lembrança de que nas pesquisas realizadas com antecedência de cerca de um ano e meio da disputa na capital paulista, assim como hoje, a desvantagem do então prefeito no confronto com um na época franco favorito, que também contava com recall bastante elevado, era estatisticamente a mesma que assola Rollemberg, quando considerada a margem de erro das pesquisas, de 3% em ambas.

Os números do governador Rodrigo Rollemberg são ruins, muito ruins, a ponto de apenas 16,4% da população tê-lo mais em mais alta conta que Agnelo Queiroz (PT), aquele que não conseguiu sequer chegar ao segundo turno em sua sucessão e cujo nome se tornou junto ao eleitorado um sinônimo de corrupção e incompetência. Entretanto, como são igualmente ruins os índices de aceitação daqueles que até agora se apresentaram para a disputa de 2018, temos que – no que diz respeito à sua rejeição na comparação dos que hoje se colocam como seus adversários – a situação de Rollemberg chega a ser menos desfavorável hoje do que era e de Kassab em 2007.

O final desta história é conhecido e serve de lição para alguns que hoje, na oposição, diante dos números por ora desfavoráveis para o governo, se permite menosprezar um adversário que de forma alguma irá vender barato esta eventual vitória na disputa eleitoral que se aproxima.


A política não é uma ciência exata e nem de longe é possível afirmar que as semelhanças nos números e nas circunstâncias apontam para a reeleição do governador. Pelo contrário, repetir em Brasília o que se viu em São Paulo – tendo em vista, inclusive, a tradição do DF de não reeleger seus governadores – exigirá de Rollemberg um nível de habilidade que até agora seu governo não demonstrou em consolidar uma relação mais harmoniosa com o legislativo e conduzir uma gestão mais eficiente e melhor avaliada mesmo diante de uma de crise fiscal com a qual o governo ainda não conseguiu lidar de forma adequada.

Entretanto, este resultado precisa ser lido com muito cuidado também pelos candidatos de oposição. Caso contrário, podemos nos ver diante da possibilidade concreta de reeleição de Rollemberg menos pela capacidade de seu governo em reverter seus altíssimos índices de rejeição e mais pela incapacidade dos nomes até agora apresentados em se consolidar como uma alternativa real para os insatisfeitos com os atuais rumos do GDF.


Saulo Batista Especialista em orçamento e políticas públicas, diretor de relações governamentais da Associação Nacional do Transportador e dos Usuários de Estradas, Rodovias e Ferrovias (ANTUERF) e secretário-executivo da União Geral dos Trabalhadores (UGT).


carreira-politica2.jpg

Ricardo Callado04/07/20176min

Por Luiz Carlos Borges da Silveira

O carreirismo político no Brasil é um fato negativo para o aperfeiçoamento da atividade, tornando-se empecilho ao surgimento de novas lideranças, ou seja, de ideias renovadoras e modernizantes. Um dos segmentos onde se instalou, nas Câmaras Municipais, é o que mais afeta a população por ser o degrau inicial da política, pois o vereador é o primeiro representante popular, o mais próximo da comunidade. Sem dúvida o profissionalismo político nesse âmbito se deve aos altos subsídios e mordomias legais ou institucionalizadas, aspectos que precisam ser reconsiderados, ainda que difíceis de enfrentamento porque mudanças dependem dos legisladores, que são exatamente esses mesmos políticos, sempre indispostos a decisões que ameacem o corporativismo.

A instituição de salários a vereadores começou efetivamente em 1977, no regime militar. Antes, apenas vereadores das capitais recebiam subsídios. Naquele ano o então presidente Ernesto Geisel sancionou decreto estendendo o benefício, visando buscar apoio político das bases e também reforçar politicamente o partido do governo. Gradualmente foram sendo estabelecidos extensivos valores salariais e vantagens pecuniárias até o extremo a que encontramos hoje. Em muitas cidades o salário dos vereadores é o maior do município para uma ou no máximo duas reuniões, à noite, por semana, verdadeira afronta ao operariado que trabalha oito horas por dia em sete dias da semana recebendo insignificância em comparação ao integrante da Câmara instalado em gabinetes climatizados e cercados de mordomias diversas.

Passou a ter grande importância eleger-se (ou reeleger-se) para a Câmara Municipal. Para manter o mandato o vereador usa apelo popularesco e se dedica em tempo quase integral à assistência social, o que não é, em absoluto, sua função, todavia ele se transforma em espécie de “despachante do povo” junto aos órgãos públicos de atendimento social que aceitam e facilitam a intermediação porque o prefeito também depende do apoio do vereador.

O assistencialismo que os vereadores praticam é, portanto, atividade eleitoreira, não faz parte de suas atribuições precípuas que são: legislar, fiscalizar as ações do executivo e discutir temas de interesse dos bairros que representam para atendimento das necessidades coletivas, deixando a assistência social individual a cargo dos organismos próprios.

Considerando-se que o Brasil é um dos poucos países que mantém tais critérios de remuneração dos vereadores, seria conveniente que a sociedade discutisse o assunto. E também, que sejam debatidos exemplos de países que adotam outros sistemas sem prejuízo à administração da cidade. Segundo informação da ONU, entre 181 dos países filiados o Brasil é o único que remunera vereadores nos moldes que conhecemos. Na maioria dos demais existem conselhos municipais cuja eleição ou nomeação dos integrantes diferem, e a remuneração também.

Em alguns países são apenas ressarcidas as despesas pessoais ocorridas em função do desempenho do cargo, noutros há pagamento de jeton por sessão, gratificação, ajuda de custo ou até mesmo nada recebem, como na Suécia, onde a atividade é uma espécie de voluntariado em colaboração aos cidadãos e à administração da cidade. Ninguém vive do cargo, todos têm suas atividades profissionais. E não há notícia de que algum haja morrido de fome.

No Brasil já foi assim, quando as Câmaras eram constituídas por Conselhos Comunitários formados por representantes da sociedade não remunerados, que se dedicavam não a fazer assistência social, mas sim discutir temas, assuntos e projetos de interesse do município e de seus cidadãos.

Como desde 2009 tramitam no Congresso propostas de redução e até mesmo extinção dos salários dos vereadores, é bom repensar e debater a questão para reforçar os argumentos. O carreirismo e o alto preço das campanhas inibem cidadãos com disposição para trabalhar, mas com poucas posses para enfrentar os “profissionais” acabam desestimulados. Em consequência, cai o nível das representações municipais, existe pouca renovação tanto de nomes quanto de ideias, o que inevitavelmente redunda em prejuízos aos municípios.


  • Luiz Carlos Borges da Silveira é empresário, médico e professor. Foi ministro da Saúde e deputado federal. 

Opiniao-nova-logo.jpg

Ricardo Callado30/06/20175min

Por Ricardo Callado

Rodrigo Rollemberg tem vários desafios, administrativos e políticos. Um deles é que a sociedade brasiliense sente dificuldade em entender o governo. E por isso, índices de desaprovação tão altos.

No início, a situação econômica do GDF era a principal causa. Muitas medidas antipopulares e necessárias foram tomadas.

O que se vê hoje são problemas que foram enraizando nos últimos dois anos e meio. Rollemberg montou uma equipe competente e séria, mas que erra na forma e no conteúdo. Não se faz um Governo para atender os anseios da população, mas sim para agradar o governador. Proteção de maneira excessiva; cuidado exagerado.

O governo é refém dele mesmo. Adversário de si mesmo. Há uma redoma que impede o Buriti de se aproximar da sociedade.

Muitas ações têm sido feitas para quebrar essa barreira. No primeiro semestre deste ano nota-se uma mudança no diálogo entre Executivo e sociedade. Na forma de comunicar. É algo que deve refletir a médio prazo na opinião pública. Como o estrago foi grande nos primeiros dois anos, a demora para melhora da imagem é explicável.

Em 2018 é preciso apresentar a sociedade uma coisa que faça sentido, que jogue para cima. Brasília está ansiosa por algo novo e não necessariamente um candidato novo. Que mexa com a imaginação do eleitorado e que seja oferecida uma coisa melhor. O cenário de caos usado por Rollemberg-candidato contra Agnelo Queiroz (PT) agora será narrativa da oposição.

Dá para fazer um bom trabalho, com gestão, planejamento, compromisso com a coisa pública, elegendo prioridades. Planejamento para médio e longo prazo. O governo deve explicar a sociedade o seu planejamento. Um plano de metas não visando simplesmente os quatro anos de administração, mas os próximos anos, as próximas gerações.

Os problemas são muitos. Se formos falar hoje das dificuldades que o Distrito Federal passa, temos problemas na Segurança, Saúde, problemas pontuais na Educação em vários lugares. Problemas com servidor público. Uma crise hídrica.

Brasília não pode voltar ao atraso. O que tem de ser feito? É uma via de quatro mãos. Governo e sociedade. É olhar onde o Buriti errou, porque todo governo erra muito mesmo. E construir um planejamento elegendo prioridade e ouvindo a sociedade.

No jogo político, a fórmula é diferente. Os adversários plantam para desacreditar a reeleição de Rollemberg. Mas não só adversários. Alguns aliados também. A reciproca é verdadeira.

A união da oposição é algo cada vez distante. É conversa, balela. Quem valoriza a força da união da oposição são os próprios governistas, que a coloca maior do que ela é. Não existe hoje um candidato favorito ao Buriti em 2018. Nem o próprio governador. E também não existirá eleição por W.O. Outra fantasia. Lenda política.

O maior adversário do governador hoje é ele mesmo. A oposição fala: “se não houver a união da oposição…”. O cenário não é o ideal. Quanto mais candidatura melhor. Até mesmo para o eleitor poder escolher o melhor projeto, que mais lhe agrada e aquele que seja confiável.

O que se vê muito hoje é pré-candidato jogando conversa fora. O cenário só começa a ser definido no fim do ano, ou começou de 2018. Até lá, Rollemberg terá que vencer seus próprios obstáculos.


psdbdf1.jpg

Ricardo Callado15/06/201710min


A longa reunião ao fim da qual foi anunciada a permanência do PSDB no governo expôs, mais uma vez de forma clara, as profundas divisões do ninho tucano. Para muitas de suas lideranças, o partido errou ao estabelecer um prazo para anunciar uma decisão ainda não devidamente amadurecida.

Um dos sinais inequívocos de que os tucanos continuam divididos pode ser percebido na fala do seu líder na Câmara dos Deputados que, logo após o partido decidir pela manutenção do apoio ao governo, insinuou que a possibilidade da bancada votar pela admissibilidade da denúncia contra o presidente Temer a qual, segundo os rumores que correm na Esplanada, será apresentada ainda esse mês pela Procuradoria Geral da República.

Apesar do sucesso em contornar a crise gerada pelos movimentos dos descontentes com a permanência no governo Temer – os insatisfeitos continuarão com sua postura crítica à manutenção da aliança, mas reconhecem que não conseguiram formar uma maioria neste sentido -, o senador Tasso Jereissati se viu obrigado a reconhecer a posição majoritária do partido, apoiada inclusive pelo governador Geraldo Alckmin e o prefeito João Dória, no sentido de que é preciso antecipar as eleições internas.

O presidente interino do PSDB tem agora diante de si um abacaxi ainda maior e mais difícil de descascar que os movimentos até aqui promovidos pelos descontentes com o apoio ao governo Temer: a pressão pela realização das convenções partidárias que culminarão com a renovação do Diretório Nacional e dos diretórios regionais.

Na posição de virtual candidato à presidência, Aécio Neves teve condições de, já em 2013, assumir o comando do PSDB com uma direção nacional formatada em função de seu projeto eleitoral. Tanto isso que, talvez pela primeira vez na história do partido, foi eleita uma comissão executiva – que, tradicionalmente, reflete o equilíbrio de forças entre as principais lideranças e onde a construção de maiorias demanda um processo de negociação -, na qual o presidente e o secretário-geral, além do mesmo estado, eram ambos do mesmo grupo político.

A força que lhe garantia a condição de ser, a um só tempo, presidente do partido e pré-candidato a presidente da República, lhe permitiu – como a nenhum outro candidato tucano desde o fim do governo FHC -, de maneira firme e de forma centralizada, conduzir a construção das candidaturas e palanques estaduais e exercer a direção partidária.

Em 2015, sem que houvesse mais um governador de Minas entre os tucanos, havia a previsão de que a ala paulista passaria a exercer a condução do partido, não apenas pelo espetacular resultado alcançado pelo governador reeleito no primeiro turno – Geraldo Alckmin venceu em 644 dos 645 municípios paulistas, ficando em segundo lugar apenas na pequena Hortolândia, com menos de 200 mil eleitores -, mas também pelo fato de ter sido justamente no maior colégio eleitoral do país onde o PSDB teve sua maior votação, proporcionalmente ao número de eleitores, na disputa presidencial.

Ainda na presidência do partido, Aécio passou a controlar o processo de eleições regionais de forma a lhe assegurar que fossem os seus aliados a presidirem a maioria dos diretórios regionais. Os mais de 50 milhões de votos conquistados nas eleições de 2014, que o alçaram à condição de maior liderança nacional do PSDB, lhe garantiram a força necessária para impor nos estados acordos para a composição da direção partidária que nem sempre refletiam a realidade local. Muitas das vezes, quando tais acordos não eram aceitos, foi utilizado o instrumento da “intervenção” para garantir o controle dos diretórios por meio de “comissões provisórias”.

Mesmo quando constatamos que, muitas vezes, a troca da direção regional foi fundamental para a construção de vitórias nas eleições municipais em capitais e cidades importantes, o fato é que ficou cada vez mais claro que o discurso que defendia maior abertura da direção partidária –  apregoado em 2002 pelo então governador eleito de Minas Gerais ao lado de outros que, na época, ainda eram lideranças emergentes no partido, como os também governadores eleitos Cássio Cunha Lima e Marconi Perilo – ou a regulamentação de prévias partidárias – tão reivindicada durante sua disputa com Jose Serra, em 2010, pela candidatura presidencial – não encontraria eco na forma de agir do agora presidente nacional do PSDB.

Ao olharmos para a forma como são conduzidas as decisões do partido em Minas Gerais, nestes anos em que sua liderança no estado era incontrastável, fica ainda mais evidente que a defesa das prévias e da maior participação dos filiados é apenas para “consumo externo”. No PSDB-MG, a escolha dos candidatos e da composição da direção partidária segue o modelo mais autocrático possível: será quem Aécio quiser que o seja.

Aqui, no Distrito Federal, também foram sentidos os efeitos desse sistema bastante centralizador, visto que tanto a escolha da candidatura tucana ao GDF em 2014 como a imposição da comissão interventora que desde 2015 dirige o partido se deu na contramão daquilo que se percebia como a vontade da maioria dos filiados. Em muitos estados e no DF esses incidentes ainda hoje são motivos de rancores e rusgas não sanados a espera de uma oportunidade de revanche.

Quando se decidiu pela prorrogação do mandato desta executiva nacional presidida por Aécio – a qual, se já não representava de forma fiel a correlação de forças decorrentes da eleição de 2014, estava completamente descolada da nova realidade partidária que emergia das urnas em 2016 – aprofundaram-se ainda mais as divisões.

A face mais visível desta falta de unidade entre os tucanos tem sido as constantes divergências de posição entre a direção nacional e a bancada na Câmara dos Deputados, especialmente em relação à ala mais jovem – cujos membros, em conjunto com um grupo de igualmente jovens parlamentares estaduais e prefeitos, ficaram conhecidos como “cabeças pretas” -, que  reivindica ver seu crescimento político e eleitoral – em muitos casos superando os “caciques” do partido – refletido numa maior participação no processo decisório do PSDB.

Essa tensão cada vez mais constante entre os cardeais que desejam continuar a impor seu controle sobre a máquina partidária e essa nova geração de políticos com capital eleitoral suficiente para reivindicar uma dinâmica que seja mais fiel a realidade atual deve, sob pena de esvaziamento com a perda de quadros importantes nos estados e no cenário nacional, culminar com o deflagramento de eleições para a renovação das direções regionais e do Diretório Nacional do PSDB menos sujeitas a “intervenções nacionais” e “viradas de mesas”.

O sentimento é o de que a máxima – bem colocada pelo tucano Paulo Alexandre, o jovem prefeito reeleito de Santos – segundo a qual “político com medo de disputar eleição não serve para estar na vida pública” deve dar o tom destas convenções, a serem realizadas possivelmente ainda este ano, nas quais quem quiser dirigir o partido precisa conquistar esse direito pelo voto dos filiados. Esses novos ventos podem mudar muita coisa em vários estados e no Distrito Federal.


Especialista em orçamento e políticas públicas, diretor de relações institucionais da Associação Nacional do Transportador e dos Usuários de Estradas, Rodovias e Ferrovias (ANTUERF) e secretário-executivo da União Geral dos Trabalhadores (UGT).


Opiniao-nova-logo.jpg

Ricardo Callado14/06/20178min

Por Ricardo Callado

No cenário local, nesse momento, inexistem grupos políticos. O que há são classificações por tendências ideológicas. Cada político é uma ilha. E nenhum deles ainda não conseguiu agregar. Conversas existem e os flertes para formação de grupo são constantes.

O arquipélago da esquerda está dividido em quatro ilhas.

A principal delas é o governador Rodrigo Rollemberg, do PSB. A reeleição e a formação de uma bancada parlamentar genuína são os desafios. A rejeição atrapalha os dois projetos. Há muito a ser feito para rever esse quadro.

O presidente da Câmara Legislativa, deputado Joe Valle, é o nome do PDT. Pode ser uma surpresa na eleição. Tem que estancar a desconfiança. E isso se faz com ação, não com discurso. Só assim a dubiedade é superada.

PT tenta se organizar para chegar em 2018 com os danos da Lava Jato reduzidos. Mas, ainda se perde no discurso repetitivo de golpe. O enredo não pegou. Tem que achar algo mais convincente do que isso.

O partido titubeia entre ser governo ou oposição. Por mais que se esforce, a população ainda não entendeu a posição petista. Erika Kokay, Geraldo Magela, Wasny de Roure e Chico Vigilante são os nomes que podem disputar a majoritária. A prisão do ex-governador Agnelo Queiroz foi um duro golpe.

O Psol vem novamente fazer figuração, com Toninho e Maninha. Chico Sant’Anna vem ganhando espaço, mas a legenda necessita de renovação.

Ainda no campo da esquerda, Rede, PCdoB, PV continuarão como satélites.

Rede tem Chico Leite e Rômulo Neves como expoentes. Precisa ampliar seus quadros. O partido sempre é lembrado por sua atuação em tribunais superiores e conselhos parlamentares de ética. Precisa se aproximar da população.

O PV, do deputado Israel Batista, namora uma união com outros campos ideológicos que coloque a legenda em outro patamar.

E o PCdoB segue abraçado com o PT.

Quem não se reciclar e mantiver o ranço vai ficar para trás. A caduca política da esquerda ficou literalmente velha.

O presente da direita é de responder o passado para tentar sobreviver no futuro. São raros os políticos que não estão respondendo alguma ação na justiça.

Dos que se salvam estão o ex-deputado Jofran Frejat (PR) e o deputado Izalci Lucas (PSDB). Coincidentemente, são os dois mais bem colocados nas pesquisas no campo da direita.

Frejat seria hoje o melhor candidato para repetir a disputa de 2014 com Rollemberg. Mas a teoria é diferente da prática. Primeiro porque não deve haver apenas um candidato de oposição. E, segundo, Frejat precisa de um grupo que apoie o seu nome.

Izalci está na mesma. O parlamentar tucano vem cacifando o seu nome, mas só se viabiliza com apoio de outros políticos e partidos. Juntos seriam fortes. Separados expõem suas fraquezas.

Ainda na direita, um nome sempre cogitado é o do deputado Alberto Fraga (DEM). O fantasma da Secretaria de Transportes no governo Arruda ainda ronda sua candidatura. Vez ou outra surge alguma denúncia que o deputado precisa responder.

Outros dois nomes são comentados: Eliana Pedrosa (sem partido) e o suplente de deputado Alírio Neto (PTB).

Nos bastidores, fala-se do apoio de Eliana a Frejat. Respeitada por possuir uma boa articulação, a ex-deputada seria um bom nome ao governo ou ao Senado.

Alírio tem carta branca do seu partido para trabalhar a candidatura ao Buriti. Como está sem mandato, só em colocar o seu nome já ganha visibilidade. O bom uso das redes sociais que vem fazendo, ajuda muito, mas peca na animosidade quando parte para a desconstrução de possíveis aliados.

A direita sofreu importantes baixas com a prisão do ex-governador José Roberto Arruda (PR) e do ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB). Todos sabiam que Arruda não seria candidato. Estava impedido. Já Filippelli trabalhava fortemente para ser o principal candidato de oposição.

A prisão e a investigação de irregularidades na construção do Estádio Mané Garrincha e outras obras o tirou do páreo ao Buriti. Mas, deve ser bastante atuante nos bastidores.

E, para não ficar no esquecimento, o rorizismo ainda tem bastante voto, mas não possui candidatos. Filippelli buscava ser o herdeiro desse eleitorado.

No centro político, os principais nomes são de Cristovam Buarque (PPS), Rogério Rosso (PSD) e Valmir Campelo (PPS).

Cristovam é candidato ao terceiro mandato de senador. Seu nome sempre é lembrado para uma disputa no cenário nacional, seja a presidente ou a vice. Se isso acontecer, Valmir Campelo teria mais facilidade de articular uma candidatura ao GDF.

Os dois são do mesmo partido, e não faz sentido duas candidaturas majoritárias. Faltaria espaço para aliados. Campelo é experiente ao mesmo tempo que surge como o novo. Sozinho não vai a lugar algum.

O deputado federal Rogério Rosso chegou a disputar a presidência da Câmara dos Deputados, o que tecnicamente o colocaria como primeiro nome da linha sucessória da Presidência da República. Ex-governador do DF, tem um bom discurso, faz o tipo boa praça e trabalha nos bastidores a vôos mais altos. A mesma operação que prendeu Arruda, Agnelo e Filippelli colocou o nome de Rosso em xeque. Diferente dos três, tem foro privilegiado e os danos foram menores. Mas a delação da Andrade Gutierrez traz problemas a sua candidatura.

Dois nomes cogitados até pouco tempo perderam força. O ex-presidente da OAB-DF Ibaneis Rocha e o conselheiro do Tribunal de Contas do DF, Renato Rainha. Ambos saíram da bolsa de apostas.

A formação de grupos deve começar a acontecer no final do ano e até início de 2018. Até lá o que veremos é o cada-um-por-si. A fragmentação ajuda quem tiver uma estrutura mais organizada.

Foi assim que Rollemberg chegou ao Buriti. Em 2014, o que tínhamos no tabuleiro era a candidatura de um governador mal avaliado (Agnelo-PT), duas candidaturas de direita (Arruda/Frejat-PR e Pitiman-PSDB) e uma terceira via (Rollemberg-PSB).

Hoje, temos um governo mal avaliado, a direita fragmentada, o PT em decadência e muitos candidatos a terceira via.

Os dois cenários possuem semelhanças.


michel_temer_lado-e1461697913618.jpg

Ricardo Callado13/06/20179min
Saulo Batista

A decisão do TSE que, por 4 votos a 3, rejeitou o pedido de impugnação da chapa Dilma-Temer, contrariando inclusive as expectativas em torno de um pedido de vistas para adiar o julgamento, pode e foi comemorada pelo Planalto e seus aliados como uma grande vitória do presidente.

Uma vitória até certo ponto inesperada. Mesmo entre alguns dos líderes da assim chamada “base aliada”, e até do próprio PMDB, as cada vez menos discretas conversas de bastidores – com foco em temas tais quais a construção de uma candidatura governista para a eventual eleição indireta ou, ainda, a necessidade de sinalizar a continuidade da política econômica com a manutenção do  ministro da Fazenda -, davam conta do quanto o meio político já se preparava para o “pós-Temer”.

Apesar de fortalecido pelo resultado favorável neste julgamento – o que deve ser decisivo, por exemplo, na reunião do PSDB que definirá, em 12 de junho, sua permanência ou não no governo -, Michel Temer ainda terá pela frente o desafio de reagrupar sua base a fim de levar adiante uma agenda de reformas considerada pelo mercado como essencial para a recuperação da economia.

Diante de seus índices de aprovação perigosamente baixos, o presidente tem encontrado nos números que apontam para o arrefecimento da inflação e a retomada da atividade econômica o principal pilar de sustentação do seu mandato.

Considerando a limitação ao crescimento dos gastos governamentais imposta pela Emenda Constitucional nº 95, o que impede a adoção de uma política fiscal que induza o aquecimento da economia às custas do déficit público, hoje mais do que nunca a geração de empregos, o nível da atividade econômica, bem como dos investimentos, depende do estabelecimento de um ambiente de negócios que favoreça e estimule o aporte de recursos privados na economia brasileira.

Temos também que, com o Tesouro pressionado por uma dívida pública em níveis muito acima do que seria razoável e com prazos mais curtos em virtude da perda do “grau de investimento”, a atração do capital privado no Brasil terá de se dar em ambiente de mercado, sem as tão largamente ofertadas facilidades do crédito a juros subsidiados pelo contribuinte.

As dificuldades do governo em ofertar uma percepção de estabilidade e segurança aos investidores serão ainda maiores na medida em que esta decisão pela não impugnação da chapa que o elegeu em 2014 não corresponde a uma “absolvição” do presidente propriamente dita.

Apesar da maioria dos ministros do TSE terem, por questões de natureza processual, se manifestado por não apreciar os crimes atribuídos ao hoje presidente nas delações premiadas celebradas no âmbito da “Operação Lava Jato” – dentre outros, pelos executivos da Odebrecht e da JBS -, estes continuam a ser objeto de inquéritos e podem, em breve, motivar uma denúncia contra Michel Temer a ser apresentada pela Procuradoria Geral da República ao STF.

O fato é que o presidente Temer terá de governar, por mais de um ano e meio se chegar o ao fim de seu mandato, um país a quem ele ainda não foi capaz de apresentar uma explicação razoável e convincente, por exemplo, sobre a conversa gravada e de conteúdo nada republicano que manteve com o empresário Joesley Batista, do grupo JBS.

Esse clima de suspeição – hoje, bastante justificável – enfraquece o presidente e, caso não seja superado, lhe inviabilizará o governo. Será insustentável sua continuidade na presidência caso a sua permanência no cargo seja vista como permanentemente ameaçada pelo risco de uma delação de aliados ou ex-aliados como Eduardo Cunha, Rocha Loures e agora Henrique Eduardo Alves.

As frequentes insinuações sobre a troca do diretor-geral da Polícia Federal, num contexto em que o presidente está sendo investigado, bem como a antecipação do debate sobre a possibilidade da escolha de um novo procurador-geral fora da lista apresentada pela ANPR, alimentam as desconfianças de que o governo busca o controle das instituições e a intimidação dos agentes públicos responsáveis pela condução das investigações.

Na linguagem na qual serão expressas a larga maioria das reações nas ruas e nas redes sociais, tais medidas, aos olhos das massas, serão vistas como “ataques à Lava Jato” e podem ser, caso mantido o rumo, o caminho mais curto para encher as ruas com a maioria silenciosa que, mesmo descontente com o governo, ainda não fez roncar o asfalto contra ele.

Bom para o governo se tiver aprendido com os erros cometidos durante a tramitação da reforma trabalhista quando – ao incluir o fim da contribuição sindical na discussão, desagradando os representantes dos empregados e empregadores -, optou por um confronto desnecessário com potencial de comprometer a aprovação desta proposta cujo foco, do ponto de vista da modernização das relações de trabalho, deveria ser a consolidação da primazia do negociado sobre o legislado, conferindo maior segurança jurídica aos acordos e convenções coletivas.

Se o presidente Temer não conseguir evitar que a agenda do governo seja capturada pelas acusações que pesam contra ele – ou ainda, caso opte por incendiar ainda mais ambiente aderindo a uma pauta de “enfrentamento da Lava Jato” como querem alguns -, perderá as credenciais para estar a frente deste processo de recuperação dos fundamentos da economia que já rende os frutos de uma sensível melhora nas expectativas em relação ao Brasil, pois, mesmo que conclua seu mandato – hipótese tanto mais distante quanto forem as escolhas do governo que acarretem o agravamento da crise política -, poderá estar de tal forma enfraquecido e fragilizado que verá a noção de “governabilidade” cada vez mais deslocada para a equipe econômica, a quem caberá a exercer, de fato, a condução dos rumos do país.

Melhor para o Brasil se o governo voltar a dar centralidade a pontos como a recuperação do equilíbrio fiscal, a profissionalização da gestão das estatais, a reformulação dos critérios e condições para a concessão de crédito público, a construção de um cenário favorável ao investimento e ao empreendedorismo, entre outros temas que entendem-se urgentes num país que precisa enfrentar uma dura realidade de 14 milhões de desempregados. Quanto aos órgãos de investigação e persecução penal, que continuem a exercer suas atribuições constitucionais com toda a liberdade e independência que lhes são garantidas nas democracias modernas.


Saulo Batista é especialista em orçamento e políticas públicas, diretor de relações institucionais da Associação Nacional do Transportador e dos Usuários de Estradas, Rodovias e Ferrovias (ANTUERF) e secretário-executivo da União Geral dos Trabalhadores (UGT).


Luiz-Carlos-Borges-da-Silveira.jpg

Ricardo Callado07/06/20176min

Por Luiz Carlos Borges da Silveira

Dois assuntos importantes vem sendo discutidos diariamente no Brasil: o foro privilegiado e a imunidade parlamentar. Mas afinal, o que eles são? Para que servem? Quem são seus beneficiários? Explico-lhes. Foro privilegiado é um direito adquirido por determinadas autoridades públicas, que de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, possam ter um julgamento especial e particular quando são alvos de processos penais. Tal privilégio é concedido a indivíduos que ocupam cargos de alta responsabilidade como: Presidente da República, Vice-Presidente, o Procurador-Geral da República, os ministros e os membros do Congresso Nacional.

Para que possamos entender melhor, usarei como exemplo a própria Operação Lava Jato. Muitos devem se perguntar porque empresários, executivos e diretores de empresas privadas, assim como da estatal envolvida no escândalo, foram investigados, denunciados e julgados tendo as penas arbitradas e daí levados à prisão, enquanto políticos, alguns com grau de participação semelhante, continuam livres e parlamentares envolvidos exercendo normalmente seus mandatos?

O foro privilegiado explica, segundo a nossa constituição, a investigação e o julgamento das infrações penais de autoridades com foro privilegiado é de competência do Supremo Tribunal Federal (STF). O grande problema é que tal dispositivo acaba retardando a tramitação de processos e a aplicação de suas devidas penas e cumprimento das sentenças condenatórias, caso caiba. Não faz muito, tivemos exemplo disso com o chamado Mensalão que quase chegou à prescrever.

Outro dispositivo, este aplicado a parlamentares de todos os níveis, que igualmente protela ações e causa sensação de impunidade, é a chamada imunidade parlamentar. Esta, nada mais é que um conjunto de garantias dadas aos parlamentares (senadores, deputados federais e estaduais e vereadores) para que possam exercer as suas funções sem violações ou abusos, atuando com liberdade e independência no exercício de suas atividades sem o risco de serem processados judicialmente, garantias também expressas na Constituição Federal Art. 53 que diz: “Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”. É importante notar que originariamente não existia no texto constitucional o termo “quaisquer”, introduzido pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001. Deliberadamente a interpretação da imunidade é distorcida e ampliada.

Diz-se, com certa razão, que se tornou espécie de salvo-conduto em casos de crime comum. Muitos são exemplos de candidatos que lutam de todas as formas para se eleger e assim conseguir o mandato que lhes resguarda de delitos que não são decorrentes de opiniões, palavras e votos. Outro empecilho para punição de parlamentar são as formas de imunidades, acessórios introduzidos por óbvios motivos e interesses. Entre essas formas estão: imunidades materiais, que se dividem em absolutas e relativas, e imunidades formais, relacionadas com o foro privilegiado e os processos de prisão de parlamentar.

Quando uma denúncia contra parlamentar chega ao legislativo encontra outra barreira, o pedido de licença para abrir processo. A autorização depende de decisão da Casa Legislativa que, geralmente, nega ou protela, usando para isso o “espírito de corpo”, ou corporativismo. Isso tem base no parágrafo 3º. do Art. 53 que expressa: “Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação”. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001).

Estamos progredindo, aos poucos, mas estamos. Pode até parecer utópico, mas esse é o momento de aproveitar os bons ventos de moralização e vontade de passar o país a limpo e tentar mudar. Boa parte dos males vem do foro privilegiado e da imunidade parlamentar – e isso não é cláusula pétrea. Tal mudança não é fácil, já que a decisão final cabe àqueles que desses privilégios se beneficiam, porém a vontade de mudar faz milagre, ainda que demore algum tempo.

 

  • Luiz Carlos Borges da Silveira é empresário, médico e professor. Foi ministro da Saúde e deputado federal.

opinião.jpg

Ricardo Callado23/05/20176min

Por Ederson Marques (*)


O tempo na política é algo imensurável. Se hoje o político A é inimigo mortal de B, amanhã os dois podem se juntar, formar uma chapa majoritária e vencer uma eleição. Quem não se lembra dos azuis (PMDB de Roriz) contra os vermelhos (PT de Geraldo Magela) nas eleições de 2002 no Distrito Federal? E quem não se lembra dos mesmos PMDB e PT vencendo as eleições de 2010 com a dobradinha Agnelo Queiroz e Tadeu Filippelli? Pois é. Nada mais oportunista que a política brasileira.

O cenário de 2010 no DF foi apenas o reflexo da chapa vencedora para a Presidência da República no mesmo ano, com Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB). Hoje, o cenário de crise nacional instaurada no Palácio do Planalto é que parece reflexo da crise instaurada no Palácio do Buriti no então governo de José Roberto Arruda (ex-DEM e atual PR) com a Operação Caixa de Pandora. O Brasil, assim como Brasília, está feito barata tonta, sem saber para onde ir ou aonde quer chegar.

Se o tempo é algo imensurável na política, a prática e seus reflexos são totalmente previsíveis. Depois do governo fracassado de Arruda, eleitores brasilienses elegeram outros dois governadores: Agnelo Queiroz, que sequer chegou ao segundo turno das eleições de 2014; e Rodrigo Rollemberg (PSB). O pessebista, diga-se de passagem, está há três anos com dificuldades por conta das mazelas de seus antecessores e também mazelas próprias. Quem paga a conta é o cidadão brasiliense, que hoje convive com uma crise hídrica sem data para acabar. Isso para citar apenas algo bem democrático, que atinge toda população.

O que se vislumbra para o Brasil nas próximas eleições é o mesmo que ocorreu em Brasília nas duas últimas eleições. Para quem não lembra, o PT já dava como certa a derrota para Arruda nas eleições de 2010, tanto que Geraldo Magela abriu mão de disputar prévias contra Agnelo Queiroz para concorrer ao cargo de governador. Só depois da videoteca de Durval Barbosa ser aberta que Magela tentou retomar as prévias e aí, amigo, já era tarde demais. Sem concorrentes, porque sequer podemos chamar dona Weslian Roriz de uma pessoa política, Agnelo levou por ‘W.O’ a cadeira do Palácio do Buriti.

Sem apresentar resultados satisfatórios para a população, mesmo tendo recebido aportes do governo federal como nunca antes na história de Brasília, Agnelo não conseguiu ir ao segundo turno das eleições de 2014. A Justiça Eleitoral, sabiamente, tirou Arruda da disputa por complicações na Caixa de Pandora, sobrando para Jofran Frejat disputar o cargo aos 46 minutos do segundo tempo. Até a inversão da chapa, Rollemberg não aparecia nem nas pesquisas de segundo turno. Ao fim das eleições, outro ‘W.O’ e outro governador com índices de desaprovação altos.

A Presidência da República hoje é ocupada por um vice-presidente que jogou todas as fichas para derrubar Dilma Rousseff e ocupar seu lugar. Pesquisas indicam que ele conta com 87% de desaprovação do brasileiro. Esse índice, diga-se de passagem, foi apurado antes dos atuais escândalos de gravação do dono da JBS e que culminaram em nove pedidos de impeachment na Câmara dos Deputados.

O ex-presidente Lula também sofre alta rejeição e continua devendo muitas explicações à Justiça e ao eleitorado. A verdade é que hoje não há candidatos para a Presidência da República em 2018. Fala-se em Bolsonaro ou Ciro Gomes. Um é extrema direita, que quer matar todo mundo que não pensa como ele. E outro, apesar de posar de socialista, é um grande coronel no Ceará. Tirando esses dois nomes, o resto é mais do mesmo. Assim como Brasília convive com gestões duvidosas há quase 8 anos, o Brasil tente a conviver com o mesmo mal até que surja um novo líder político que esconda bem suas mazelas. Digo isso porque enquanto o sistema político não mudar, com uma ampla reforma política, as práticas serão as mesmas, mudando apenas os agentes.

(*) Ederson Marques é jornalista e cientista político.


Outsider-novos-políticos-1024x576.jpg

Ricardo Callado02/05/20174min

Quem já ouviu falar em “outsider”? Uma palavra até pouco tempo desconhecida, que aos poucos vai se incorporando no mundo político.

Por Delmo Menezes – Dando uma rápida olhada nos dicionários online, verificamos que o significado desta palavra se refere a um indivíduo que não pertence a um determinado grupo, cujas possibilidades de vencer são remotas. Em outras palavras, significa um “estranho” ou “intruso” no ninho. Só que qualquer estranho ou intruso, pode ser uma ameaça real aos chamados políticos tradicionais, profissionais ou de carteirinha.

Recentemente o mundo ficou assombrado com a eleição do empresário americano Donald Trump, para presidente da maior potência econômica do mundo, os Estados Unidos. Trump nunca tinha sido eleito sequer vereador. O fenômeno Trump é um retrato gigante do divórcio do eleitor com a política como a conhecemos até hoje.

O próximo presidente da França deverá ser um banqueiro de centro, Emmanuel Macron, ou a ultradireitista Marine Le Pen, desbancando candidatos tradicionais, entre eles, François Fillon, líder do partido da direta tradicional, e  Jean-Luc Mélenchon, de esquerda.

Há poucos meses, os prefeitos eleitos nas duas maiores cidades do país também foram “outsiders” da política. Um mais que o outro, mas os dois fora da política tradicional. Em São Paulo o empresário João Doria (PSDB) foi eleito no primeiro turno. No Rio o evangélico Marcelo Crivella (PRB) foi eleito prefeito no segundo turno.

No Distrito Federal, a corrida ao Buriti começa a ganhar novos ingredientes com o “tsunami” provocado pela Lava Jato. Políticos considerados profissionais ou tradicionais, começam a perder espaço, ou até mesmo serem banidos da vida pública com as delações que vieram a público e outras que ainda podem ocorrer.

Recentemente o Agenda Capital publicou uma matéria intitulada – Corrida ao Buriti: Quem sobreviverá ao “tsunami” político das delações? Esta matéria versa sobre as chances de cada pré-candidato a uma disputa majoritária ao Buriti em 2018. Um dos nomes citados na reportagem, não obstante ser um político considerado experiente, foi o do senador Antonio Reguffe (sem partido).

O senador poderia perfeitamente se encaixar como um “outsider”, pois foge aos padrões normais da política brasileira. Obteve a marca histórica de 57,61% dos votos válidos (826.576) nas últimas eleições. Reguffe confirmou ao Agenda Capital, que “apesar de não ser muito comum na política, pretendo cumprir o meu compromisso que fiz com a população, até o fim”, explicou o parlamentar.

Nomes como o deputado distrital e presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PTB), o conselheiro do TCDF, Renato Rainha (sem partido), o ex-distrital, Alírio Neto (PTB), o deputado distrital Chico Leite (Rede), não são tidos como “Outsiders“, pois são considerados políticos tradicionais.

O Distrito Federal como celeiro político, aguarda o surgimento de um ou mais nomes, que se encaixe no perfil de um “outsider”. 

Quem será o político “outsider” do DF? Faça suas apostas para as eleições majoritárias de 2018. Com a palavra o eleitor!

Da Redação do Agenda Capital



Sobre o Blog

Aos 14 anos, o Blog do Callado é um veículo consolidado, admirado por seus leitores e em sintonia com o público alvo: a população brasiliense. O blog é um site de opiniões e notícias com atualização diária, sem cunho ideológico. Dedica-se a oferecer aprimoramento da informação, com uma audiência qualificada.


NOS BASTIDORES DA CAIXA DE PANDORA

Pandora




Mídias Sociais

Twitter do Blog


FANPAGE Facebook

Facebook By Weblizar Powered By Weblizar



Enquete
Qual o melhor critério para escolha dos administradores regionais: