Caesb promove ciclo de palestras para empregados

Ricardo Callado07/11/20196min

Principais objetivos são promover a igualdade de gênero e melhorar o ambiente de trabalho

 Para melhorar a gestão, no que se refere à igualdade de gênero e à criação de um ambiente de trabalho saudável, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) elaborou o projeto Promoção da Igualdade, que é composto por palestras e rodas de conversa que versam sobre diversidade, igualdade, inclusão e combate ao assédio sexual e moral.

O projeto foi feito sob a orientação do Ministério Público do Trabalho (MPT/DF) e começou em junho deste ano. Até o momento foram ministradas palestras sobre violência contra a mulher, racismo e assédio sexual no ambiente de trabalho, assunto que também teve a divulgação de vídeos produzidos pelo MPT e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). A Secretaria de Justiça é parceira da Caesb, ajudando na escolha dos temas e indicação dos palestrantes.

A gerente da Escola Corporativa Caesb (ECO), responsável pela viabilização do projeto, Leila Amaral, explica que a Caesb pretende abordar temas como tolerância religiosa, diversidade sexual de gênero e inclusão social para Portadores de Necessidades Especiais, como forma de dar continuidade ao ciclo de palestras. “Precisamos evoluir nossa forma de pensar e agir diante de temáticas como as abordadas. É preciso respeitar o colega de trabalho com quem convivemos, mesmo que não concordemos com ele”, defende a gerente.

COMPREENSÃO DAS RELAÇÕES RACIAIS NO BRASIL

Nessa semana, para discutir o tema racismo, a Caesb recebeu a palestrante Marjorie Nogueira Chaves, coordenadora de Política de Promoção e Proteção da Igualdade Racial, da Subsecretaria de Políticas de Direitos Humanos e de Igualdade Racial do DF. A palestra teve como objetivo oferecer subsídios para os gestores e servidores da Companhia para a compreensão das relações raciais no Brasil e a constituição das ações e políticas de promoção da igualdade racial.

Durante duas horas, Marjorie, que é Doutoranda em Política Social pela Universidade de Brasília e pesquisadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UnB, falou sobre racismo e seus elementos, como estereótipo, preconceito e discriminação. De acordo com ela, o racismo parte da suposição de que há uma desigualdade natural e biológica entre grupos e os grupos considerados inferiores passam a ser objetos de discriminação racial. Ela explicou que o racismo pressupõe que há uma superioridade moral, intelectual e estética por parte dos brancos e que a superioridade pressupõe opressão. “A desconstrução do racismo é complicada porque há leis para conter o racismo e a discriminação, mas o preconceito não há como ser coibido e eliminado porque é íntimo”, lamenta a coordenadora.

Marjorie argumentou que todos deveriam estar comprometidos na promoção da igualdade social uma vez que essa não pode ser considerada uma coisa normal.  “O racismo não é um problema de negros porque não foram eles que o inventaram. A sociedade civil organizada tem poder e precisa se mexer”, defendeu.

A Constituição Federal de 1988, no seu artigo 5º, estabelece que todos são iguais perante a lei. Essa foi a primeira Constituição a incluir o racismo como crime inafiançável, imprescritível e passível de pena. No entanto, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostra que o patamar de educação alcançado em 2015 pelos negros foi o mesmo que os brancos tinham em 1995. Outro estudo do IPEA aponta que, no Brasil, a probabilidade do negro ser vítima de homicídio é oito pontos percentuais maior, mesmo quando são comparados indivíduos com escolaridade e características socioeconômicas semelhantes.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2019, estudo divulgado pela Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta que em 2018, dos 45 homicídios com vítimas do sexo feminino e 28 feminicídios, 61% foram cometidos contra mulheres negras.

Ricardo Callado

Jornalista, blogueiro, escritor e consultor político. Exerceu a função de secretário de Comunicação Social do Governo do Distrito Federal. Foi Diretor de Redação do Grupo Comunidade de Comunicação – responsável pelos jornais da Comunidade e O Coletivo. É autor do livro PANDORA – e outros fatos que abalaram a política de Brasília.


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