Arquivos Análise Política - Blog do Callado

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Ricardo Callado24/10/20185min

José Toufic Thomé

Na reta final das eleições, outra vez a cisão agressiva entre os simpatizantes das candidaturas que chegaram ao segundo turno, influencia o fim de amizades, gera desavenças familiares e em ambientes profissionais. Por vezes até, resulta em afrontas públicas e violência. Aliás, ação que é oficialmente condenada, mas pouco combatida nos bastidores de ambos os lados em disputa. Assim como também não são coibidas diversas práticas pouco éticas, tais como a disseminação de fake news, ataques pessoais e desconstruções de reputações, dirigidas às pessoas que ousam discordar do candidato, partido ou proposta que uma ou outra “torcida” defende.

É instigante observar o exercício da soberania popular, nesses tempos de pós-verdade e redes sociais virtuais, pela perspectiva da Sociologia e da Filosofia. Mas, sob o ponto de vista da Saúde Mental, a eleição brasileira desperta preocupações. E isso porque desde os movimentos de junho de 2013, a campanha do ano seguinte, e os muitos desdobramentos políticos e jurídicos que a sucederam; uma parcela significativa da sociedade brasileira, foi provocada a adotar comportamentos menos passivos, e a interagir intensamente a partir de informações associadas à propaganda política, nem sempre identificadas. Uma espécie de ansiedade generalizada, não raro tendendo à angústia, foi progressivamente construída. E recebeu estímulos durante meses de turbulências econômicas, sociais e morais, baseadas em notícias frequentes sobre corrupção.

Antes e durante o período eleitoral, as populações que estão virtualmente convencidas a “passar o país a limpo”, assim como a parcela que deseja reverter o “golpe” que avalia ter acontecido e, também a maioria que somente aguardava pela oportunidade de escolher representantes melhores, se viram expostas a mais suja campanha eleitoral da história. Notícias falsas, candidaturas fictícias, propostas desconectadas da realidade, e o clima hostil que contaminou manifestações em todo o país, contribuíram para criar o sentimento de impotência e desamparo que aflige indivíduos em todos os grupos segregados da população. Pessoas identificadas com propostas opostas, vivenciam uma incerteza disruptiva e perigosa.

A partir de estudos empreendidos por membros da Rede Ibero-Americana de Ecobioética, no Brasil e na Argentina, nos períodos que antecedem as Eleições 2018, assim como ocorre com a população argentina, exposta a severa e prolongada crise econômica, foi possível identificar o aumento dos relatos sobre sintomas físicos, tais como palpitações, falta de ar, problemas no aparelho digestivo entre outros. Indícios que em muitos casos, revelam doenças psicossomáticas. Ou seja, sintomas físicos, causados por problemas emocionais.

Nesta realidade disruptiva, qualquer que seja o resultado final do pleito, haverá um exército de descontentes, que se manifestará contra o lado ocasionalmente vitorioso, e o sentimento de angústia tenderá a prevalecer. Presenciaremos um período em que a divisão emocional provocada por esta polaridade entre dois candidatos desenvolve certa regressão às nossas sensações, emoções e sentimentos mais primitivos. E é indispensável que os especialistas em Saúde estejam atentos ao tratamento reconstrutivo que deverá ser empreendido, com o objetivo de resgatar o equilíbrio emocional dos indivíduos, e a integração da sociedade cindida.

Prof. Dr. José Toufic Thomé é médico pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, psiquiatra e psicoterapeuta psicodinâmico especialista em situações de crises e transtornos da contemporaneidade, presidente da Unidade Brasil da Rede Ibero-Americana de Ecobioética – Cátedra UNESCO de Bioética e presidente da Secção Psiquiatria em Crises e Desastres da Associação Mundial de Psiquiatria (WPA na sigla em inglês).


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Ricardo Callado20/10/20187min

Consciente de que será difícil reverter a vantagem de Jair Bolsonaro (PSL), o PT decidiu fazer campanha para deslegitimar a eventual vitória do oponente, qualificando-a como fraudulenta

O Estado de S.Paulo | Editorial

Consciente de que será muito difícil reverter a vantagem de Jair Bolsonaro (PSL) na disputa pela Presidência da República, o PT decidiu partir para seu “plano B”: fazer campanha para deslegitimar a eventual vitória do oponente, qualificando-a como fraudulenta. É uma especialidade lulopetista.

A ofensiva da tigrada está assentada na acusação segundo a qual a candidatura de Bolsonaro está sendo impulsionada nas redes sociais por organizações que atuam no “subterrâneo da internet”, segundo denúncia feita anteontem na tribuna do Senado pela presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, que lançou o seu J’accuse de fancaria.

“Eu acuso o senhor (Bolsonaro) de patrocinar fraude nas eleições brasileiras. O senhor é responsável por fraudar esse processo eleitoral manipulando e produzindo mentiras veiculadas no submundo da internet através de esquemas de WhatsApp pagos de fora deste país”, afirmou Gleisi, que acrescentou: “O senhor está recebendo recursos ilegais, patrocínio estrangeiro ilegal, e terá que responder por isso. (…) Quer ser presidente do Brasil através desse tipo de prática, senhor deputado Jair Bolsonaro?”

Como tudo o que vem do PT, nada disso é casual. A narrativa da “fraude eleitoral” se junta ao esforço petista para que o partido se apresente ao eleitorado – e, mais do que isso, à História – como o único que defendeu a democracia e resistiu à escalada autoritária supostamente representada pela possível eleição de Bolsonaro.

Esse “plano B” foi lançado a partir do momento em que ficou claro que a patranha lulopetista da tal “frente democrática” contra Bolsonaro não enganou ninguém. Afinal, como é que uma frente política pode ser democrática tendo à testa o PT, partido que pretendia eternizar-se no poder por meio da corrupção e da demagogia? Como é que os petistas imaginavam ser possível atrair apoio de outros partidos uma vez que o PT jamais aceitou alianças nas quais Lula da Silva não ditasse os termos, submetendo os parceiros às pretensões hegemônicas do demiurgo que hoje cumpre pena em Curitiba por corrupção?

Assim, a própria ideia de formação de uma “frente democrática” é, em si, uma farsa lulopetista, destinada a dar ao partido a imagem de vanguarda da luta pela liberdade contra a “ditadura” – nada mais, nada menos – de Jair Bolsonaro. Tudo isso para tentar fazer os eleitores esquecerem que o PT foi o principal responsável pela brutal crise política, econômica e moral que o País ora atravessa – e da qual, nunca é demais dizer, a candidatura Bolsonaro é um dos frutos. Como os eleitores não esqueceram, conforme atestam as pesquisas de intenção de voto que expressam o profundo antipetismo por trás do apoio a Bolsonaro, o PT deflagrou as denúncias de fraude contra o adversário.

O preposto de Lula da Silva na campanha, o candidato Fernando Haddad, chegou até mesmo a mencionar a hipótese de “impugnação” da chapa de Bolsonaro por, segundo ele, promover “essa campanha de difamação tentando fraudar a eleição”.

Mais uma vez, o PT pretende manter o País refém de suas manobras ao lançar dúvidas sobre o processo eleitoral, assim como já havia feito quando testou os limites legais e a paciência do eleitorado ao sustentar a candidatura de Lula da Silva. É bom lembrar que, até bem pouco tempo atrás, o partido denunciava, inclusive no exterior, que “eleição sem Lula é fraude”.

Tudo isso reafirma, como se ainda fosse necessário, a natureza profundamente autoritária de um partido que não admite oposição, pois se julga dono da verdade e exclusivo intérprete das demandas populares. O clima eleitoral já não é dos melhores, e o PT ainda quer aprofundar essa atmosfera de rancor e medo ao lançar dúvidas sobre a lisura do pleito e da possível vitória de seu oponente.

Nenhuma surpresa: afinal, o PT sempre se fortaleceu na discórdia, sem jamais reconhecer a legitimidade dos oponentes – prepotência que se manifesta agora na presunção de que milhões de eleitores incautos só votaram no adversário do PT porque, ora vejam, foram manipulados fraudulentamente pelo “subterrâneo da internet”.


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Ricardo Callado06/10/20187min

Com ódio e pelo medo

O advogado Ibaneis Rocha é daquelas pessoas que souberam ganhar muito dinheiro. Isto é fato. Na advocacia de atacado onde milita, foi muito mais um empresário do direito do que um formulador de teses, segundo comentam alguns colegas, que preferem que suas identidades não sejam reveladas. Ponto em comum em todos relatos das entrevistas realizadas com advogados de Brasília é de que Ibaneis é um animal político movido pelo ranço e pelo ódio daqueles que um dia ousaram discordar de suas práticas truculentas.

Pessoas mais próximas recordam que o grande sonho de Ibaneis era ser deputado federal pelo seu estado de origem, o Piauí, no entanto, no meio do sonho surgiu a chance de disputar e vencer a eleição pelo comando da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Brasília. E foi lá que Rocha abriu sua caixa de ferramentas para se mostrar um conquistador com apetite de Gengis Khan.

A histórica OAB-DF, de tantos serviços prestados à sociedade, se viu em segundo plano, diante da empreitada de Ibaneis para aparecer mais do que a Instituição. Relatos da época dão conta que até mesmo o importantíssimo Tribunal de Ética da Ordem, virou um puxadinho de seu gabinete, para que o então presidente Ibaneis pudesse pressionar seus coleguinhas a rezar sob sua cartilha.

Ibaneis, enquanto presidente da OAB-DF, não cansou de se infiltrar em temas de maior repercussão midiática, muito embora de menor importância para a sociedade. Negar a carteira de Advogado a nada mais nada menos do que o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, ao mesmo tempo em que premiava o já condenado José Dirceu com a mesma carteirinha, demonstrava um confusão mental que só se explicava pelo fato de que o PT comandava o País e o DF naquela oportunidade. E foi assim que o ambicioso Ibaneis abriu as portas para que as negociatas políticas invadissem a Casa onde tanto brilharam Esdras Dantas, Amauri Serralvo, Safe Carneiro, Maurício Correia e tantos outros advogados no sentido mais completo da profissão.

O encerramento de seu período como dirigente maior da OAB-DF, não o afastou do comando da instituição. Ibaneis elegeu seu sucessor, Juliano Costa Couto e agora pretende plantar Jaques Veloso na cadeira de presidente. Ibaneis tem se dividido entre a campanha ao GDF e a eleição da Ordem. Um pé em duas canoas, como se diz popularmente. Considerando que Ibaneis tem pautado sua trajetória de vida pública com ações que parecem saídas de um planejamento militarmente disciplinado, não seria inoportuno imaginar que Rocha, caso chegue ao Buriti, use sua OAB-DF como a polícia política comandada por Filinto Muller na era Getulista.

Chamado de autoritário, Ibaneis Rocha é um camaleão, na medida em que se traveste de democrata sob a égide do “novo” na política, entretanto, sua postura arrogante e por vezes transtornada, logo expõe a camuflagem de “bom rapaz”. Aliado do que já de pior passou pela vida pública do DF, tais como: Tadeu Filipelli, Benício Tavares, Júnior Brunelli e do obscuro candidato a vice da sua chapa, um tal de Paco Britto, Ibaneis vem derrapando nas curvas que preservam o bom senso, com frases de efeito que soam como ameaças no intuito de constranger o judiciário local, na medida que sempre deixa insinuar que detém privilégios nos corredores dos tribunais. Quase com uma Cigana, Ibaneis chegou a vaticinar a condenação de Fraga, que de fato ocorreu dois ou três dias depois.

Desafiador, Ibaneis passa por cima da legislação eleitoral e promete construir casas com dinheiro do próprio bolso numa das localidades mais pobres e carentes do DF, a vila 26 de Setembro na Estrutural. A retórica esperada de um tribuno deu lugar a mais escancarada promessa de compra de votos jamais vista em todos os tempos. Qualquer leigo em direito eleitoral pode classificar a verborragia demagógica utilizada como uma declaração de crime, ou na linguagem jurídica, o candidato é réu confesso e nada aconteceu com ele até agora.

Não bastasse tudo isso acima relatado, Rocha se mostrou um sujeito machista, cruel e desrespeitoso durante o último debate promovido pelo Correio Braziliense. Num ataque histérico, Ibaneis partiu para cima da candidata Eliana Pedrosa, que aterrorizada o ouviu chama-la de podre para depois dizer que ela deveria estar enterrada no cemitério. Atônita, Eliana, aos 65 anos de idade, mãe e avó, preferiu não responder para não expor a população Brasiliense a mais uma cena deplorável. O deputado Rogério Rosso deu uma aula de cavalheirismo e respeito, repudiando, com seu jeito sereno, o inadmissível tratamento que Ibaneis dispensou a Eliana Pedrosa.

Com o rei na barriga, como se diz no popular, Ibaneis desfila sua prepotência e arrogância até mesmo na hora em que contemporizar e compor são indicados. Em entrevista ao Portal Metrópoles o controvertido advogado, chama todos os outros candidatos para o “pau” (expressão digna dele mesmo) e disparou essa pérola da soberba: “Se quiserem se unir contra mim, vou ficar muito feliz”.

Amanhã, domingo, 07 de outubro de 2018, o Distrito Federal saberá se eleição se ganha apenas com dinheiro e bravatas.

Com a palavra o eleitor.


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Ricardo Callado03/09/20182min

Por Ricardo Callado

A disputa ao Governo do Distrito Federal é a mais acirradas da história. Pelo menos quatro candidatos tem chances de ser tornar o futuro governador de Brasília. Outros três tentam se aproximar do primeiro pelotão.

Uma análise fria das pesquisas eleitorais, avaliando intenções de voto, conhecimento e rejeição, somando-se desempenho na campanha e nominatas proporcionais mais fieis, é possível fazer algumas apostas.

A primeira é que a candidata do Pros, Eliana Pedrosa, deve se firmar em primeiro lugar e abrir vantagem aos outros postulantes ao Palácio do Buriti.

Rogério Rosso (PSD) e Alberto Fraga (DEM) deve disputar voto a voto a segunda colocação, enquanto o atual governador Rodrigo deve estagnar e ser ultrapassado por seus rivais.

General Paulo Chagas (PRP), Alexandre Guerra (Novo) e Ibaneis Rocha (MDB) são figurantes buscando uma melhoro aparição no cenário político. Cada um com suas estratégias.

O general aposta na dobradinha com o presidenciável Jair Bolsonaro.

Guerra tem nas propostas do seu partido um trunfo para crescer.

Já Ibaneis busca atrair apoio através de ajuda financeiros a candidatos a deputados.


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Ricardo Callado27/08/20183min

Enquanto algumas candidaturas mostram estagnação, como a do governador Rollemberg, outras tem possibilidade de boa margem de crescimento

Por Eri Varela

Aos cientistas políticos.
As pesquisas de intenção de votos divulgadas até agora, colocam a candidata Eliana Pedrosa (Pros) em primeiro lugar na corrida ao Governo do Distrito Federal (GDF). Há uma cristalização da intenção de votos em favor da candidata, e isso é fato incontestável.

Se for considerada a votação dela e de seu vice, Alírio Neto (PTB), na eleição passada, no somatório, é certo que a Eliana Pedrosa cresceu já agora e tende a aumentar o seu potencial.

Candidato à reeleição, Rodrigo Rolemberg (PSB), embora apareça em 2° lugar, até agora não tem nem nem 20% da votação dos votos que recebeu nas eleições de 2014. O espaço para crescer é mínimo, em razão da alta rejeição ao seu governo. Nesse quesito, está péssimo.

O candidato Alberto Fraga (DEM), pontua até agora, mais ou menos o que obteve na eleição passada, em torno de 10%. Há espaço para crescer.

Rogério Rosso, do PSD, na eleição anterior, obteve quase 100 mil votos, e nas pesquisas divulgadas, mantém o eleitorado fiel e pode crescer.

Candidato do MDB, o advogado Ibaneis Rocha, como marinheiro em primeira viagem, não tem rejeição, porque não é conhecido. Missão árdua o espera, pois tem que se tornar conhecido e transformar em votos.

Leva a vantagem de ter segundo maior tempo de rádio e TV, na propaganda eleitoral, só perdendo para o tempo de TV de Fraga. Há espaço para crescer.

Assim também o general Paulo Chagas, embora tenha pouco tempo de rádio e TV.

O candidato do PT, Júlio Miragaia – embora desconhecido do eleitorado – , por força do seu partido, que tem o 3° melhor tempo de rádio e TV, vai se tornar conhecido e tem espaço para crescer.


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Ricardo Callado08/08/20183min

Celson Bianchi

Quando o Evangelho de Mateus foi escrito, uma das mensagens da Oração Dominical foi clara ao deixar nas mão de Deus as direções da vida. “Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”, diz o texto. Em se tratando da política, a frase se encaixa perfeitamente ao momento em que vive o Brasil. A curto horizonte  [aparentemente] não há escolha que estanque a sangria institucional que assola a nação. Pode até existir opção que alcance a maioria, mas o fato é que, neste momento, infelizmente, o país continuará dividido e isso é extremamente danoso.

Resta, então, seguir o que foi registrado por um dos doze discípulos de Jesus: nas eleições de 2018 a decisão será entregar o voto ‘à tua vontade’. Há de se ter o mínimo de esperança por dias melhores, claro. Mas existe um sentimento quase uníssono em torno da falta de opção competitiva.

Diante deste fato, cabe ao cidadão ser resiliente e aos setor produtivo agir com temperança na condução dessa gigantesca máquina que faz o Brasil seguir adiante. Não é fechar os olhos. Mas o ideal é depender menos do Estado para que nossa economia avance. Pelo menos até que as dificuldades políticas sejam limadas com a ajuda da Justiça e outros órgãos de fiscalização.

É primordial instalar-se no país um tempo novo nas relações público-privadas. Não há mais sangue do lado empresarial capaz de sustentar uma máquina pública que carece de hemodiálise diária. E isso gera um ciclo que também incapacita o Estado de socorrer o empresário quando e necessário.

Ou seja: até que se passe toda a tempestade, será preciso erguer as mangas e trabalhar mais. Paralelo a isso será necessário continuar lutando contra arbitrariedades até que tudo volte ao normal e sejamos um país melhor.

Neste contexto o ideal é não desistir. As instituições estão funcionando e, quem sabe, a vontade de Deus seja feita dando celeridade a tudo isso que esperamos.

Celson Bianchi é  jornalista


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Ricardo Callado03/08/20185min

Por Rodrigo Augusto Prando

Há muito, li, alhures, que em política o dia seguinte é muito tempo. Ontem (02/08), constatei isso ao redigir um artigo. Mal havia terminado o texto, sobre as dificuldades das chapas presidenciais apresentarem seus candidatos a vice-presidente, leio, no início da noite que Alckmin (PSDB) terá com vice a Senadora Ana Amélia (PP) e que Marina (REDE) terá como vice Eduardo Jorge (PV). Sem desconsiderar que nos próximos dias ou mesmo horas os outros vices serão apresentados, foi, sem dúvida, um enorme ganho político para Alckmin e Marina.

Afirmei, no escrito anterior que “a escolha de um vice-presidente não é questão simples, visto que são muitas as variáveis a serem consideradas, numa ampla gama de questões pessoais, partidárias e institucionais. Muitas vezes, o vice pode ser escolhido por conta da indicação da aliança que formou uma coligação partidária; noutras, o escolhido tem uma dimensão regional, permitindo palanques e a entrada em regiões que o cabeça da chapa – o candidato a presidente – não tem boas perspectivas; às vezes, o recorte é geracional, escolhendo um jovem e, até, uma escolha alicerçada no gênero, como, por exemplo, uma mulher que poderia atrair votos femininos”.

No caso do tucano Alckmin, a escolha de Ana Amélia indica que a candidatura caminha com vigor político que, não faz muito, até aliados próximas não acreditava. O ex-governador de São Paulo conta com uma ampla arca de aliança partidária, especialmente o tão cobiçado Centrão, conta, ainda, com o maior tempo de TV, com recursos do fundo eleitoral assaz considerável e terá palanque em todo o país, visto que milhares de prefeitos e vereadores, bem como candidatos a deputados estaduais e federais dos partidos coligados lutarão por Alckmin (e, claro, pelos seus próprios interesses). Nesse bem construído tabuleiro de xadrez político, Ana Amélia vem contribuir sobremaneira em, pelo menos, dois aspectos principais: retira palanques do Sul do país de adversários do tucano e mira o foto feminino, justamente onde, por exemplo, Bolsonaro tem alta rejeição e Alckmin/Ana Amélia podem crescer. Ademais, a senadora foi dura adversário do lulopetismo e de Dilma, construindo discursos bem articulados à sua atuação senatorial.  Fernando Henrique Cardoso afirmou, certa feita, que Alckmin é corredor de maratona, aguarda o tempo certo de aumentar a velocidade. O historiador Alberto Aggio, por sua vez, lembrou que muitos afirmam que Alckmin joga parado e quem deve correr é a bola. Metáforas esportivas à parte, com tanta estrutura e apoio, Alckmin deverá, ao menos em 10 ou 15 dias de campanha na TV, ter refletido em números um aumento de sua intenção de voto. Caso isso não ocorra, os problemas de desconfiança voltarão à tona e podem contaminar o jogo político em desfavor do candidato do PSDB.

Já Marina Silva, com recall de duas eleições e sem envolvimento em escândalos de corrupção envolvendo a ela ou aos seus, terá, em Eduardo Jorge, um vice afinado com suas ideias e discursos, especialmente no que tange à sustentabilidade. Em que pese o pouco tempo de TV e pouco dinheiro, Marina sempre é uma competidora importante na eleição presidencial.

Ambos – Alckmin e Marina – terminaram a quinta-feira (02/03) fortalecidos, mas, sem dúvida, os ventos inflam mais as velas do barco tucano que, numa eleição que parecia desbussolada, começa a tomar um rumo mais definido. Veremos os próximos vices a chegarem no PT e para Bolsonaro que, até agora, estão em dificuldades.

Rodrigo Augusto Prando é Cientista Político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. É bacharel e licenciado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp/FCLAr.


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Ricardo Callado16/07/20185min

Por Gaudêncio Torquato

As projeções apontam para a elevação do índice do NV (Não Voto – abstenções, votos nulos e brancos), na eleição de 7 de outubro, a um patamar acima de 40%. Recorde-se que o 2º turno da eleição para governo de Tocantins, em junho passado, registrou 51,83% de eleitores votando em branco, anulando ou deixando de comparecer às urnas.

Trata-se, como se deduz de pesquisas, da indignação do eleitor em relação às coisas da política – atores, métodos e processos. O eleitor protesta contra o lamaçal que envolve a esfera política, que parece indiferente a um clamor social exigindo mudanças de comportamentos e atitudes. A principal arma que dispõe o eleitor para mudar a política é o voto. Ora, se o cidadão se recusa a usar esse direito está, de certa forma, contribuindo para a manutenção do status quo, perpetuando mazelas que infestam o cotidiano da vida política.

Estamos, portanto, diante de um dilema: caso o NV assuma proporções grandiosas no pleito deste ano, a hipótese de mudança na fisionomia política cai por terra, arrastada por ondas da mesmice, onde se enxergam as abomináveis práticas do fisiologismo (“é dando que se recebe”), o coronelismo (os currais eleitorais, a política de cabresto), o nepotismo (as engordas grupais), a estadania (o incremento da dependência social do Estado), o neo-sindicalismo peleguista (teias sindicais agarradas às mamas do Estado), a miríade de partidos e seus escopos pasteurizados etc.

A renovação política, bandeira erguida pela sociedade organizada, corre o risco de fracassar, caso o eleitorado se distancie do processo eleitoral ou, mesmo comparecendo às urnas, anule o sufrágio ou vote em branco. É oportuno lembrar que o eleitor é peça fundamental no jogo de xadrez da política. Se não tentar dar um xeque no protagonista que busca se eleger, este acabará sendo empurrado para o altar da representação política por exércitos treinados nas trincheiras dos velhos costumes. Assim, a renovação nas molduras governativa e parlamentar não ocorrerá.

Aliás, calcula-se que a renovação da representação no Parlamento seja de apenas 40% este ano, menor do que em pleitos do passado. A campanha mais curta – de 45 dias nas ruas e de 35 dias na mídia eleitoral – beneficiará os mais conhecidos e aqueles de maiores recursos financeiros. (No pleito anterior, a campanha tinha 90 dias de rua e 45 dias de programa eleitoral no rádio e TV).

O fato é que não se pode contar com mudança política por unilateral vontade do corpo parlamentar. Deputado ou senador, se não recebem pressão da base eleitoral, resistem a qualquer ideia de avançar, alterar, mudar regras que, hoje, os beneficiam. Ou, para usar a expressão mais popular, não darão um tiro no pé. Por conseguinte, a reformulação da política carece de participação ativa do eleitor, razão pela qual este deve cobrar de seus candidatos compromissos com avanços com o fito de eliminar os cancros que corroem o corpo político.

Em suma, a política não se renova porque não há, por parte dos representantes, desejo de mudá-la. E não há desejo porque o eleitor ainda não jogou seu representante no carrossel das transformações. O pleito de outubro deste ano tende a encerrar a era do grande compadrio na política. O que não quer necessariamente dizer que isso ocorrerá. Por isso mesmo, urge despertar a consciência cívica do cidadão. Motivá-lo a colocar sobre os trilhos o trem das mudanças. Toda a atenção deve se dar à bomba que ameaça explodir a locomotiva: o Não Voto. Abstenções, votos nulos e brancos, em demasia, são os ingredientes que podem implodir nosso ainda incipiente sistema democrático.

 

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato


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Ricardo Callado14/07/20184min

Por Ricardo Callado

A sexta-feira, 13, foi movimentada na política brasiliense. Duas notícias agitaram os bastidores. A primeira, publicada pelo Estado de S.Paulo, fala de um acordo em entre os presidentes nacionais do PSDB e PSD, Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab, respectivamente.

Nesse acordo, Alckmin aceitaria rifar a candidato do deputado Izalci Lucas (PSDB) ao Palácio do Buriti, para apoiar o também deputado Rogério Rosso (PSD) ao GDF.

Em troca, Alckmin ganharia o apoio do PSD a sua candidatura ao Palácio do Planalto. A barganha política também afetaria disputas no Rio Grande do Norte e no Rio de Janeiro.

Izalci negou a informação. Afirma que sua candidatura está mantida. E tenta reverter a situação. O desgaste foi imediato. Adversários políticos de Izalci cairam em cima. O tucano é o candidato que mais vem sofrendo ataques desde do início. Para qualquer lado que siga, sempre tem alguém puxando o seu tapete. Dentro e fora do partido. Pobre Izalci.

A segunda polêmica foi a notícia de que Jofran Frejat (PR) estaria desistindo de sua candidatura. Líder disparado nas pesquisas, Frejat é um homem honrado, na política há muitas décadas e sem nódoa de irregularidades.

Como no primeiro caso, surgiram versões diversas sobre a sua decisão (ou indecisão). O ataque especulativo vai desde que ele seria honesto demais para está com algumas companhias até que seria corrupto e que uma investigação da Polícia Federal atingiria a sua imagem. No caso, não é oito nem oitenta.

Até o seu adversário e candidato à reeleição, governador Rodrigo Rollemberg (PSB), ligou para Frejat e tirou uma casquinha do caso. Claro que a ligação vazou para a imprensa e se criou o “fato solidário”.

Frejat deu um freio de arrrumação. Mostrou que o rumo da campanha deve ser a sua maneira, e que concessões podem ser feitas, até porque ninguém governa sozinho. Mas que tudo tem um limite. E Frejat precisaria tomar uma decisão firma para estancar esse processo. A repercussão está sendo muito ruim para a sua candidatura, devido as inumeras versões, algumas para lá de fantasiosas. Mas que não deve afetar suas intenções de voto.

Se o recado de Frejat não foi entendido, ele liga o botão de foda-se, e vai para casa. No auge dos seus 81 anos de idade, ele tem todo o direito de tomar a decisão que lhe for afeita. Pobre Frejat.

Pobre, também, a política brasiliense que, de tão provinciana, ainda vive e sobrevive no esgoto e na desonestidade intelectual.

Frejat e Izalci são bons candidatos. Mas esbarram na velha política.


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Ricardo Callado04/06/20185min

Vamos diretamente ao ponto: Pedro Parente foi derrubado. Não saiu por vontade própria. Fez uma densa carta de demissão ao cargo, mas naquela escrita lê-se um desabafo do tamanho do mapa do Brasil. Foi vencido pela visão populista daqueles que acham que o preço dos combustíveis não pode e não deve ter como espelho aumento ou diminuição do barril de petróleo no mercado internacional. Essa foi a visão que balizou a era Dilma, com sua decisão de represar artificialmente preços e, desse modo, deixar nossa maior empresa no buraco.

Nos tempos de dona Rousseff, que se arvorava como exímia conhecedora de questões de petróleo e energia, o país vivia a artificial situação de alto consumo e certo conforto, graças à mistificação adotada para esconder a péssima planilha de contas. Como lembra o bom economista Adriano Pires, ele mesmo profundo conhecedor do mercado de petróleo, países onde os preços dos combustíveis seguem regras do mercado “são democracias consolidadas, e a sociedade tem um alto nível de bem-estar, como a Noruega e os Estados Unidos”. Outros que se ancoram no populismo para definir preços dos combustíveis são pouco democráticos e não atendem à população em suas necessidades básicas, como segurança pública, saúde e educação.

Assistimos, nos últimos dias, a um espetáculo canhestro. Atores com o intuito de chamar a atenção passaram a expressar um discurso populista, onde o apoio aos caminhoneiros era seguido de apelos por intervenção militar. Oportunistas e interesseiros de toda a espécie – inclusive empresários malandros – quiseram tirar proveito do movimento paredista. O candidato da extrema direita, Jair Bolsonaro, posando de herói, foi o alvo maior das Hosanas por encarnar a força militar, a ordem, a segurança nesse ciclo de tensões e perturbações. Felizmente, a cúpula militar reagiu negativamente ao apelo doidivanas de aventureiros.

Essa nossa claudicante democracia abriga coisas absurdas, algo como um pacto secreto reunindo abutres de direita com os falcões extremados da esquerda, cada qual apostando na ideia central de “virar a mesa”, de “entornar o caldo”, de colocar o país de ponta-cabeça, sob a escondida estratégia de apostar no pior para a elevação de seus quadros no pleito de 7 de outubro. É incrível como as coisas por estas nossas plagas estão invertidas. O Brasil acaba de sair da maior recessão econômica de sua história. A desconfiança internacional chegou aos picos. O rombo nas contas públicas inviabilizava qualquer gestão. Mas o país conseguiu atravessar o furacão. Reformas importantes foram feitas. Infelizmente, o governo, ele mesmo sob o bombardeio de denúncias, não conseguiu carrear para sua imagem o rol de coisas boas que fez.

E assim, de crise em crise, o país padece sob a pressão de protagonistas políticos, com sua atenção voltada para o pleito de outubro. Os horizontes são sombrios. O perfil que tirou a Petrobras do buraco agora é crucificado. Só faltam os coroinhas dessa missa macabra que se celebra  colocarem sobre a cabeça de Pedro Parente a coroa de Mau Gestor. É o fim da picada. O mocinho? Ah, é bandido. Inacreditável.

 

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação Twitter@gaudtorquato



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