Como diminuir o risco de desastres como os deslizamentos que atingem cidades brasileiras em período de chuva?

Ricardo Callado13/03/20194min

Professor da Universidade Nacional da Colômbia tratou do tema em palestra no IESB

Hernán Eduardo Martinez Carvajal, especialista em análise de solos para avaliação de riscos da Universidade Nacional da Colômbia, afirma que, para mitigar os riscos de desastres, é preciso fazer uma análise da sociedade para avaliar a disposição que ela tem para aceitar os riscos, a disposição para gastar recursos na diminuição desses riscos e a sua disposição para modificar o meio ambiente. Ele acrescenta que as obras de contenção têm impactos ambientais consideráveis.

“O cálculo das consequências, principalmente das sociais, é um dos maiores desafios que temos, mas quantificar esse risco é indispensável”, alerta o engenheiro. “Precisamos desse número para decidir o que fazer, para saber se ele é inaceitável, tolerável ou aceitável” continua. Se o risco é inaceitável, os moradores devem ser remanejados. Se for tolerável, é preciso tomar medidas para diminuir ainda mais o risco, mas não é preciso retirar as pessoas do local. Se for aceitável, não é necessário tomar medidas.

O professor palestrou nesta terça-feira (12) no segundo dia do Workshop Internacional sobre Risco de Escorregamentos em Regiões Montanhosas organizado pelo Centro Universitário IESB, que discute a necessidade de se estabelecer de forma mais profunda o cálculo de risco na engenharia civil.

Carvajal abriu o dia falando sobre o cálculo da probabilidade de desastres ao longo do tempo. “Ao longo de 30 anos em uma região, qual a probabilidade aceitável de um desastre? Qual o risco e quais as consequências que se considera aceitável?”, questionou o palestrante.

Segundo Hernán, mesmo que o risco de um desastre – como um deslizamento de terra – seja baixo, é preciso considerar que o local será habitado por vários anos, até décadas, e que o risco se acumula ao longo do tempo. Além disso, os engenheiros devem levar em conta as consequências de um possível acidente, seja por perdas materiais, seja por perda de vidas.

O professor trouxe exemplo da cidade de Medelín, na Colômbia, que sofre com um grande número de escorregamentos de encostas. Cada deslizamento que ocorreu na cidade desde 1950 tirou, em média, 90 vidas. Ele contou que o governo tende a realocar a população como primeira medida, mas que grande parte dos moradores estão em locais com risco tolerável, que pode ser mitigado com obras de contenção. A retirada das famílias de um local deve ser considerada uma medida extrema.

“A partir de um estudo completo é possível definir quais são as melhores ações para cada cidade, levando em conta o cenário sociocultural”, disse Hernán. “Nem sempre podemos retirar as pessoas do local, mas podemos evitar novas ocupações em regiões perigosas. Podemos realizar obras de contenção para evitar que as encostas sofram deslizamentos. Para isso, os engenheiros precisam fazer o cálculo de risco, usar estatísticas. É melhor estar provavelmente correto do que exatamente errado”, finaliza.

Ricardo Callado

Jornalista, blogueiro, escritor e consultor político. Exerceu a função de secretário de Comunicação Social do Governo do Distrito Federal. Foi Diretor de Redação do Grupo Comunidade de Comunicação – responsável pelos jornais da Comunidade e O Coletivo. É autor do livro PANDORA – e outros fatos que abalaram a política de Brasília.


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