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Ricardo Callado10/08/20183min

A Executiva Regional do Partido Socialista Brasileiro (PSB) divulgou na manhã de hoje, uma nota oficial em defesa do governador Rodrigo Rollemberg, citado em uma série de denúncias de irregularidades no Governo do Distrito Federal, na operação 23:12, deflagrada pela Polícia Civil do DF. O escandaloso esquema batizado de Buritilão cita uma suposta organização criminosa envolvendo pessoas ligadas diretamente ao governador Rollemberg. No centro do escandaloso esquema está o irmão mais novo do chefe do Executivo local, Carlos Augusto Sobral Rollemberg.

Na nota oficial, o PSB defende Rollemberg e culpa os investigadores, a Polícia Civil, a imprensa e o sindicato dos polícias civis. Em um trecho diz que às vésperas do começo da campanha eleitoral “é revelador do maquiavelismo e da perversa ação política que parte da Polícia Civil se envolveu”. Veja a íntegra da nota

 

Nota do PSB

1. O vazamento de parte do inquérito policial que investiga um suposto tráfico de influencia no Governo de Brasília às vésperas do começo da campanha eleitoral é revelador do maquiavelismo e da perversa ação política que parte da polícia civil se envolveu.

2. Não se trata de um investigação séria e consistente e sim de um libelo político com o claro objetivo de impedir a reeleição do governador Rodrigo Rollemberg. Não conseguirão!

3. Juntar três atos de Governo, dos quais dois deles de três anos atrás, sem qualquer relação entre si também revelam o quanto parte da polícia civil – orientada por sindicalistas – faz campanha política contra a reeleição do governador Rollemberg.

4. Não à toa a operação de busca e apreensão ocorreu exatamente um dia depois da coligação “Mãos limpas” do governador Rollemberg ter lançado o seu slogan de campanha eleitoral.

5. Do mesmo modo, não é coincidência o vazamento do noticiário ter ocorrido num portal comandando da cadeia por um presidiário que, por sua capacidade financeira acumulada em negócios escusos, ainda se vê como “dono” de políticos.

6. O Partido Socialista Brasileiro se solidariza com o governador Rollemberg e seu governo, repudia e denuncia a covarde e vil articulação política que envolve parte de integrantes da polícia civil, da imprensa leviana e daqueles políticos que já foram presos e que ainda tentam retornar ao poder. Não conseguirão!

Executiva do PSB-DF


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Ricardo Callado10/08/201833min

O portal Metrópoles teve acesso ao inquérito sigiloso que investiga uma suposta organização criminosa no Governo do Distrito Federal. O documento aponta Carlos Augusto Rollemberg, o Guto, irmão do governador Rodrigo Rollemberg (PSB), como personagem central de um escandaloso esquema. A reportagem é assinada pelas jornalista Lilian Tahan e Gabriella Furquim. O esquema, batizado de Buritilão, mostra Guto caracterizado como “ponto focal” de diversas ingerências junto à administração pública e com alto poder de “motricidade” perante o governo, embora não exerça nenhum cargo no GDF. Veja a integra da reportagem:

Por Lilian Tahan e Gabriella Furquim

A certa altura, Léo, como é tratado, afirma ter sugerido a Guto, irmão de Rollemberg, que determinasse para Sérgio Sampaio (chefe da Casa Civil) providenciar o pagamento às empresas de Nabil Nazir El Hage, proprietário do Grupo Home. O fato causou estranheza aos investigadores, visto que Guto não exerce nenhum cargo no governo.

O que se mostrou no dia da Operação (12:26), realizada na última terça-feira (7/8), foi apenas ínfima parte de uma suposta organização criminosa envolvendo pessoas ligadas diretamente ao governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB). No centro do escandaloso esquema está o irmão mais novo do chefe do Executivo local, Carlos Augusto Sobral Rollemberg.

Alvo de interceptações telefônicas da Polícia Civil a partir de autorização judicial, o advogado Guto — como descrito nos autos do Inquérito nº 386/2018 –, é caracterizado como “ponto focal” de diversas ingerências junto à administração pública e com alto poder de “motricidade” perante o governo, embora não exerça nenhum cargo no GDF. O Metrópoles teve acesso à íntegra da investigação e a revela com exclusividade.

A partir de uma série de diligências, como escutas telefônicas, campanas que flagraram encontros, análise de documentos e depoimentos colhidos, a Polícia Civil concluiu que há envolvimento de 10 pessoas no esquema de tráfico de influência, advocacia administrativa, além de indícios de prática de corrupção.

Nove dos 10 alvos da Coordenação Especial de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e aos Crimes contra a Administração Pública (Cecor) são: Carlos Augusto Sobral Rollemberg, Luiz Fernando de Souza Messina, Leonardo Rocha de Almeida Abreu, Guilherme Rocha de Almeida Abreu, Marcello Nóbrega de Miranda Lopes, Flávio Dias Patrício, Hermano Carvalho, Augusto Diniz, Marcos Woortmann. Um dos investigados morreu em julho.

Segundo o delegado que coordena a Operação (12:26), Fernando César Costa, “saltam aos olhos os indícios que o acordo ilícito está assentado de forma duradoura, haja vista que há atos concretos de crimes praticados pelos investigados há aproximadamente três anos, com ocorrências destacadas em 2015, 2017 e 2018”.

De acordo com o processo que soma 195 páginas, “cada um em seu campo de atuação, em clara divisão de tarefas, praticou diversos atos visando beneficiar particulares perante a administração pública”. A peça segue salientando que o esquema se estrutura “em grupo central relativamente rígido para administração das atividades criminosas”.

No âmbito do Inquérito Policial nº 386/2018, os delegados da Cecor descrevem sete episódios que comprovariam, segundo sustentam, a existência da organização criminosa gerenciada a partir do coração do GDF, a poucos metros de onde despacha o governador. Em função das interceptações telefônicas de seu irmão Guto, Rollemberg também caiu no grampo.

A partir do detalhamento das investigações, constatou-se que o suposto esquema criminoso estava enfronhado nas mais diferentes áreas do governo, entre as quais as secretarias de Saúde, Território e Habitação, Justiça, Casa Civil, além da Companhia Energética de Brasília (CEB) e das administrações regionais do Lago Norte e de Águas Claras.

Há ainda várias repartições que tangenciam as apurações centrais da polícia, como as da Procuradoria-Geral do DF, Controladoria-Geral do DF e Consultoria Jurídica do governador.

“The Comission”
De acordo com o inquérito, no dia 26 de agosto de 2015, a associação criminosa teria praticado diversos atos para que o Hospital Home recebesse o pagamento no valor de R$ 1.071.302 a título indenizatório e sem cobertura contratual.

A quitação, segundo as apurações, se concretizou no dia 30 de setembro, data compatível, segundo sustentam os investigadores, com as tratativas realizadas nos diálogos obtidos durante os procedimentos de interceptação telefônica. As conversas revelam, como descreve o inquérito, “intermediação de funcionários públicos e terceiros, estranhos aos quadros da administração, para que tal pagamento fosse efetivado”.

Na página 7 do inquérito policial, os delegados apontam expressões usadas pelos envolvidos para tratar de negócios escusos. “Salienta-se que, durante os diálogos, os interlocutores usam termos como ‘the comission’ e ‘achar denominador comum’ a demonstrar que vantagens indevidas foram solicitadas”, diz trecho do documento.

Em 10 de julho de 2015, Leonardo Rocha de Almeida Abreu, que é irmão de Guilherme Rocha de Almeida Abreu (chefe de gabinete da Casa Civil), manteve diálogo com Luiz Fernando de Souza Messina, ex-assessor do deputado distrital Rodrigo Delmasso (PRB).

A certa altura, Léo, como é tratado, afirma ter sugerido a Guto, irmão de Rollemberg, que determinasse para Sérgio Sampaio (chefe da Casa Civil) providenciar o pagamento às empresas de Nabil Nazir El Hage, proprietário do Grupo Home. O fato causou estranheza aos investigadores, visto que Guto não exerce nenhum cargo no governo.

Segundo a apuração da polícia, Leonardo Abreu também pertence ao grupo central da organização criminosa, “de forma sucinta se mostra como o articulador do grupo”, revela trecho do documento. Como apontam os policiais, Léo gerencia diversas frentes e faz a aproximação de outros atores a Guto Rollemberg.

Veja a transcrição da conversa entre Léo e Messina

Reprodução

Um mês depois, no dia 11 de agosto de 2015, novamente Leonardo e Messina conversam sobre a influência de Guto e a atuação de Guilherme Rocha de Almeida Abreu, então chefe de gabinete da Casa Civil do DF. Na ocasião, eles utilizam o termo “the comission” – em tradução livre, “a comissão”.

Os dois trechos, segundo os investigadores, apontam “fortes indícios do crime de tráfico de influência, haja vista que as supostas ingerências deveriam ser remuneradas”.

Reprodução

As investigações policiais em parceria com promotores de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) demonstram que o tempo passou e o suposto esquema de ingerência teria crescido, criando tentáculos em vários órgãos de governo. Em um dos casos, o inquérito relata que no dia 27 de abril de 2018, Carlos Augusto Rollemberg praticou tráfico de influência junto à CEB para a ligação de energia em um prédio.

Na ocasião, um indivíduo chamado Douglas pede para Guto interceder junto à CEB para fazer uma ligação de energia elétrica. “Salienta-se que Douglas pergunta se Guto irá falar com o número 1, ou seja, o governador do DF”, destacam os investigadores.

Em seguida, Douglas telefona novamente para Guto e diz que não é para ligar a energia do prédio inteiro e, por isso, não precisa falar com o governador. Guto, então, decide acionar Sávio, presidente do Conselho da CEB. Assim, os policiais descrevem a investida do irmão mais novo do governador: “Firme em seu intento de influenciar na administração pública, Guto liga para Sávio solicitando que atenda o pedido de Douglas”.

Embora nunca tenha exercido função no GDF, mais um episódio, segundo os policiais, deixa clara a influência do irmão do governador na empresa pública do GDF. No último dia 21 de junho, Guto recebeu uma ligação de Ivan Vilela Matos Valença, cuja família é proprietária do Shopping Casa Park, falando sobre a inauguração de uma usina de energia fotovoltaica no centro comercial.

Ivan justifica, durante a ligação, o motivo de seu contato: faltava a CEB aprovar o projeto, e ele estava preocupado de a empresa atrapalhar o processo.

Na sequência da narrativa policial, os investigadores apresentam o relato de um trecho de conversa que daria ainda mais detalhes sobre o poder de Guto em resolver assuntos de dentro do governo.

Veja trecho do inquérito:

Reprodução

Rollemberg cai no grampo
Também no mês de junho, outros diálogos de Guto foram usados no inquérito policial como prova de que o irmão do governador tentava se beneficiar do poder exercido por ele.

No fato em questão, Guto pede a Rollemberg que interceda para favorecer seu cunhado, irmão da esposa dele: Roberta Almeida Pedrosa Rollemberg. Segundo a polícia, Guto realizou diversas ligações “visando beneficiar Renato Almeida Pedrosa, identificado em fontes abertas como delegado da Polícia Civil do Ceará”.

“As frações significativas dos diálogos interceptados levaram a crer que interlocutores pediram que Rodrigo Rollemberg falasse com o governador do Ceará, Camilo Santana, para liberar o servidor para cessão ao Senado Federal recebendo salário pelo estado do Ceará”, detalha trecho do Inquérito nº 386/2018.

O que se segue na peça da polícia são dois diálogos interceptados no mesmo dia. O primeiro é entre Guto e sua esposa, Roberta. Logo após, é transcrito o conteúdo de conversa mantida entre Guto e Rodrigo Rollemberg:

Reprodução

Pedido indecoroso

Dois dias depois, Guto liga novamente para o irmão Rodrigo Rollemberg com o objetivo de tratar do assunto. Ele pergunta se o governador conseguiu falar com Camilo, chefe do Executivo no Ceará.

Rodrigo Rollemberg diz que não, que tentou várias vezes, mas que Camilo teria ficado de retornar e não retornou. Guto diz que Renato vai “brecar lá, pois ele não pode vir para receber R$ 5 mil, visto que ganha R$ 22 mil”.

Guto, então, pergunta para Rodrigo como que eles vão “brecar isso”. Rodrigo diz que é só ele não vir. E que vai tentar falar de novo com Camilo. Neste momento, os investigadores citam que se ouve ao fundo o pedido de Rodrigo Rollemberg para que alguém acionasse o governador do Ceará.

Segundo relatam os investigadores, “Rodrigo diz que acha que ele (Camilo) não vai liberar com ônus para o estado”. Guto pede para Rodrigo mandar uma mensagem “se conseguir falar lá”.

“Dar uma canetada”
Diagrama desenhado no inquérito para evidenciar a importância de cada um dos personagens da suposta organização criminosa desvelada pela polícia posiciona Guto no centro, exercendo papel de protagonista. Em mais um exemplo citado no inquérito, o irmão de Rollemberg é acionado por interlocutor do senador Wilson Santiago (MDB) para interceder junto ao processo de instalação de um posto do Na Hora.

 

O pedido é registrado em interceptação que, primeiro pega o interlocutor Hélio e, dois dias depois, flagra o próprio senador emedebista Wilson Santiago ligando para Guto.

No dia 7 de maio de 2018, o senador telefona para Guto e pede para marcar uma reunião entre ele e o governador, pois, segundo o parlamentar, ele “tem um assunto importante”. Fica clara, de acordo com os policiais, a ingerência e a liderança que Guto exerce mesmo sem ocupar cargo na administração pública.

Durante conversa entre Hélio e Guto, o interlocutor do senador diz que está precisando de um favor, pois o político construiu um shopping em Samambaia e vai levar o Na Hora para lá. Afirma ainda que o estabelecimento deve ser inaugurado em outubro, mas estaria precisando de alguém para “dar uma canetada” e finaliza dizendo que “foram feitos estudos”.

Medo do pente-fino
As interceptações não deixam dúvidas, segundo a polícia e o MPDFT, do tamanho da influência de Guto em diferentes setores do GDF. Em um dos grampos, o irmão do governador conversa com Marlon Costa, ex-administrador de Taguatinga e homem da mais alta confiança de Rollemberg. No diálogo, Marlon demonstra preocupação com um “pente-fino” na administração de Águas Claras.

Marlon: “Você (Guto) lembra uma vez que você tinha pedido uma situação lá em Águas Claras, uma pessoa…”

Guto: Sei.

Marlon: A gente chegou a nomear ela lá, ou não? Você lembra?

Guto: Poxa, Marlon!

Marlon: Qual o nome dela? Você lembra o nome dela?

Guto: Em Águas Claras? Será que é a Núbia?

Marlon, então, diz que vai dar uma olhada porque estariam fazendo um pente-fino (na administração de Água Claras). Guto diz que lembra do pedido, mas não se recorda do nome da pessoa.

Reprodução

Áudios reveladores
O Metrópoles teve acesso a áudios que integram a farta investigação policial. Em um deles, dois servidores da Secretaria de Justiça e Cidadania reclamam da ingerência do chefe de gabinete da Casa Civil, que acumulava, na época, o comando da Secretaria de Justiça. Guilherme Rocha de Almeida Abreu teria feito investidas, segundo relatam seus subordinados nas gravações, para prorrogar contrato da ampliação do Complexo Penitenciário da Papuda.

A conversa é travada entre o delegado de polícia Haendel Fonseca (então chefe de gabinete da Secretaria de Justiça) e Manoel Luiz Camilo de Morais (responsável da Unidade de Assuntos Funerários). Os dois conversam em tom de indignação que, segundo a decisão da Casa Civil, o governo perderia R$ 24 milhões. A medida serviria ainda para forçar o GDF, de acordo com a conversa, a arcar com as consequências de possível quebra de contrato, o que geraria indenização milionária.

Reprodução

R$ 500 mil para campanha
Uma das empresas que integram o consórcio da reforma do presídio é a Construtora Triunfo. A companhia doou R$ 500 mil para a campanha de Rollemberg em 2014, como indica a prestação de contas registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Reprodução / TSE

 

No diálogo entre Haendel e Morais, o delegado então lotado na Sejus diz que estava assustado e nunca tinha visto uma solução “tão criminosa como essa”. “Será que eles não sabem que Ministério Público, Tribunal de Contas, Polícia Federal e Caixa Econômica estão avisados disso?”

Sem explicitar a doação de campanha, Morais prevê que “essas autoridades irão responder quando perderem a caneta”. Haendel, em complementação do que diz seu interlocutor, afirma não acreditar que Guilherme esteja levando algum benefício financeiro com a ação, “pois o dinheiro já havia sido entregue ao governador bem antes, na campanha ou mesmo no governo de transição”.

Operação (12:26)
Nas primeiras horas da última terça-feira (7), um dia depois de o governador Rollemberg lançar sua chapa de candidatura à reeleição sob o slogan “Brasília de Mãos Limpas”, foi deflagrada a Operação (12:26) da Polícia Civil em parceria com a 1ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Durante a ação, que mobilizou 54 policiais e 12 delegados, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em Brasília e em São Paulo.

As equipes estiveram na sede do Palácio do Buriti para recolher documentos e mídias que pudessem ajudar na investigação. Os mandados tinham seis alvos: o então assessor especial da Casa Civil Marcello Nóbrega; o administrador do Lago Norte, Marcos Woortmann; Leonardo Rocha de Almeida Abreu (irmão de Guilherme, chefe de gabinete da Casa Civil); Luiz Fernando Messina (ex-assessor do deputado distrital Rodrigo Delmasso) e Hermano Gonçalves de Souza Carvalho (ex-secretário de Desenvolvimento Econômico da gestão de Agnelo Queiroz e também ex-assessor de Delmasso).

Outro que esteve na mira da operação de busca e apreensão foi Marcelo Carvalho de Oliveira, que é ex-executivo do Grupo Paulo Octávio.

Shopping Iguatemi
Paulo Octávio é um dos donos do Shopping Iguatemi, empreendimento no centro das investigações policiais. Segundo os delegados que atuaram no caso, houve forte ingerência de lobistas ligados ao centro comercial para a aprovação do aumento do potencial construtivo do empreendimento, o que, obviamente, anabolizaria a lucratividade do negócio.

Os policiais colheram várias evidências, incluindo fotos de encontros, que demonstram a intensa articulação em torno da aprovação da mudança de potencial construtivo.

A polícia conseguiu detalhar informações como as que revelam reuniões de executivos do shopping com o próprio governador Rollemberg e demais integrantes do GDF.

O inquérito aponta que foram praticadas “ingerências” para que Flávio Dias Patrício, representante do Grupo Iguatemi, participasse de reunião no Palácio do Buriti no dia 3 de abril de 2018, “visando que a empresa obtivesse a alteração do coeficiente de ocupação”.

Léo Abreu e Flávio Patrício mantiveram diálogo em que o primeiro orienta o colega sobre como “se portar” na reunião no Palácio do Buriti para favorecimento ao Grupo Iguatemi. Leonardo sugeriu ao interlocutor que jogasse “aquele número mais alto para ficar naquele meio que dava certo”. Referia-se aos percentuais de 1,5% e 1% de aumento do potencial construtivo.

Em outro trecho, os investigadores dizem que chama atenção no diálogo quando Léo diz para Flávio: “Estamos fazendo isso, isso e isso, mas o meu mínimo para fazer isso é isso”.

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Buscas e apreensões
Embora os alvos de investigação da Polícia Civil e do MPDFT sejam de, pelo menos, 10 pessoas, a 4ª Vara Criminal de Brasília não autorizou as buscas e apreensões em todos os endereços pedidos pelas autoridades policiais durante a Operação (12:26). Em alguns casos, o juiz Aimar Neres de Matos considerou que as medidas não eram adequadas.

O nome Operação (12:26) faz referência ao provérbio bíblico do Antigo Testamento que diz: “O homem honesto é cauteloso em suas amizades, mas o caminho dos ímpios o leva a perder-se”.

O outro lado
No mesmo dia em que a Operação (12:26) foi deflagrada, o GDF emitiu nota para esclarecer pontos específicos divulgados até então pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. No documento, o governo nega as acusações feitas pelos investigadores sobre a existência da prática de advocacia administrativa e tráfico de influência.

No caso do possível lobby para expansão do Shopping Iguatemi, o governo local defendeu-se ao sustentar que os pedidos do grupo empresarial não haviam sido atendidos. “Foram realizadas várias reuniões e audiências públicas, no âmbito da Luos, e o Executivo não encaminhou qualquer alteração para a Câmara Legislativa do Distrito Federal. A demanda da revisão foi sobrestada pela Secretaria de Estado de Gestão do Território e Habitação (Segeth) até a conclusão das investigações”, pontuou no texto.

Hospital Home
Sobre o repasse feito ao Hospital Home, de R$ 1 milhão, a gestão Rollemberg registra que “quando o atual governo assumiu, existiam serviços realizados por diversos fornecedores e não pagos, na ordem de R$ 600 milhões, sem contratos. Ao longo dos anos foram regularizados os pagamentos, de acordo com a legislação. Hoje, esses serviços têm contratos”, segundo informa nota assinada pela Secretaria de Comunicação.

Ainda de acordo com o GDF, o servidor Marcello Nóbrega – um dos personagens investigados – pediu exoneração do cargo comissionado que ocupava na Secretaria da Casa Civil, Relações Institucionais e Sociais.

O deputado Rodrigo Delmasso disse, por meio de nota, que determinou a exoneração de Hermano Gonçalves. “Não oriento e não tolero nenhum tipo de desvio de conduta dos meus assessores. Meu mandato é exercido pautado na ética, transparência e legalidade”, assegurou.

Também em nota, o Shopping Iguatemi Brasília esclarece que todos os requerimentos inerentes aos planos de expansão do empreendimento foram devidamente protocolados atendendo aos trâmites legais.

A defesa de Marcelo Carvalho, ex-integrante do grupo Paulo Octávio, sustenta que desconhece os fatos e que seu cliente não trabalha para o grupo há oito anos. Afirmou ainda que a utilização do nome de Marcelo Carvalho “é um equívoco”.

Da mesma forma, o Hospital Home “nega com veemência qualquer pagamento indenizatório e sem cobertura contratual”. A unidade afirma ainda que os repasses feitos pela Secretaria de Saúde ao longo do contrato e seus aditivos foram antecedidos de solicitações da própria pasta, constando o valor na nota fiscal”.


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Ricardo Callado08/08/20185min

Cerca de 120 minutos de Interceptações telefônicas autorizadas pela justiça e farta documentação apreendidas pela “Operação 12:26”, da Polícia Civil nesta terça-feira (07/08), sujou a imagem de um governo que posava de honesto e que, até antes disso, dizia que todos os “diabos” pertenciam apenas aos adversários políticos. No entanto, o inferno está mesmo é no Buriti

Por Toni Duarte//RADAR-DF

Vinte quatro horas após a deflagração da “Operação 12:26”, que investiga tráfico de influência, corrupção e roubalheira do dinheiro público no GDF, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB), não dormiu direito essa noite.

Rollemberg está preocupado com o que pode vomitar o seu homem de confiança e fiel escudeiro Marcelo Nóbrega, principal alvo das investigações realizadas pela Coordenação Especial de Combate ao Crime Organizado (Cecor).

O farto material recolhido pela Polícia Civil do Distrito Federal, entre horas de gravações e documentos, autorizado pela 4ª Vara Criminal, é o que mais atormenta o governador que está em campanha pela reeleição, a qual a batizou com o sugestivo nome “Brasília de mão limpas”.

Desde quando estourou as primeiras denúncias de corrupção, envolvendo Marcelo Nóbrega, apuradas pela CPI da saúde da Câmara Legislativa, em junho de 2016, que o governo Rollemberg vinha protegendo e escondendo, com muito cuidado, o homem que é íntimo de muitos anos da família do governador.

Nestes últimos dois anos, Nóbrega trocou de emprego dentro do GDF, passou pelo Governo Federal e trabalhou no gabinete de um senador do PSB no Senado. Em seguida retornou para um cargo de assessor e despachava em uma sala ao lado do gabinete do governador no Palácio do Buriti.

Conforme aponta as investigações policiais, Marcelo Nóbrega além de ser investigado pela operação (12:26), também aparece nas investigações sobre uma suposta fraude ocorrida na concessão do serviço de transporte público coletivo, bem como na Operação Drácon.

A operação (12:26) cumpriu 15 mandados de busca e apreensão em Brasília e em São Paulo e Marcello Nóbrega não é o único envolvido. Outros investigados são: o administrador do Lago Norte, Marcos Woortmann e Leonardo Rocha de Almeida Abreu, irmão do chefe de Gabinete da Casa Civil, Guilherme Rocha de Almeida Abreu.

A lamaçal é grande e tornou-se pauta de discussão nesta quarta-feira entre os integrantes da mesa diretora da Câmara Legislativa. O colegiado promete exigir maiores esclarecimentos do governo em relação ao assunto.

Para o deputado Alberto Fraga (DEM), pré-candidato ao Buriti, “Brasília está de mãos limpas, mas Rollemberg está de mãos sujas”, disse.

Fraga detalhou ainda:

“Um governo que monta um esquema mafioso dentro do BRB e do próprio Buriti para roubar o dinheiro do povo, é um governo de mãos sujas. Sujas porque mata crianças e adultos por falta de atendimento nos hospitais; sujas por abandonar cidadãos de bem que estão refém da violência e da criminalidade por ter sucateado a segurança pública; suja pela desastrosa gestão que nos últimos quatro anos transformou Brasília em um caos com viadutos caídos e pontes rachadas. Esse é um governo sujo, corrupto e irresponsável que o povo saberá se livrar nestas eleições”, acredita Fraga.


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Ricardo Callado28/07/20183min
Foto: Bruno Spada/Assessoria Rollemberg

O PSB oficializou, na manhã deste sábado (28), a candidatura de Rodrigo Rollemberg à reeleição ao Governo do Distrito Federal em outubro. O nome do socialista foi validado pelos filiados durante a convenção partidária da legenda, no Salão de Múltiplas Funções do Cave. Durante o encontro, o PSB-DF também anunciou Leany Lemos, ex-secretária de Planejamento, Orçamento e Gestão, candidata ao Senado Federal.

Além das duas candidaturas majoritárias, o PSB indicou sete nomes para concorrer à Câmara dos Deputados e 35 à Câmara Legislativa. À militância, Rollemberg discursou por quase meia hora. Citou as realizações do governo e o combate à corrupção. “Assumimos o governo com três grandes objetivos: combater a corrupção, arrumar a casa e fazer investimentos que melhorassem a vida da nossa gente. Hoje, até os adversários reconhecem que temos um governo honesto, um governo que tirou Brasília das páginas policiais”, disse.

Rodrigo Rollemberg citou investimentos e melhorias realizadas durante o seu mandato e foi oficializado candidato à reeleição. “Se tivemos a capacidade de fazer o que fizemos pegando Brasília do jeito que estava, imaginem o que podemos fazer se pegarmos Brasília com a casa arrumada. Vamos para as ruas das cidades dialogar, ouvir as reclamações, as reivindicações e, assim, construir com a população um novo DF. A população não quer a volta dos demônios que roubaram e saquearam a nossa cidade. Para os demônios, temos um recado: Brasília vai lavar a jato toda demagogia, toda irresponsabilidade e toda corrupção. A corrupção tira a segurança das famílias, as escolas das crianças e rouba a esperança de toda uma geração. Estamos juntos porque fazemos a nova política. A nova política é governar com honestidade, responsabilidade. Pois isso garante recursos para os que mais precisam. Quero dizer a vocês: vamos sair daqui hoje cheios de esperança, de energia, unidos pela causa que sempre nos moveu: amor por Brasília.”

O socialista finalizou o discurso pedindo que a militância mantenha uma campanha propositiva, sem baixarias ou ataques. “Temos que andar nas cidades de cabeça erguida. Temos que reconhecer que não fizemos tudo que queríamos. E é exatamente por isso que queremos ficar mais quatro anos. Já provamos que podemos fazer e faremos muito mais. Casa arrumada. Hora da virada”.

 


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Ricardo Callado25/07/20182min

Em encontro realizado na manhã desta quarta-feira (25), a Executiva Nacional da Rede Sustentabilidade confirmou apoio à candidatura de reeleição do governador Rodrigo Rollemberg (PSB).

O anúncio oficial será feito no dia 2 de agosto, quando a Rede confirmará publicamente a aliança durante a convenção do partido. Além da Rede, Rollemberg já conta com o apoio do Partido Verde (PV).

Durante discurso, Rollemberg agradeceu o apoio e lembrou a trajetória da Rede. “Me orgulho e tenho muita alegria de lembrar que fui o elo de ligação entre a Rede e o PSB, quando defendemos e vencemos o direito da Rede de se organizar como partido. Depois, tivemos a união com Eduardo Campos e Marina Silva na eleição passada. Fico feliz por ter esse elo novamente com a minha figura, a do Chico Leite (Rede) e a da Leany Lemos (PSB), pré-candidatos ao Senado, além dos outros pré-candidatos. O que estamos fazendo aqui hoje é um elo de muita coerência com a nossa trajetória política”, explicou.

O governador ressaltou ainda o motivo da aliança entre os partidos. “Quando assumimos o governo, com a Rede nos apoiando, propusemos combater a corrupção e fazer investimentos que melhorassem a vida da nossa gente. E fizemos! Até os adversários reconhecem que fizemos um governo sério. Tivemos a coragem de tomar medidas difíceis, mas que hoje nos permitem dizer que estamos em uma situação melhor do que a maioria das unidades da federação, que não tiveram a coragem de fazer o que fizemos”, completou.


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Ricardo Callado25/07/20184min

No próximo sábado (28/7), o Partido Socialista Brasileiro (PSB-DF) bate o martelo com os filiados e anuncia os nomes que vão concorrer a um cargo eletivo nas próximas eleições, em outubro. O governador Rodrigo Rollemberg será oficializado como candidato à reeleição ao Governo do Distrito Federal. Os postulantes às cadeiras de senadores e de deputados distritais e federais também serão definidos. A expectativa é que, durante a convenção, o PSB anuncie ao menos 45 candidatos a cargos majoritários e proporcionais.

No encontro, Rollemberg deve anunciar os partidos que vão integrar a coligação. “Será uma oportunidade muito importante para definirmos, juntamente com os filiados, os nomes dos candidatos que querem continuar defendendo o trabalho honesto feito nesses últimos quatro anos. O PSB vai continuar trabalhando por uma Brasília cada vez melhor para todos os moradores”, afirma o socialista.

Candidato à reeleição e firme no discurso de combate à corrupção, Rollemberg defende a ficha limpa na política e aproveita ter essa característica para reforçar a sua continuidade no Palácio do Buriti por mais quatro anos. Duas vezes deputado distrital, ex-deputado federal e ex-senador, Rollemberg também atuou como secretário de Turismo e secretário de Inclusão Social do Ministério de Ciência e Tecnologia. Foi eleito governador do DF em 2014 com 812.036 votos.

“É verdade que vivemos um momento de descrédito da política, mas não podemos deixá-la ser demonizada. Chegou o momento de resgate das instituições, lembrando que nem todo político é desonesto. Provamos ser possível governar de forma séria, sem dilapidar o patrimônio público. O combate à corrupção é a mãe das reformas. Iniciamos a travessia. Agora, queremos deixar de vez trancafiado o demônio das vantagens ilícitas. Para assim, continuarmos investindo em obras que garantam a melhoria da qualidade de vida da população. Por isso, chegamos confiantes e renovados à nossa convenção”, detalha Rollemberg.

O presidente do PSB-DF, Tiago Coelho, reforça a importância da convenção na democracia e na participação de toda a militância da legenda. “É a oportunidade de todos estarem reunidos para validar e trazer os nomes que vão concorrer nas chapas majoritárias e proporcionais. A convenção é o momento mais democrático e participativo que temos em um partido político. Ela permite que o voto de quem tem mandato ou está no diretório seja o mesmo voto de todos os filiados”, ressalta.

A convenção do PSB começa às 9h do próximo sábado (28) no Salão de Múltiplas Funções do Cave, perto da Feira do Guará. O evento é aberto ao público.

Legislação
A convenção partidária é realizada conforme determina a legislação eleitoral. As regras definem que apenas cidadãos filiados a um partido político podem ser candidatos. Neste ano, as convenções ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto. Com a realização da convenção, os postulantes a um cargo eletivo deixam de ser pré-candidatos e se tornam os candidatos oficiais do partido.


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Ricardo Callado06/07/20187min

Por Wesley Oliveira (Destak)

Faltando menos de seis meses para encerrar seu mandato de governador, Rodrigo Rollemberg (PSB) conversou com exclusividade com o Destak e fez um balanço sobre suas principais ações à frente do Executivo local e quais serão metas para esse último semestre de governo. Entre os temas debatidos, Rollemberg falou sobre a falta de apoio da Câmara Legislativa, problemas da saúde, concessão do Mané Garrincha e supersalários das estatais. Leia a seguir os principais trechos.

Destak: Ao longo deste três anos e meio, o GDF teve dificuldades junto à Câmara Legislativa para aprovar projetos de sua autoria. De alguma forma essa falta de apoio dos distritais prejudicou sua gestão?
Rollemberg: De fato tivemos muitas dificuldades com os deputados nesses três anos de governo. Vi a minha base se dissolver e o apoio ir embora. Porém, sempre buscamos o dialogo e pautas que eram importantes para a população a gente conseguiu que fossem aprovadas, como a criação do Instituto Hospital de Base, reestruturação do Iprev entre outros.

Destak: O senhor tenta agora que os distritais votem um projeto de lei que iria agilizar a concessão do Mané Garrincha. Acredita que conseguirá esse apoio em ano eleitoral?
Rollemberg: Eu não posso afirmar que o projeto será aprovado, mas estamos trabalhando para isso. Os nossos parlamentares aprovam aquilo que acreditam que seja bom para a cidade, e transformar o nosso estádio em um grande complexo de eventos será bom para todo o DF. Então, acho que teremos sim esse apoio.
Destak: O GDF tem divulgado que zerou filas de mamografia e de cirurgias eletivas, porém a saúde é um dos pontos mais criticados da sua gestão. Há como melhorar isso nos seis meses que restam do seu mandato?
Rollemberg: Sem dúvida nenhuma, a saúde é um dos nossos principais problemas e ainda não está do jeito que eu quero. Mudamos o modelo de gestão do Hospital de Base, ampliamos a cobertura do Saúde da Família, inauguramos Unidades Básicas e pagamos as contas que tinha da gestão passada. De fato demorou muito para darmos alguns passos, mas assim como conseguimos zerar algumas filas outras poderão ser zeradas.

Destak: O modelo Instituto Hospital de Base pode ser ampliado para outros hospitais do DF?
Rollemberg: Sem dúvidas. Nossa sociedade demorou um pouco para entender o que era o modelo, e hoje vê que o que fizemos lá funciona, é uma mudança de cultura. Hoje o o Instituto Hospital de Base consegue comprar medicamentos em 45 dias, enquanto em outros hospitais demora até oito meses. Então eu pretendo, sim, levar para outras regiões do DF.

Destak: O DF enfrenta um grande problema que é a falta de vagas nas creches públicas. O senhor prometeu construir novas unidades, entregou algumas porém a lista de espera de crianças de zero até três anos não foi zerada. Como resolver isso no tempo que lhe resta no governo?
Rollemberg: Poucos países universalizaram creche para crianças de até três anos de idade. De fato existe essa demanda no DF, porém construímos 25 novas unidades, outras várias estão sendo ainda construídas e serão entregues neste ano, só em Samamabia teremos mais cinco. Talvez não seja ainda suficiente, mas estamos buscando recursos e parcerias para que essa demanda seja cada vez menor.

Destak: O senhor não concedeu nenhum reajuste para os servidores no seu mandato, existe chance de sair algum aumento nesses próximos seis meses?
Rollemberg: Entramos agora no período eleitoral e a justiça não permite fazer reajustes de salários. Mas eu quero explicar que eu não concedi reajuste porque não havia previsão orçamentária para isso. Eu peguei o DF com bilhões em dívida e tentei trabalhar para pagar esse débitos e manter os pagamentos de salários em dia dos nossos servidores.

Destak: No começo do seu mandato o senhor declarou que tinha recebido o DF com uma dívida de mais de R$ 6 bilhões. Essa dívida já foi quitada?
Rollemberg: Quando eu assumi eu fiz o compromisso de pagar todas as contas que o governo passado tinha feito. Irei finalizar meu mandato com quase tudo pago, o que restar será coisa mínima. Se não fossem essas dívidas eu iria entregar o DF com superávit.

Destak: O racionamento foi encerrado às vésperas das eleições. Não foi uma decisão eleitoreira do senhor?
Rollemberg: De forma alguma, foi uma decisão técnica. Estamos na seca e com 90% do nível do Descoberto, por isso resolvemos acabar com o rodízio. Posso falar que resolvi a crise hídrica do DF.


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Ricardo Callado20/06/20183min
Jofran Frejat lidera a disputa ao GDF

Registrada no TSE, sob o número DF-04198/2018, a pesquisa O&P Brasil mostra um retrato de momento da disputa pela Governo do Distrito Federal. O pré-candidato Jofran Frejat (PR) é o favorito nas intenções de votos com 17,3%. O governador Rodrigo Rollemberg (PSB), que vai disputar a reeleição, surge com 9,5%. A ex-deputada Eliana Pedrosa (Pros) é a terceira, com 6%.

A pesquisa foi foi realizada entre três e oito de junho, com mil entrevistas. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

A quarta colocação é do deputado federal Izalci Lucas (PSDB), com 4,7%. Em seguida, vêm o General Paulo Chagas (PRP), com 4,6%. Fátima Sousa, do PSol, tem 3,1%, e o empresário Alexandre Guerra (Novo), com 3%. A sindicalista Rosilene Corrêa (PT) aparece com 2,2% das intenções de votos.

O elevado número de brasilienses que não votariam em nenhum dos candidatos é relevante: 40,1%. Esse percentual, somado aos que não sabem ou não responderam, atinge o patamar de 49,5%.

O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) aparece em primeiro lugar no DF, com 23,4% das intenções de votos. Marina Silva (Rede) é a segunda colocada, com 10,8%. Ciro Gomes (PDT) é o terceiro, com 7,9%. Em seguida, vêm Álvaro Dias (Podemos), com 2,4%; Fernando Haddad (PT), com 1,8%; Manuela D’Ávila (PCdoB), com 1,5%, empatada com Henrique Meireles (MDB) e Geraldo Alckmin (PSDB). Levy Fidelix (PRTB) tem 0,7%; Guilherme Boulos (PSol), 0,6% e Rodrigo Maia (DEM), 0,5%. O número de eleitores que não optaram por nenhum dos candidatos listados atinge 39,1%. Outros 8,4% não souberam quem é o melhor ou não responderam. Sinal de que quase metade dos brasilienses (47,5%) também não escolheu ainda um nome para representá-los no Palácio do Planalto.

Quando incluído na pesquisa, o ex-presidente Lula fica em segundo atras de Bolsonaro que lideraria. O ex-presidente preso e inelegível aparece com 16,8% dos votos, enquanto o capitão da reserva do Exército soma, neste caso, 22,8%.


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Ricardo Callado19/06/20185min

O presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), pediu que o ofício do sindicato seja encaminhado para a Comissão de Educação, Saúde e Cultura da Casa para a avaliação de providências de ação de Rollemberg que prejudica servidores da Saúde

A Câmara Legislativa foi palco na tarde desta terça-feira (19) de pesadas críticas ao governador Rodrigo Rollemberg (PSB) e a sua gestão que, segundo pesquisas, é a pior avaliada da história do Distrito Federal. Deputados distritais usaram o microfone da tribuna da Casa para criticar a situação de áreas prioritárias do governo. A saúde foi um dos principais temas dos pronunciamentos.

O deputado Wellington Luiz (MDB) destacou ofício protocolado pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília (SindSaúde/DF), em que se denuncia a suspensão de fornecimento de desjejum pelo GDF durante o turno de trabalho nos hospitais públicos. “Isso é crueldade e covardia”, disse, ao pedir a garantia de fornecimento de desjejum e de ceia/janta para os servidores.

“O governo anterior era incompetente, mas este é cruel. Essa é uma economia ‘porca’ e burra, já que os trabalhadores vão perder mais tempo de serviço ao saírem para se alimentar”, afirmou a deputada Celina Leão (PP). Além disso, a distrital lamentou que o governo tenha cortado, também, a refeição fornecida aos acompanhantes dos pacientes. “Esses estão passando fome”, contou.

O presidente da Câmara Legislativa, deputado Joe Valle (PDT), pediu que o ofício do sindicato seja encaminhado para a Comissão de Educação, Saúde e Cultura (CESC) da Casa para a avaliação de providências.

Ainda com relação à situação da saúde no DF, o deputado Rafael Prudente (MDB) destacou o fechamento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sobradinho II no último final de semana. “A população não pode nem ficar doente”, ironizou.

Segurança

Já o deputado Cláudio Abrantes (PDT) levou ao plenário a situação de outra área prioritária: a segurança pública. O parlamentar repercutiu reportagem da TV Globo sobre a redução da taxa de solução de homicídios na unidade federativa.

Segundo ele, esse índice, que já chegou a 80%, deve estar, pela primeira vez na história, abaixo de 50% no final do ano. “É uma taxa essencial para a segurança pública, pois é preciso identificar, processar e punir os culpados”, argumentou. Para Abrantes, a diminuição no percentual reflete “o mal” que o GDF tem feito à Polícia Civil.

Esporte

O deputado Julio Cesar (PRB) reclamou da não instalação do sistema de aquecimento nas piscinas dos centros olímpicos. De acordo com o distrital, foram destinados recursos por meio de emendas e já foi licitada a compra dos equipamentos, mas o maquinário está parado por um problema nas fiações.

“Isso é dinheiro público jogado no lixo”, apontou. O líder do governo na CLDF, Agaciel Maia (PR), se comprometeu a levar a reclamação aos responsáveis. E Julio Cesar adiantou que pretende acionar o Tribunal de Contas do DF para fiscalizar a situação.

DER

Wellington Luiz fez questão de tratar, também, da “perseguição” sofrida por diversos servidores do Departamento de Estradas de Rodagem.

Conforme apresentou, diversos engenheiros têm sido exonerados após a queda de parte do viaduto da Galeria dos Estados, ocorrida em fevereiro passado. “A atual gestão desestruturou a área de projetos do órgão”, afirmou.


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Ricardo Callado18/06/20189min

A contribuição dos brasilienses com impostos e taxas saltou de R$ 5,9 bilhões para R$ 6,3 bilhões de janeiro a maio de 2018

A jornalista Manoela Alcântara, do Portal Metrópoles, mostra em reportagem intitulada “Arrecadação sobe meio bilhão, mas GDF se nega a dar reajuste a servidores”, que o funcionalismo público do Distrito Federal não deve ter esperança que governador Rodrigo Rollemberg (PSB) reverta o calote implantado desde o início do governo. Mesmo com dinheiro em caixa, o servidor público é relegado a segundo plano. A perseguição e a falta de valorização a categoria já são a maior sofridas durante um governo. A relação entre Rollemberg e o servidor público deteriora a cada dia. O termo “caloteiro” ganhou as ruas. E não é por falta de dinheiro. Só o excedente chega a R$ 428,5 milhões no mesmo período. A verba seria suficiente para pagar a terceira parcela do reajuste devido aos servidores públicos locais desde 2015, quando Rodrigo Rollemberg (PSB) assumiu o GDF. Veja a matéria na íntegra:

Por Manoela Alcântara – Desde o início de 2018, o Governo do Distrito Federal não amargou números negativos em suas contas. A alta na arrecadação de impostos e taxas foi constante nos primeiros cinco meses do ano. Os sucessivos valores positivos rechearam os cofres públicos com R$ 6,3 bilhões, um acréscimo de 7,19% em comparação ao mesmo período de 2017, quando o total de janeiro a maio ficou em R$ 5,9 bilhões.

Só o excedente chega a R$ 428,5 milhões no mesmo período. A verba seria suficiente para pagar a terceira parcela do reajuste devido aos servidores públicos locais desde 2015, quando Rodrigo Rollemberg (PSB) assumiu o GDF.

De acordo com o previsto no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2019, o aumento salarial para as 32 categorias contempladas ainda na gestão de Agnelo Queiroz (PT) custaria aos cofres públicos aproximadamente R$ 227 milhões em três meses. Isso daria R$ 75,6 milhões mensais.

Assim, se for considerado somente o acréscimo na arrecadação de impostos e taxas nos cinco primeiros meses, o Governo do Distrito Federal teria R$ 85,7 milhões disponíveis. Ou, ainda, R$ 10,1 milhões de sobra.

“O cenário para o GDF está positivo. Negativo mesmo está para os servidores, péssimo”, ironizou o presidente Sindicato da Administração Direta, Autarquias, Fundações e Tribunal de Contas (Sindireta), Ibrahim Yusef. Para ele, “a possibilidade de pagar existe, não há vontade política” de quitar a dívida com os trabalhadores. “O calote será cobrado nas urnas, com certeza. No entanto, com os números positivos, agora aguardamos um posicionamento da Justiça”, completou.

Posicionamento endossado pelo Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF). “Dinheiro sempre teve, o que falta é vontade política. A educação sofre com a escassez de investimento. Professores amargam perdas salariais superiores a 20% nesses últimos três anos”, afirmou o diretor da entidade, Samuel Fernandes.

Segundo ele, a crise foi usada como desculpa pela atual gestão para não dar o reajuste. “Este governo do Rollemberg não concede benefícios e ainda tira os já existentes. É o pior da história do DF. Os professores contam os dias para chegar 2019, pois não aguentam mais tanto descaso”, completou o representante da categoria que tem 30 mil docentes na ativa.

LRF
Uma das principais justificativas em 2015 para não conceder o reajuste, inclusive em peças judiciais de argumentação do GDF, era a Lei de Responsabilidade Fiscal. Em agosto do primeiro ano da atual gestão, o governo do DF atingiu o pico de comprometimento dos gastos com folha de pagamento. Usou 51% da receita corrente líquida para pagar salários.

Assim, ficou impedido de fazer contratações e até empréstimos. No entanto, o estado crítico foi superado, como demonstram os números. Em 30 de maio de 2018, o GDF anunciou ter ficado abaixo do limite prudencial da LRF pelo terceiro quadrimestre seguido. Os gastos com pessoal representaram 45,45% da Receita Corrente Líquida, percentual inferior ao que impede contratações, de 46,55%. A RCL é composta por tributos e transferências da União.

“O governo usa de argumentos falaciosos para não conceder o reajuste. Desde a gestão de José Roberto Arruda, todos os aumentos têm previsão orçamentária”, afirmou o presidente do Sindiccad, Leonardo Firme.

O sindicalista representa engenheiros de todas especialidades, arquitetos, geólogos, geógrafos, meteorologistas e técnicos do Governo do Distrito Federal. Para ele, a decisão é cômoda. “Quem sempre trabalhou no Senado e tem um salário alto não precisa se preocupar com servidor do GDF que ganha uma miséria”, lamentou.

Alta mensal
No mês de maio, o acréscimo nas contas foi impulsionado pelo pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). A alta no período foi de 28,16% em comparação com a mesma época de 2017. No ano anterior, o GDF recebeu do contribuinte R$ 27,9 milhões, contra os R$ 35,8 milhões de 2018. O IPVA subiu 4,05%, com R$ 116,7 milhões em 2017 e R$ 121,5 milhões em 2018.

De acordo com dados do Sistema Integrado de Gestão Governamental (Siggo), além dos impostos sazonais, os dois fatores que representam uma recuperação da economia também mantiveram a tendência de crescimento. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) teve incremento de 0,99% no mês; e o Imposto Sobre Serviço (ISS), de 5,83%.

Somente o ICMS foi responsável pelo aporte de R$ 599 milhões. O Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) também apresentou bom desempenho. Em maio, foram 10,68% a mais do que 2017, ou seja, um mercado imobiliário aquecido.

A Secretaria de Fazenda foi procurada para comentar os dados, mas até a última atualização desta reportagem não havia respondido a demanda. Em matéria publicada na Agência Brasília, portal oficial do governo, o secretário de Planejamento, Orçamento e Gestão, Renato Brown, afirmou que a concessão da terceira parcela dos reajustes dados em 2013 colocaria o DF perto ou até no limite máximo da LRF.

“Resultaria em um aumento de 3 a 3,5 pontos porcentuais nas despesas com pessoal, podendo ficar em 49%. Não temos condições agora”, ressaltou, no fim de maio.

Eleições
Dia 10 de abril foi o último dia para conceder revisões gerais de remuneração a servidores públicos devido ao período eleitoral. No entanto, a terceira parcela de reajuste dos servidores locais não se enquadra nas regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), isso porque o benefício já estava previsto em lei – aprovada pela Câmara Legislativa do DF – desde 2013.



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