Após desabamento, viadutos de Brasília passam por vistorias

Ricardo Callado14/02/20188min

Depois do desabamento de parte do viaduto na área central de Brasília, há uma semana, os principais viadutos e pontes da capital do país estão passando por vistoria. O trabalho avançou durante o feriado prolongado de carnaval e deve prosseguir nos próximos dias.

Em meio à programação de folia dos blocos de rua, equipes da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), do Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF) e da Defesa Civil acompanham as obras de escoramento do viaduto que desabou no Eixo Rodoviário Sul, conhecido como eixão.

A estrutura em torno do bloco que caiu está recebendo vigas de sustentação e a expectativa é de que até a próxima quinta-feira (15) a passagem esteja liberada para pedestres e veículos.

“São várias ações. Primeiro é permitir o fluxo contínuo dos carros no Eixão com duas alças, cada uma delas com três faixas. Recuperando o fluxo contínuo do Eixão, a gente pode retomar a normalidade na cidade, não ter esses engarrafamentos que estão acontecendo por conta do desabamento do viaduto. A segunda ação é terminar o escoramento de toda a estrutura. É um trabalho lento porque a gente tem que fazer com segurança”, explicou à Agência Brasil o engenheiro Márcio Buzar, diretor do DER-DF.

Segundo Buzar, ainda há risco de desabamento no local, por isso o trabalho de garantir a estabilidade da estrutura tem sido intenso. Desde a queda do viaduto, 200 profissionais (150 no turno do dia e 50 à noite) trabalham na área das 7h às 23 horas. Encerrada a etapa de escoramento do viaduto, o espaço será liberado para coleta de amostras para análise por técnicos da Universidade de Brasília (Unb).

Brasília - O bancário Lindenberg Igor Silva teve o carro destruído no viaduto que desabou há uma semana na região central de Brasília (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O veículo do bancário Lindenberg Igor Silva ainda está sob a estrutura que desabou (foto Marcelo Camargo/Agência Brasil)

 

A estrutura que desabou ainda não foi removida do local. Quatro carros ainda estão embaixo do bloco que se rompeu do viaduto. O proprietário de um dos veículos tem ido diariamente ao local do acidente para checar como será a remoção da estrutura. “O que a gente precisa é ter uma noção de como teremos acesso ao veículo para retirar bens materiais nossos que estão lá, documentação, carteira, esse tipo de coisa”, relatou o bancário Lindenbergue Igor Silva.

Monitoramento

Enquanto as obras no viaduto do Eixão Sul prosseguem, especialistas do DER, Novacap e Defesa Civil vistoriam as quatro principais pontes de Brasília, entre elas, a Ponte do Bragueto, que liga a Asa Norte ao Lago Norte e dá acesso à BR 0-20 e é um dos pontos de Brasília que aparece no relatório do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TC-DF) com necessidade de reparos.

Moradores da região chegaram a fazer na última semana um abaixo-assinado online pedindo manutenção da ponte. Depois da pressão popular, a ponte foi inspecionada no último sábado (10) por uma comissão de especialistas. Os profissionais dos órgãos responsáveis avaliaram o interior da Ponte, todos os pilares e as vigas de sustentação.

Segundo o DER-DF, a equipe concluiu inicialmente que o sistema estrutural pode ser considerado “preservado” e não apresenta nenhum problema que afete a segurança da ponte. No entanto, foram instalados na ponte sensores para monitorar a movimentação sobre a ponte e enviar informações sobre vibrações e deslocamento da estrutura para um computador.

Brasília - Parte inferior da Ponte do Bragueto está sendo monitorada pela Defesa Civil e pelo Departamento de Estradas de Rodagens do DF (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Parte inferior da Ponte do Bragueto está sendo monitorada pela Defesa Civil e pelo Departamento de Estradas de Rodagens do DF )foto Marcelo Camargo/Agência Brasil)
 

As equipes também estão recompondo as lajes que foram danificadas pela colisão de veículos altos que passaram sob a ponte em desrespeito à sinalização que indica a altura limite de quatro metros.

“Hoje, a ponte não tem risco de ruir, mas não podemos conviver com esse tipo de defeito. Isso não pode acontecer, a sinalização tem que ser respeitada. Vamos fazer umas barreiras anteriores, além da sinalização que existe e é boa, queremos fazer uma barreira com poste pra que o motorista seja alertado, inclusive com barulho, algum tipo de sirene, talvez, isso pode estar sendo fabricado lá no DER”, disse Márcio Buzar.

A Ponte Honestino Guimarães, que liga a Asa Sul ao Lago Sul, também passou por vistoria no feriadão. Segundo o GDF, os representantes da Defesa Civil, da Novacap e da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos avaliaram nesta segunda-feira (12) que a estrutura externa e interna da ponte está fora de perigo e que os veículos podem continuar trafegando no local. A ponte deve receber nos próximos dias sensores de monitoramento como a ponte do Bragueto.

Segundo o DER, a ponte JK sempre teve monitoramento e os técnicos consideram que ela está sem risco. Até amanhã, a ponte das Garças, outro ponto de ligação para o Lago Sul deve passar pela vistoria e receber os sensores de monitoramento.

Ricardo Callado

Jornalista, blogueiro, escritor e consultor político. Exerceu a função de secretário de Comunicação Social do Governo do Distrito Federal. Foi Diretor de Redação do Grupo Comunidade de Comunicação – responsável pelos jornais da Comunidade e O Coletivo. É autor do livro PANDORA – e outros fatos que abalaram a política de Brasília.


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