O judiciário ficará de cócoras diante de Ibaneis Rocha?

Ricardo Callado06/10/20187min

Com ódio e pelo medo

O advogado Ibaneis Rocha é daquelas pessoas que souberam ganhar muito dinheiro. Isto é fato. Na advocacia de atacado onde milita, foi muito mais um empresário do direito do que um formulador de teses, segundo comentam alguns colegas, que preferem que suas identidades não sejam reveladas. Ponto em comum em todos relatos das entrevistas realizadas com advogados de Brasília é de que Ibaneis é um animal político movido pelo ranço e pelo ódio daqueles que um dia ousaram discordar de suas práticas truculentas.

Pessoas mais próximas recordam que o grande sonho de Ibaneis era ser deputado federal pelo seu estado de origem, o Piauí, no entanto, no meio do sonho surgiu a chance de disputar e vencer a eleição pelo comando da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Brasília. E foi lá que Rocha abriu sua caixa de ferramentas para se mostrar um conquistador com apetite de Gengis Khan.

A histórica OAB-DF, de tantos serviços prestados à sociedade, se viu em segundo plano, diante da empreitada de Ibaneis para aparecer mais do que a Instituição. Relatos da época dão conta que até mesmo o importantíssimo Tribunal de Ética da Ordem, virou um puxadinho de seu gabinete, para que o então presidente Ibaneis pudesse pressionar seus coleguinhas a rezar sob sua cartilha.

Ibaneis, enquanto presidente da OAB-DF, não cansou de se infiltrar em temas de maior repercussão midiática, muito embora de menor importância para a sociedade. Negar a carteira de Advogado a nada mais nada menos do que o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, ao mesmo tempo em que premiava o já condenado José Dirceu com a mesma carteirinha, demonstrava um confusão mental que só se explicava pelo fato de que o PT comandava o País e o DF naquela oportunidade. E foi assim que o ambicioso Ibaneis abriu as portas para que as negociatas políticas invadissem a Casa onde tanto brilharam Esdras Dantas, Amauri Serralvo, Safe Carneiro, Maurício Correia e tantos outros advogados no sentido mais completo da profissão.

O encerramento de seu período como dirigente maior da OAB-DF, não o afastou do comando da instituição. Ibaneis elegeu seu sucessor, Juliano Costa Couto e agora pretende plantar Jaques Veloso na cadeira de presidente. Ibaneis tem se dividido entre a campanha ao GDF e a eleição da Ordem. Um pé em duas canoas, como se diz popularmente. Considerando que Ibaneis tem pautado sua trajetória de vida pública com ações que parecem saídas de um planejamento militarmente disciplinado, não seria inoportuno imaginar que Rocha, caso chegue ao Buriti, use sua OAB-DF como a polícia política comandada por Filinto Muller na era Getulista.

Chamado de autoritário, Ibaneis Rocha é um camaleão, na medida em que se traveste de democrata sob a égide do “novo” na política, entretanto, sua postura arrogante e por vezes transtornada, logo expõe a camuflagem de “bom rapaz”. Aliado do que já de pior passou pela vida pública do DF, tais como: Tadeu Filipelli, Benício Tavares, Júnior Brunelli e do obscuro candidato a vice da sua chapa, um tal de Paco Britto, Ibaneis vem derrapando nas curvas que preservam o bom senso, com frases de efeito que soam como ameaças no intuito de constranger o judiciário local, na medida que sempre deixa insinuar que detém privilégios nos corredores dos tribunais. Quase com uma Cigana, Ibaneis chegou a vaticinar a condenação de Fraga, que de fato ocorreu dois ou três dias depois.

Desafiador, Ibaneis passa por cima da legislação eleitoral e promete construir casas com dinheiro do próprio bolso numa das localidades mais pobres e carentes do DF, a vila 26 de Setembro na Estrutural. A retórica esperada de um tribuno deu lugar a mais escancarada promessa de compra de votos jamais vista em todos os tempos. Qualquer leigo em direito eleitoral pode classificar a verborragia demagógica utilizada como uma declaração de crime, ou na linguagem jurídica, o candidato é réu confesso e nada aconteceu com ele até agora.

Não bastasse tudo isso acima relatado, Rocha se mostrou um sujeito machista, cruel e desrespeitoso durante o último debate promovido pelo Correio Braziliense. Num ataque histérico, Ibaneis partiu para cima da candidata Eliana Pedrosa, que aterrorizada o ouviu chama-la de podre para depois dizer que ela deveria estar enterrada no cemitério. Atônita, Eliana, aos 65 anos de idade, mãe e avó, preferiu não responder para não expor a população Brasiliense a mais uma cena deplorável. O deputado Rogério Rosso deu uma aula de cavalheirismo e respeito, repudiando, com seu jeito sereno, o inadmissível tratamento que Ibaneis dispensou a Eliana Pedrosa.

Com o rei na barriga, como se diz no popular, Ibaneis desfila sua prepotência e arrogância até mesmo na hora em que contemporizar e compor são indicados. Em entrevista ao Portal Metrópoles o controvertido advogado, chama todos os outros candidatos para o “pau” (expressão digna dele mesmo) e disparou essa pérola da soberba: “Se quiserem se unir contra mim, vou ficar muito feliz”.

Amanhã, domingo, 07 de outubro de 2018, o Distrito Federal saberá se eleição se ganha apenas com dinheiro e bravatas.

Com a palavra o eleitor.

Ricardo Callado

Jornalista, blogueiro, escritor e consultor político. Exerceu a função de secretário de Comunicação Social do Governo do Distrito Federal. Foi Diretor de Redação do Grupo Comunidade de Comunicação – responsável pelos jornais da Comunidade e O Coletivo. É autor do livro PANDORA – e outros fatos que abalaram a política de Brasília.


Comente esta publicação

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos marcados com (*) são obrigatórios.

 


Sobre o Blog

Aos 14 anos, o Blog do Callado é um veículo consolidado, admirado por seus leitores e em sintonia com o público alvo: a população brasiliense. O blog é um site de opiniões e notícias com atualização diária, sem cunho ideológico. Dedica-se a oferecer aprimoramento da informação, com uma audiência qualificada.


NOS BASTIDORES DA CAIXA DE PANDORA

Pandora




Mídias Sociais

Twitter do Blog


FANPAGE Facebook

Facebook By Weblizar Powered By Weblizar



Parcerias