ENTREVISTA | Paula Belmonte: “Eu acredito que as pessoas estão cansadas de assistencialismo”

Ricardo Callado14/09/201813min

Eu não gosto deste termo ficha limpa e nem mãos limpas. Isso é uma obrigação de todo cidadão. É uma obrigação eu ser honesta, eu ser ética.(Paula Belmonte)

Por Delmo Menezes

Paula Belmonte (PPS-DF), candidata a deputada federal. Foto: Agenda Capital

Mãe de seis filhos, casada com o advogado Luís Felipe Belmonte, empresária de sucesso, mulher forte e determinada. Este é o perfil da candidata Paula Belmonte (PPS), que vai disputar pela primeira vez uma cadeira na Câmara dos Deputados. Paula acredita que a boa política transforma uma sociedade. Para ela, a educação é o único meio de mudar a vida das pessoas. “Vivemos em um país desigual, onde faltam oportunidades para todos”. Paula afirma que é urgente um pacto pela infância em todo o Brasil e quem deve assumir essa consciência é quem está no poder.

Como candidata a deputada federal, faz um alerta: “não podemos continuar financiando privilégios enquanto há pessoas em situação de miséria”, disse.

Nesta entrevista exclusiva ao Agenda Capital, Paula afirma que pretende restaurar a principal função de um deputado que é a fiscalização. Disse ainda que é uma obrigação de todo cidadão ser honesto e ficha limpa.

Leia a entrevista na íntegra:

AC –  Caso seja eleita, como será sua postura dentro da Câmara dos Deputados?

Paula Belmonte – Vou abrir mão de todos os privilégios políticos aos quais eu tiver direitos, porque não acho condizente um político ganhar um salário alto e ainda por cima ter vários privilégios como auxílio moradia, sendo que o nosso povo ainda tem muitas necessidades. Não está de acordo com a realidade que o país atravessa. Nenhum país sério paga o que nossos políticos recebem. Terei um perfil de fiscalização, por que este ano por exemplo, ocorrerá a destinação de 13 bilhões de reais ao GDF nas áreas de segurança pública, saúde e educação. Então uma das minhas propostas será criar uma comissão permanente de fiscalização para aplicação desses recursos. Esta comissão vai ser composta por todos os deputados da bancada do DF, senadores e quem quiser participar. O importante é fazermos o controle desses recursos. Não podemos continuar financiando privilégios enquanto há pessoas em situação de miséria.

AC – Como neófita na política e pontuando bem nas pesquisas, isto não lhe assusta?

Paula Belmonte – Isso mostra o reflexo da população. Ela quer esta mudança, e tenho feito um discurso em que as pessoas até se assustam. Eu explico às pessoas o poder do voto, da transformação, e acima de tudo, eu mostro como a corrupção é cruel.

Quando a gente fala de educação, a gente tá falando de esporte, cultura, empreendedorismo. (Paula Belmonte-PPS)

AC – Quais serão suas principais bandeiras a serem defendidas na Câmara dos Deputados?

Paula Belmonte – Primeiramente educação, porque só através dela nós teremos a transformação real de nosso país. Quando falamos em educação, a gente está falando de esporte, cultura, empreendedorismo, porque as pessoas precisam de dignidade. Eu acredito que as pessoas estão cansadas de assistencialismo. É lógico que eu tenho consciência de que infelizmente existem cidadãos que estão passando fome e necessitam do assistencialismo, porém devemos gerar empregos e gerar o empreendedorismo inclusive para o pequeno e médio empresário. Outro problema grave que assola a população brasileira é a corrupção. Não podemos mais aceitar essa “doença” em nosso país. Temos que extirpar este mal que tanto aflige nossa sociedade. O corte de gastos públicos também será uma das minhas bandeiras. Hoje a nossa máquina é muita cara, inchada e ineficiente. Temos que restaurar a grande função de um deputado que é a fiscalização. Fiscalizar os gastos do governo de forma transparente é a base de todas as mudanças que buscamos.

AC – Alguns dos seus opositores tem tentado denegrir sua imagem como sendo uma candidata da elite. Como avalia esta situação?

Paula Belmonte – Em relação à minha condição social, não vejo como um momento de denegrir minha imagem. Eu considero até como um crédito. Uma menina que nasceu em Brasília, filha de uma dona de casa, que estudou a vida toda em escolas públicas, sempre trabalhou (tenho carteira assinada desde os 16 anos de idade) e que construiu uma vida. Acho que na realidade é um mérito que me traz uma competência de saber fazer do jeito que tem que ser feito. Não vejo isso da forma como estão pregando meus opositores.

AC – O discurso de renovação na política e da ficha limpa tem sido muito usado pelos candidatos. Como pretende separar o “joio do trigo”?

Paula Belmonte – Primeiramente eu vejo que renovação por renovação não é eficiente. A renovação tem que vir como uma restauração da política verdadeira. A política quando foi inventada foi com o objetivo de cuidado com a sociedade, cuidado com o povo, com nosso estado, e para termos realmente uma democracia. A política veio para que a gente cuide com amor das pessoas. Quando falamos disso, estamos falando de ética, honestidade. Eu não gosto deste termo ficha limpa e nem mãos limpas. Isso é uma obrigação de todo cidadão. É uma obrigação eu ser honesta, eu ser ética, inclusive algo que tenho falado muito em minhas reuniões, é a gente começar a despertar em nosso coração, o sentimento de coletividade, porque algumas pessoas ainda falam assim: “farinha pouca, meu pirão primeiro”. E quando a gente fica com este discurso acaba que uns tem o pirão muito grande, mas sofre as consequências daqueles que não tem nenhum pirão. Temos que entender que esse Brasil é nosso, e temos que ter menos desigualdade social.

AC – Na sua biografia consta que quando adolescente vendia brigadeiros. A partir de então surgiu uma empreendedora? A candidata Paula é uma pessoa perseverante?

Paula Belmonte – A Paula é uma pessoa extremamente determinada, apesar de parecer uma mulher delicada, sou muito forte, mas ao mesmo tempo muito sensível. Eu vendia brigadeiros porque eu queria comprar minhas coisas. Graças a Deus eu tive um pai que nunca deixou faltar nada na minha cassa, e a venda desses brigadeiros era para comprar as coisas que eu queria mesmo.

Paula e Luís Felipe Belmonte. Foto: Agenda Capital

AC – O que lhe motivou concorrer a uma das oito cadeiras na Câmara dos Deputados?

Paula Belmonte – Apesar de não querer me expor (pausa…lágrimas). O que me motiva é a desigualdade social. É possível sim a gente viver num país mais justo, e a cada vez que olho uma criança com aquele olhar, eu lembro de cada mãe, de cada pai, que sonha com um futuro melhor para seus filhos, assim como eu sonho com os meus. De serem pessoas boas, de terem oportunidades.

AC – Como é ser mãe de 06 filhos e ainda ter tempo para disputar uma eleição muito concorrida?

Paula Belmonte – Está sendo muito difícil para mim. Eu estou vendo meus filhos de manhã e quando chego a noite. Eu os abraço quando estão dormindo comigo na cama. Não está sendo fácil, mas eu acredito que eles vão ter muita honra do que eu estou fazendo. Meu grande objetivo é despertar nas pessoas que é possível sim fazer uma política humana, uma política fraterna, uma política honesta. É nisso que eu acredito.

AC– A senhora é casada com o advogado Luís Felipe Belmonte que é suplente de senador em outra coligação. Isso cria algum conflito?

Paula Belmonte – Não acredito que isso crie conflitos. Eu acredito numa política de construção, mas de uma construção desse princípio que estou falando que é a ética. Hoje temos pessoas boas em todos os partidos políticos, porém temos aquelas que não são tão boas também. No caso do PSDB, estavam conosco até o último minuto do segundo tempo, mas eles tiveram que sair. Já era uma coisa prevista e tivemos que entender isso. Meu marido é uma pessoa trabalhadora, um cara extremamente competente, extremamente determinado, um cara inteligentíssimo. Acho que a sociedade ganha muito se tiver ele ao lado.

AC – De Paula Belmonte para Paula Belmonte.

Paula Belmonte – Uma pessoa com fé, determinada, que luta por seus objetivos. Acredito sim que a fé move montanhas.

Da Redação do Agenda Capital

Ricardo Callado

Jornalista, blogueiro, escritor e consultor político. Exerceu a função de secretário de Comunicação Social do Governo do Distrito Federal. Foi Diretor de Redação do Grupo Comunidade de Comunicação – responsável pelos jornais da Comunidade e O Coletivo. É autor do livro PANDORA – e outros fatos que abalaram a política de Brasília.


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