OPINIÃO | Rollemberg em busca do tempo perdido e de novo rumo

Por Ricardo Callado

Demorou. O Palácio do Buriti vem conseguindo enxergar além da redoma que encobre a sede do Executivo. Talvez seja efeito da proximidade de 18. O que importa é que a realidade bate a porta do governador Rollemberg. E ele vem dando respostas.

As mudanças do governo detalham alguns caminhos. O primeiro é que é preciso arrumar a gestao. A aproximação com o setor produtivo está sendo feita. É algo cobrado desde sempre. O novo secretário de Economia, Valdir Filho, ficará encarregado desse processo.

O governo descobriu que não se retoma a economia da cidade apenas com canetadas. É preciso se aliar a quem produz, gera riqueza e empregos. Uma via de mão dupla, onde a sociedade sai ganhando.

Valdir Filho, pelo seu perfil de bom articulador, também poderá ajudar o governador em outras áreas. A principal delas será a política. Seus pitacos podem ser importantes. Rollemberg relegou desde o início do governo a política a segundo plano. E paga um preço alto por disso.

O governo não faz política e procura manter uma distância protocolar do Legislativo. De todos os antecessores, Rollemberg é o que menos busca administrar com a participação de parlamentares.

A cada reforma, diminui a participação de indicados por distritais na administração pública. Deputado, mesmo, ocupando cargo, apenas Joe Valle, que saiu do Executivo e hoje é presidente da Câmara Legislativa. E que está na função sem o apoio do Buriti. Paradoxal.

O reflexo das escolhas de Rollemberg é a sua base política, frágil e instável.

Se não consegue fazer política e manter um bom relacionamento com o Legislativo, o governo procura alternativas. O diálogo direto com a sociedade é um caminho. Saber se comunicar e ser entendido é um trunfo que pode ser usado a favor de Rollemberg.

A recriação da Secretaria de Comunicação foi uma boa sacada. E Paulo Fona, que comanda a pasta, sabe do riscado. Aos poucos o governo volta a ter voz. Governo que não fala o que faz, acaba se dando mal. Não basta ser a mulher de César, tem antes de tudo que parecer.

Se conseguir bons resultados na economia e abrir um canal de comunicação eficiente, em 18 é possível viabilizar um projeto mais longo. Mostrar o que conseguiu fazer. Mesmo com poucos aliados. O palanque será pequeno. As ações devem ser meticulosas, precisas. É preciso se atentar aos detalhes.

Mas nada de deixar subir à cabeça nos primeiros resultados positivos. Humildade e um passo de cada vez. Essa é a receita. O resto vem a reboque.

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Jornalista, blogueiro, escritor e consultor político. Exerceu a função de secretário de Comunicação Social do Governo do Distrito Federal. Foi Diretor de Redação do Grupo Comunidade de Comunicação – responsável pelos jornais da Comunidade e O Coletivo. É autor do livro PANDORA – e outros fatos que abalaram a política de Brasília.

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