Provas do primeiro vestibular indígena da Unicamp são aplicadas hoje

Ricardo Callado02/12/20184min

Por Paulo Victor Chagas

As provas começam a ser aplicadas às 13h. Serão 50 questões de múltipla escolha, além da redação, para os futuros enfermeiros, administradores, farmacêuticos, engenheiros, geógrafos e arquitetos. De acordo com a Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest), o curso com maior concorrência é enfermagem, com 95,5 candidatos por vaga, seguido por farmácia, com 23,5 candidatos/vaga. A escolha dos cursos foi feita após consultas a líderes de comunidades indígenas para se descobrir o maior interesse da população.

“O número de candidatos inscritos surpreendeu por suas características regionais, com destaque para a expressiva presença dos estudantes de São Gabriel da Cachoeira e pelos interesses que os candidatos demonstraram nos cursos oferecidos pela Unicamp”, destaca o coordenador executivo da Comvest, José Alves de Freitas Neto.

A escolha dos locais das provas foi definida com base em experiências de outros vestibulares indígenas, como o da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde as provas já são aplicadas há 11 edições e o índice de abstenção atinge 40% em algumas cidades. Para participar da seleção, os indígenas precisam comprovar que pertencem a alguma etnia, apresentando declaração de três lideranças, do órgão regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) e justificativa sobre o vínculo com a comunidade. Dos 823 estudantes que se candidataram para o vestibular, 610 tiveram a inscrições homologadas.

Para a recepção dos indígenas, está sendo preparada uma programação específica em fevereiro de 2019. Além de um tour para conhecimento da universidade, estão sendo preparadas atividades de adaptação e apresentação dos projetos de apoio à permanência. Segundo a Unicamp, os futuros universitários poderão se candidatar a bolsas de auxílio social para trabalharem em projetos interdisciplinares, bolsas alimentação e auxílio-moradia.

Ricardo Callado

Jornalista, blogueiro, escritor e consultor político. Exerceu a função de secretário de Comunicação Social do Governo do Distrito Federal. Foi Diretor de Redação do Grupo Comunidade de Comunicação – responsável pelos jornais da Comunidade e O Coletivo. É autor do livro PANDORA – e outros fatos que abalaram a política de Brasília.


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