A hora e a vez do Planejamento econômico para o Distrito Federal

Por Ricardo Caldas


Na semana passada, o governador Rodrigo Rollemberg devolveu à Secretaria de Economia e Desenvolvimento Sustentável funções que estavam paralisadas desde o desentendimento político que teve com seu vice, Renato Santana. Como forma de represália, a Pasta, que era comandada por Artur Bernardes, competentíssimo, mas indicado do suplente de Rollemberg, teve todos os projetos esvaziados e acabou virando mais um órgão fantasma no Governo do Distrito Federal.

Valdir Filho, experiente gestor advindo da superintendência do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, foi nomeado para retomar os trabalhos que estavam, até então, às moscas. Logo no discurso inicial, se comprometeu com quatro pontos relevantes para a cidade: o combate à pirataria; a estabilização dos impostos cobrados de Pessoas Físicas e Jurídicas; desburocratização de processos; e atrair empresas que buscam espaço em outras Unidades da Federação.

O desafio parece imenso, e é ainda maior, pois de todas as medidas já antevistas pelo novo secretário, a principal missão será conquistar novamente a confiança do setor produtivo.

Com a escassez de projetos de incentivo – situação confirmada pelo próprio indicado em seu discurso de posse – a arrecadação do Distrito Federal perdeu muitas cifras para o estado de Goiás, cuja gestão atual adotou estratégias bem mais atrativas para a instalação empresas em seu território.

Pela carga tributária, burocracia, falta de posicionamento do governo e inércia da Câmara Legislativa, muitos empreendedores migraram para o estado vizinho, além daqueles que – atentos à situação econômica da Capital Federal – já iniciaram seus negócios fora daqui, gerando renda, emprego e receitas para quem os acolheu melhor.

Os empresários que foram fiéis à cidade são outro desafio para o secretário. Aqueles que mantiveram seus negócios próximos ao Governo Federal – cliente estratégico – o fizeram com a confiança nas promessas do Executivo. A nomeação de um novo gestor para a Pasta de Desenvolvimento Econômico é como um respiro após tanto tempo sem o retorno esperado. Todavia, os resultados precisam ser assertivos. Caso contrário, o Goiás poderá aumentar ainda mais sua arrecadação.

Sabemos que não se faz política da noite para o dia. Se em quatro anos já é difícil ter uma ação efetiva e continuada, compreendemos que os 20 meses que restam são praticamente simbólicos. Por este motivo, o caminho mais simples é que a gestão recém empossada adote a estratégia de planejamento.

As negociações com o setor produtivo são sempre urgentes e paliativas. Eis a chance de mudar esse cenário. Não será inteligente tentar agora mostrar uma capacidade de ação que ficou em débito nesses últimos anos. Não há tempo, recursos humanos nem sequer orçamento previsto para esta Pasta que teve papel quase decorativo nesta gestão. Então, que se deixe um legado de diretrizes.

O desafio é árduo, mas, se bem executado, pode se tornar um grande diferencial ante tudo que já foi erroneamente feito. O setor produtivo só tem a desejar boa sorte e sucesso para Valdir Filho.


Ricardo de Figueiredo Caldas é presidente do Sinfor – DF. Engenheiro e Mestre em Engenharia Elétrica pela UnB, é fundador da Telemikro SA.

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Jornalista, blogueiro, escritor e consultor político. Exerceu a função de secretário de Comunicação Social do Governo do Distrito Federal. Foi Diretor de Redação do Grupo Comunidade de Comunicação – responsável pelos jornais da Comunidade e O Coletivo. É autor do livro PANDORA – e outros fatos que abalaram a política de Brasília.

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